domingo, 17 de março de 2013

O OBJETO DE LIANE KATSUKI - 14 DE ABRIL DE 1979


JORNAL A TARDE, SALVADOR, 14 DE ABRIL DE 1979

                   O OBJETO DE LIANE KATSUKI

Painel Espacial, de Liane e sua equipe
A equipe  da qual participa a artista  Liane Katsuki  apresentou dois projetos na concorrência pública feita pelo então Governador Roberto Santos para dotar alguns edifícios públicos de objetos de arte. Uma iniciativa, aliás, que não deve ser abandonada pelo atual governo do estado em benefício dos artistas e da própria comunidade que passa a viver e sentir de perto objetos, tela e murais.
O que apresentou para o Parque Pituaçu consta de três secções de esfera, numa bem elaborada estrutura em aço e revestida em acrílico, cristal e vidro fumê.
Esses elementos permitem reflexos de todo o ambiente onde fosse localizado o objeto. Assim as árvores, pessoas e a própria arquitetura ficariam refletidos dando uma nova dimensão.
Todo o ambiente seria valorizado, além da lembrança do contato com a natureza, através dos reflexos. Este objeto tinha um movimento ao redor do seu próprio eixo, nas três secções de esferas, e um só movimento para as três esferas. Enfim, explica Liane  "esses movimentos representam ou se assemelham aos movimentos da própria Terra. Tudo isto funcionava dentro d um espelho d’água, que seria o lago existente na entrada do parque. Para executá-lo custaria muito e terminou por não ter sido escolhido pela comissão julgadora, recebendo apenas Menção Honrosa.
Mas, o seu Painel Espacial saiu vitorioso e hoje está localizado na área extrema do Centro de Convenções, perfeitamente identificado com a estrutura metálica do imóvel. Este objeto tem dez torres conjugadas numa composição harmoniosa em ferro galvanizado e tem grande beleza estética, principalmente quando estão girando sob a ação do vento as 159 peças móveis e coloridas. O objeto mede 12 metros de altura e as peças giratórias foram construídas em fibra de vidro de cores variadas.
Diz Liane que a ideia surgiu dentro do clima de festas da Bahia especialmente das bandeirolas que enfeitam os becos e ruelas. Daí a ideia das cores, do movimento, e depois surgiu a estrutura de ferro que integrou-se com a própria estrutura do Centro de Convenções.
O que Liane Katsuki queixou-se é que o tempo foi pouco para uma elaboração mais cuidadosa do seu projeto e também da ausência do arquiteto Hércio Peixoto, que ajudou na ideia, e não chegou a ver sua execução, pois faleceu pouco antes. Ela não gosta que chamem o seu móbile de escultura.
Liane é uma artista que já realizou mais de 20 exposições individuais. Trabalha com jóias, esculturas, pintura, litografia, serigrafia e água-forte.Enfim, uma artista que sabe manejar as tintas e outros instrumentos, desde qe atendam ao momento de sua criatividade.



          GERALDO É UM UM MAQUETISTA DE MÃOS HABÉIS
Fico às vezes em frente a uma maquete indagando a mim mesmo sobre a paciência do artista responsável pela sua execução. Os objetos colocados são tão pequeninos que parece que o artista está brincando de diminuir. Certamente, quem sabe, é uma mania da miniatura. E os detalhes dos carros? Da fachada dos prédios? Isto me intriga mais ainda. A maquete é realmente um trabalho de paciência. E um desses artistas baianos, que trabalha com cuidado e maestria é Geraldo Meyer Suerdieck Neto. Um jovem que há cinco anos vem desenvolvendo maquetes de importantes projetos arquitetônicos. Ele vive isolado em seu atelier na Rua Capistrana, nº 21, em Piatã, trabalhando em suas cidades-miniaturas e em suas pontes que parecem construídas para as formigas atravessar.
Mas do ponto de vista técnico uma maquete é uma miniatura em escala de um projeto, na maior parte arquitetônico ou urbano. Sua função é de servir a um estudo preliminar do projeto, à promoção de vendas ou a um registro histórico.
E o trabalho de Geraldo consiste em executar o projeto em uma escala reduzida, da forma mais precisa, real e movimentada possível. Ele consegue valorizar a visualização do observador em relação ao prédio, loteamento e as pontes que cria. È claro, que existe uma variedade de maquetes e em cada uma delas surgem os problemas a serem resolvidos. Daí a realização da maquete ser algo artesanal de alta precisão. É a partir das plantas e da escala escolhida que Geraldo inicia o dimensionamento do seu mundo em miniatura. É a partir deste momento que todo seu trabalho é voltado para o tamanho  especifico do objeto e escolha das peças que também são executadas fielmente dentro da escala. Além do material básico para construção da maquete como o acrílico, silicone e madeira existem os detalhes. E como gostam de detalhes de maquetistas! São homens que brincam de armar casinhas. E Geraldo é uma dessas pessoas que vive no mundo miniaturizado, um mundo encantado onde não tem lugar para os espigões que furam os céus ou outras monstruosidades. Tudo é pequeno, não existe o complexo de grandeza tão comum neste século. Basta você observar o tamanho dos orelhões e sim pequeninos pontos curvados. Já observaram os calçadões das maquetes, são calçadinhas, as piscinas são pequenos tanques quase invisíveis. E assim os maquetistas vão construindo o seu mundo que parece de fantasia. E o pior é que muitos dos elementos que entram na composição das maquetes são  importados da França, Estados Unidos e Itália. Portanto, é um material importado a alto custo devido principalmente o transporte e as tarifas alfandegárias.
Aqui na Bahia o mercado de maquetes é um tanto limitado devido principalmente ao alto custo. Mas informa Geraldo Suerdieck Neto que à medida que os técnicos se conscientizam que uma maquete irá eliminar uma série de erros e gostos na construção futura de um projeto arquitetônico e que ajudará as vendas com a  visualização a procura tende a aumentar. E isto já vem se verificando, com a vantagem de que os preços cobrados aqui são muitos mais baratos em relação ao Sul do país. As maquetes encomendadas a artistas do Sul do país muitas vezes chegam aqui danificadas devido às dificuldades de transporte.
Mas, vontade ao Geo ou Geraldo Suerdieck Neto devo dizer que ele é o responsável pela maquete do Centro Empresarial Iguatemi que tanto saiu em forma de anúncio nas páginas dos jornais ou outdoors e mesmo na televisão. Fez também as maquetes dos novo prédio do Desenbanco, dos loteamentos  Vilas do Atlântico, Alto do Candeal, do Victória Center, Bahia do Sol, do Centro Universitário da Universidade Federal da Bahia, e assim por diante. São tantas que prefiro parar por aqui. O Geo é realmente um mestre maquetista. Um jovem que trabalha sem parar em seu atelier que fica voltado para o mar. Demora em media um mês e às vezes até três para conseguir executar com precisão uma maquete. Os preços cobrados são relativamente altos, devido a importação dos elementos que compõem as maquetes. Mas, tudo é dimensionado de acordo com o tamanho e a dificuldade na execução. A inda voltarei a falar de outro artesão das cidade miniaturizadas, dos edifícios construídos para pequeninos bichos habitarem, das pontes frágeis e dos loteamentos com suas estradas que parecem terem sido projetadas para as formigas, Um mundo curioso, cheios de detalhes e pequeno.