quinta-feira, 7 de março de 2013

TAMAYO TEM JUSTA HOMENAGEM - 01 DE JUNHO DE 1981


JORNAL A TARDE, SALVADOR,  01 DE JUNHO DE 1981

RUFINO TAMAYO TEM JUSTA HOMENAGEM


Cidade do México - O presidente mexicano, José Lopez Portillo, inaugurou no Museu de Arte Moderna que leva o nome do mais proeminente artista mexicano vivo, Rufino Tamayo.
O novo museu fica no Parque de Chapultepec, onde já existem oito museus nacionais mexicanos.
Tamayo disse, na cerimônia, que por fim viu cumprir-se um sonho de 50 anos, o de compartilhar com meu povo, sua fortuna e as obras adquiridas de artistas contemporâneos célebres. Também fez um apelo a outras pessoas com poder econômico para que financiem mais museus e projetos artísticos.
 A coleção que doou ao museu conta com 200 obras, incluído pinturas de Pablo Picasso, Joan Miró, Salvador Dali, René Magritte, Max Ernst, Adolf Gottieb, Pierre Soulages e suas próprias e valiosas criações.
Tamayo lutou oito anos para conseguir que o museu com seu nome fosse construído no Parque de Chapultepec- ambição que seus críticos consideravam uma manifestação de  "vaidade a posteridade."
As autoridades e um grupo de intelectuais se opuseram por muito tempo ao projeto, O estado sustentava que não podia construir um museu privado ao lado dos museus nacionais de Antropologia, Arte Moderna, História Natural e outro cinco erguidos no parque.
A posição do governo não era só uma questão de princípios sobre o local onde Tamayo queria ter seu museu, mas também um assunto de cunho político. Tamayo é o único sobrevivente do Grupo dos Quatro grandes Muralistas Mexicanos, formado por Diego Rivera, José Clemente Orozco e Davis Alfaro Siqueiros. Tamayo, ao contrário dos outros, opunha-se a vincular sua arte com a política, sustentando que os demais pintavam temas ideológicos com subvenções do Estado, dentro da corrente da estética socialista.

 BERNINI E ALEIJADINHO O FULGOR DA ARQUITETURA

Parma (Ansa) Na fachada de um estupendo edifício da Rua Mercedes, esquina da Rua da Propaganda, existe em Roma uma placa que diz assim: "Aqui viveu e morreu  João Lourenço Bernini, soberano da arte perante a qual se inclinaram reverente papas, príncipes, povos. ", que havia sido colocada pela Prefeitura Municipal quando se homenageou o centenário de quem dera o máximo esplendor ao barroco italiano. No curso de 1980-81, exposições, consertos e outras manifestações artísticas comemoraram na Itália no seu terceiro centenário Nápoles/1598-Roma 1960 o arquiteto, escultor e pintor da contra-reforma que na América Latina teve início com a colaboração jesuíta que levou para lá os esplendores da voluta, de uma arte sobrecarregada de símbolos na sua ânsia de glorificar a Igreja Católica Apostólica Romana. Talvez se possa dizer que Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, seja o mais digno discípulo desta escola italiana, florescida em Portugal e depois chegada no Brasil. O editor parmense Franco Maria Ricci dedicou o volume 21 de Os Vestígios do Homem a este mulato de gênio que ascendeu nas asas da fama que teve dinheiro/escravos, ricos manjares..., segundo afirma o poeta brasileiro Carlos Drummond de Andrade  no texto O Vôo sobre as Igrejas publicado nas Atas dos Apostólogos.
Este volume refere-se estreitamente ás esculturas policromadas do Aleijadinho que era um pequeno entrevado/não tinha dedos, não tinha mãos/raiva e cinzel, só isto tinha, continua Drummond. São 163 páginas com 58 reproduções em cores das estátuas-algumas das exteriores em pedra da Igreja do Bom Jesus de Matozinhos em Congonhas do Campo, Minas Gerais-do interior, vistas da construção, uma fotoreprodução de um projeto do arquiteto, escultor e pintor brasileiro para a fachada de uma igreja que consta no Museu da Inconfidência, em Ouro Preto, mais um documento autografado de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho: o recibo de pagamento por um dos seus trabalhos, a vista geral das capelas da Via Cruzis de Congonhas do Campo, da capela da crucificação e o seu pormenor, do Monte da Paixão e a Capela da Ceia: Cristo e os Apóstolos. Imcubiu-se da apresentação o escritor Afonso Arinos de Melo Franco, a introdução é de Orlandino Seitas Fernandes, o texto latino na edição crítica oxoniense é de I. Wordsworth e H. White. Existem duas versões, uma em português e outra em italiano traduzida por Cesare Angelini.O livro está a venda na Itália e na França.
Estranhas encruzilhadas do hemisfério austral e estranhos os meus encontros: Borges, o bibliotecário cego de Buenos Aires, Cândido Lopez, o pintor manco da Guerra do Paraguai e agora o Aleijadinho, o escultor deformado da piedade mineira. Este livro que dedico com saudade ao amigo desaparecido, tenta lembrar um encontro que, igual à Via Crucis do Aleijadinho, teve início e fim no espaço de um jardim... Diz Ricci. E quem haja visto alguma vez a perspectiva dos jardins, da tortuosa escalinata, enfeitada com as estações dos apóstolos, até chegar finalmente com o olhar a pousar na magnificência branco-cinzento da igreja, esquecerá os duros sofrimentos, a morte e os sacrifícios que trouxeram juntos a descoberta das minas de ouro e de diamantes que deram transcedência e riqueza á então capitania do século XVIII, depois à província imperial e ao Estado Republicano de Minas Gerais. Ainda hoje podem ser vistos restos de arcadas barrocas, construção que dava acesso à entrada das minas de Inês Blumenweig.

