sábado, 9 de março de 2013

BRETON, PAI DO SURREALISMO, DESAPARECEU HÁ VINTE ANOS - 17 DE NOVEMBRO DE 1986


JORNAL A TARDE , SALVADOR, SEGUNDA, 17 DE NOVEMBRO DE 1986

BRETON, PAI DO SURREALISMO, DESAPARECEU HÁ 20 ANOS

Paris(AFP)- Paris está rememorando a que seria uma das mais universais revoluções do século XX: o Surrealismo, cujo fundador, André Breton,desapareceu há 20 anos.
Breton era chamado o papa do Surrealismo. Na realidade, animado pela alegria surrealista pura do homem que não se dá nunca por vencido, mais do que um simples papa, Breton foi militante apaixonado por seu invento, concebido como estilo de vida. De papa, todavia, tinha seu aspecto exterior; macio, leonino, cabeleira branca e frases sentenciosas como fora de Breton não há salvação.
Depois de morto e apesar do zelo de seus últimos fiéis, o grupo foi-se  deslocando progressivamente. Só resta o espírito surrealista, na medida em que é perceptível nos clarões fulgurantes da publicidade e dos videoclips.
De origem bretã, nascido no dia 19 de fevereiro de 1896, teve seus primeiros sobressaltos espirituais de adolescente lendo Mallarmée, Vallery, Rimbaud, mas sobretudo Lautreamont, cujos Cantos de Maldoror deixaram marcas em seu espírito. O encontro com Jacques Vache, o dândi nillista, que se acabou suicidando, será determinante.
Estudante de Medicina, em Paris, Breton trava conhecimento com o poeta Louis Aragon. Os dois com Phillippe Soupaul, fundam em 1918 a revista Litterature, na qual aparecera o primeiro texto surrealista:
Os campos magnéticos.
Seu primeiro livro de poemas, Monte de Piedade, sai em 1919.
O artista André Breton desenhando
Conhece depois Tristan Tzara, fundador do dadaísmo. Soma-se ao movimento e participa nas grandes manifestações como o Processo ao escritor nacionalista Maurice Barres por Crime contra a segurança do espírito. Breton opõe-se a Tzara. deste movimento nillista não conservara mais que a critica à sociedade e a linguagem.
O inconsciente, descoberto por Freud que conhece em Viena, em 1921 e o automatismo lhe parecem os únicos capazes de renovar a arte. O Manifesto do Surrealismo 1924 define vigorosamente sua teoria: O Surrealismo se baseia na crença na realidade superior de certas formas de associação desenhadas até agora, na onipotência do sonho, no jogo desinteressado do espírito.
Com escritores como René Clavel, Robert Desnos, Paul Eluard, e pintores como Max Ernst e Francis Picabia, Breton explora o inconsciente. O grupo se entrega ao mundo fascinante dos sonhos à literatura automática, aos cadáveres esquisitos, através de seu órgão La revolution surrealiste. Novela e conto, Nadja 1928 e um depoimento lírico destas Petrificantes coincidências que se devem ao azar objetivo.
Breton adere ao Partido Comunista em 1927, com vários membros do grupo. O segundo manifesto do Surrealismo destaca este compromisso político. O surrealismo a serviço da revolução 1930 sucede a revolução surrealista.
Porém, seu sentido de liberdade sem travas confronta-se com o aparelho comunista. Afirmando que o Surrealismo não pode submeter-se a um controle externo, nem sequer marxista, Breton rompe definitivamente com o PC em 1935.
Se seus panfletos e suas obras teóricas são em muitos casos dogmáticas ou leves, sua poesia é luminosa e inspirada, como provam os versos da La union libre: Minha amada de cabelos de fogo de pensamentos calor relâmpago detalhes relógio de areia.... L’amour fou O amor louco, 1937, exalta a mulher amada, a loucura e o imaginário.
Cidadão do mundo, Breton viaja e suas viagens são outras tantas fontes de inspiração: Canárias, México onde conhece Trotsky, Estados Unidos durante a guerra, Canadá... regressando a França em 1946, Breton tenta reconstituir o grupo. Anima várias revistas como a Neon e Mediun. Alguns locais de Paris como o 42 Rue Fontaine, perto do célebre Moulin Rouge se convertem em pontos importantes do Surrealismo.
No fim de sua vida, Breton se interessa por pedras, por ocultismo L’art magique e Signe Ascendant. Pouco antes de morrer, no final de setembro de 1966 declarava: O essencial é que não transigi com nenhuma das três causas abraçadas desde o princípio: a poesia, o amor e a liberdade. Meu único orgulho é não ter desmerecido a elas.

O 43º SALÃO PARANAENSE REUNIRÁ ARTISTAS DO PAÍS

A Secretaria de Estado da Cultura e do Esporte criou o Salão Paranaense, que este ano está na sua 43º edição, com a proposta de apresentar uma visão ampla e representativa da produção contemporânea das artes plásticas do País. O 43º Salão Paranaense será realizado em Curitiba, na sala de Exposições do Museu de Arte Contemporânea do Paraná, no período de 18 de dezembro a 28 de fevereiro/87.
Participarão do 43º Salão Paranaense artistas que inscreveram obras elaboradas há menos de dois anos da data correspondente à realização do certame. Não foram aceitas obras com dimensões superiores a 1,50m vertical e 2m horizontal. Obras na convencionais poderão ocupar uma superfície de até 5 metros quadrados. Não foram aceitos trabalhos já premiados em outros certame artísticos. Não puderam ser inscritas obras que exigissem, tanto da comissão julgadora como do público, apreciação fora do espaço onde se realizará a mostra.
Os artistas puderam inscrever-se em mais de uma categoria, com três trabalhos obrigatoriamente, para cada modalidade na qual concorram, com exceção das obras convencionais, limitadas a uma unidade. Trípticos foram considerados obras individuais. Os participantes que desejaram apresentar propostas experimentais de luz, som e movimento, através de técnicas eletromecânicas, puderam inscrever trabalhos que funcionarão de maneira autônoma e ininterrupta ou por tempo determinado quando solicitado pelo expectador e que mantenham as mesmas características apresentadas por ocasião do julgamento das mesmas.
A comissão julgadora, composta de cinco membros, será constituída por dois nomes do meio artístico nacional escolhidos pelo MAC/PR e três outros, eleitos pelos artistas, indicados na ficha de inscrição. Estas indicações dos jurados não poderão recair em nomes que participaram da comissão julgadora da última edição do Salão Paranaense, no caso, Adalice Araújo, João Ozório Brzezinski, Olívio Tavares de Araújo, Paulo Herkenhoff e Ronald Simon.

UM GRANDE MURAL PARA ALEGRIA DOS GAÚCHOS

O Índio charrua, o soldado espanhol, as tropas farroupilhas e muitos outros personagens que participaram da formação do Rio Grande do Sul podem ser vistas por todos que passam na  AV. Mauá, no centro de Porto Alegre.
A história não está se repetindo.Está na parede externa da Estação mercado do metrô de superfície, no mural Temas do Rio Grande do Sul, de 450 metros quadrados, do artista Clébio Sória, que foi inaugurado neste final de semana.( Foto ao lado)
O painel compõe o acervo popular do projeto Artes na Cidades, desenvolvido no País pelo Banco Nacional, que, em Porto Alegre, contou com a participação da Trensurb.

ARTE MURALISTA

Tudo começou quando, em janeiro de 1984, a Lapa, no Rio de Janeiro, recebeu de volta, via traço do artista plástico Ivan de Freitas, o mar. Explica-se: o artista paraibano pintou na parede do prédio da Escola Nacional de Música uma continuação do próprio prédio, iludindo a visão e devolvendo ao local o mar, hoje afastado..Depois foi a vez de São Paulo.Lá, em convênio com a Empresa Municipal de Urbanização, o Banco Nacional executou o mesmo trabalho dentro do projeto São Paulo Mais Bonita. Tomie Ohtake e Alfredo Volpi foram os artistas escolhidos. O mural de Tomie, na Ladeira da Memória, é o maior de todos os 1.400 metros quadrados; o de Volpi, chamado Vela está localizado nas esquinas das avenidas Consolação e Paulista.
 Roberto Magalhães fez o mural Pássaros,no Rio

De volta ao Rio, em abril do ano passado, o projeto teve andamento com o mural Pássaros, de Roberto Magalhães, na Rua da Quitanda.
Em junho, São João foi homenageado com a pintura Revoada de Balões, de autoria de Aluísio Carvão, localizada nas esquinas das ruas Buenos Aires e Uruguaiana.
Em setembro de 85, o projeto chega a Belo Horizonte que recebeu na parede da Biblioteca estadual as linhas geométricas de Amílcar de Castro.
Este ano, o projeto chegou ao Sul do País mais exatamente a Porto Alegre, onde encontrou no traço correto e tradicionalista de Clébio Sória o talento ideal para homenagear o povo gaúcho.
No Rio de Janeiro, mais um mural está previsto para este ano, o Apoteose Tropical do também gaúcho Glauco Rodrigues.

PROJETO DEMOCRÁTICO

Para o Banco Nacional, segundo Ana  Lúcia de Magalhães Pinto coordenadora de Comunicação Social da empresa o projeto tem ainda uma grande virtude, além de abrir espaços novos para as artes plásticas, em plena rua, embelezar as cidades e popularizar a arte.