UMA VELHA ÁRVORE
A velha árvore que já serviu de abrigo ardia em chamas. Como um vulcão que vomita pedras e fogo saídos de sua estranha a velha árvore lançava labaredas de seu tronco oco. Uma cena que atraiu pouca gente e dois bombeiros que seguravam uma mangueira d’água tentando apagar o fogo. Noutra árvore vizinha um único espectador assistia a tudo impassível. As duas árvores assim compunham um quadro diferente. Uma ardia em chamas e outras servia de recosto e abrigo para o curioso. Posições diferentes daquelas que estão acostumadas quando integram com sua imobilidade vegetativa as comemorações do 2 de julho. Ao seu redor entoam cânticos em homenagem ao casal de caboclos que deixa o bairro da Lapinha e permanece por alguns dias no Campo Grande. Este momento foi fixado pelo fotógrafo Carlos Santana. Uma foto que realmente transpõe o simples documento, porque tem plasticidade e uma força capaz de ser sentida por aqueles que tem espírito e sensibilidade.


EXPOSIÇÕES NA CORÉIA DO SUL ADULTOS E CRIANÇAS

Vem de Seul, na Coréia, a notícia de duas exposições internacionais de artes plásticas: uma de gravura para adultos e outra de pintura, desenho, impressão, colagem e gravura para crianças. Ambas visam a fomentar o intercâmbio cultural e o estreitamento dos laços de amizade entre os povos de todo o mundo. Maiores informações e fichas de inscrições dos dois eventos podem ser obtidas no Instituto Nacional de Artes Plásticas, da Funarte Rua Araújo porto Alegre 80, sala 15 centro- Rio de Janeiro, CEP 20.030, RJ
Para participar da III Bienal Internacional da Gravura de Seul o candidato deverá endereçar o seu trabalho junto a uma ficha de inscrição devidamente preenchida e assinada e mais uma taxa de US$5 cinco dólares até o dia 30 de junho, para Mr. Yung Kyung Shim-Chief of promotion department, The Dong-A llbo, l.P.O. Box 307- Kwangw harmoon.
Seul , Kórea – As despesas com remessa e seguro da obra concorrerão por conta do candidato, enquanto os organizadores do evento se encarregarão da devolução. Poderão concorrer os gravadores de todas as nacionalidade, e a cada um será permitido enviar até dois trabalhos originais de qualquer natureza,desde que produzidos depois de janeiro de 1979. O candidato terá que remeter a prova do autor ou parte da edição da obra que deverá ter no máximo 50 cópias. O trabalho poderá apresentar qualquer dimensão e em seu verso o autor escreverá um pequeno curriculum contendo dados que serão utilizados no catálogo.
 A Bienal dará quatro prêmios de US$300 e ainda alguns de Aquisição. Os trabalhos selecionados ficarão expostos de 1º a  10 de agosto no Museu de Arte de Seul e os promotores do evento organizarão um catálogo das obras.

ARTE INFANTIL
Crianças de todo o mundo com idade entre 6 a 12 anos estão sendo convidadas a participar da XXIII Exposição Mundial de Arte Infantil da Kórea, que irá de 25 de setembro de 1981 a 30 de junho de 1982 , numa promoção do Centro Koreano de Crianças da Fundação Yook de Jovens de Seul. Cada crianças poderá concorrer com um trabalho que deverá ser remetido , não sendo necessário ficha de inscrição para Korean C – Children’s Center – San 3-39, Neungdong:seoung dog-Ku – Seul 133 – Korea – Coréia, até o dia 15 de agosto de 1981. Serão concedidos vários prêmios, medalhas e certificados de participação que serão remetidos através das escolas e embaixadas dos candidatos.