domingo, 24 de março de 2013

MARLENE BATISTA - 11 DE AGOSTO DE 1979


JORNAL A TARDE  SALVADOR, 11 DE AGOSTO DE 1979.

MARLENE BATISTA GABINETE PORTUGUÊS DE LEITURA

Inquieta e inconformada com as dificuldades que tem enfrentado no seu dia-a-dia, a pintora Marlene Batista só agora tem oportunidade de realizar sua primeira individual em Salvador. Está expondo alguns de seus trabalhos no Gabinete Português de Leitura. Uma artista pobre e que vem enfrentando sérios transtornos para continuar a sua produção artística. Já expôs fora do Salvador em Fortaleza e Recife. Mas sempre esteve presente em coletivas de jovens artistas baianos. Fico feliz com esta exposição da Marlene por dois motivos: primeiro, pela qualidade do trabalho apresentado, especialmente os quadros onde ela utilizou uma técnica mista de aguada com lápis de cera. Acho que é este o seu caminho. Com relação ás telas a óleo ainda tem muita coisa por fazer. Evidente que esta sua procura, esta nova vontade em utilizar vários materiais diferentes só vem a acrescentar, porém, exige evidentemente maior afinco.
Outro motivo de minha alegria é devido a amizade que tenho pela Marlene Batista, inclusive sempre acompanhei de perto a sua luta em mostrar numa individual seus trabalhos.
Formada pela Escola de Belas-Artes e sempre presente nos movimentos e exposições de arte a Marlene tem muita coisa por fazer desabrochar o seu talento. Ela não gosta de concessões, de pintar para agradar e isto tem de certa forma dificultando o seu trabalho, além da falta de um contato maior com as pessoas fora do seu círculo de amizade. Mas, o que importa é que os trabalhos de Marlene Batista estão aí no Gabinete Português de Leitura e merecem ser vistos.
Veja a beleza das formas abstratas que ela consegue com as aguadas e os lápis coloridos de cera. Quando ás telas a óleo tendem a um surrealismo, mas ainda necessitam de maior apuração.

          RENÉ HUYGHE VISTA MUSEU NO RIO DE JANEIRO

Durante sua  recente presença no Brasil, num roteiro que incluía Brasília e Ouro Preto, o conhecido critico e historiador francês René Huyghe visitou o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, detendo-se principalmente nas obras de reconstrução.
Um dos primeiros críticos internacionais que reconheceram o talento do escultor brasileiro Aleijadinho, René Huyghe foi durante muitos anos conservador do Museu  do Louvre e entre as obras que publicou, figuram
A Arte e a Alma, Diálogo com o  Visível e A Arte e o Homem.
O crítico francês foi recebido no MAM pelos diretores Carlos Flexa Ribeiro, Hugo Gouthier e José Simeão Leal.

       IMPRESSÃO DE SELOS PARA TODO O MUNDO

À Imprensa nacional Austríaca, em Viana, chegam de todo o mundo encomendas para a impressão de selos. Um belo exemplo de excelente qualidade de respectiva técnica de impressão é constituído por este bloco de selos paraguaios:
Trata-se de uma emissão especial  de selos comemorativos do quarto centenário do nascimento de Peter Paul Rubens com a apresentação da  Virgem Numa Grinalda. Esta Impressão é uma combinação de calcografia a quatro cores, incluindo o dourado, uma cor de gravura a entalhe e duas cores de tipografia.

         MAM: OBRAS DA FRANÇA PARA O ACERVO

O Ministério das Relações Exteriores comunicou à diretoria do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro que obra de vários artistas franceses, doadas para o seu acervo, encontram-se na Embaixada do Brasil em Paris aguardando embarque para o nosso país.
As obras, doadas por particulares e artistas, são de autoria de Auguste Rodin (Escultura), Pablo Picasso (Desenho), Joaquim Torres-Garcia (Pintura), Sônia Delaunay (Serigrafia), Victor Vasarley (2 pinturas e uma série de 8 serigrafias), W.S Wols (guache), Charles Calmoin (aquarela), Thevenet (Pintura), Landowki (Escultura), A.H. Dumontier (Pintura), Olivier Debre (Pintura), Raymond Abner (Pintura), Claude Venard (Pintura), Werner Gisevisus (Pintura), e G. Marilere Pelletant (4 pinturas e 6 desenhos).

                 NOTÍCIAS  DA BIENAL DE SÃO PAULO

ASSESSORIA CULTURAL- O jornalista, crítico de Arte e presidente do Conselho de Arte e Cultura, Carlos Von Schimidt, é o novo Assessor Cultural da Fundação Bienal de São Paulo.
A escolha do novo assessor, que substitui Emanuel Massarani, foi realizada pela Diretoria da Bienal, Carlos Von Schimidt, além de membro da Associação Internacional de Críticos de Arte- AICA, seção Associação Brasileira de Críticos de Arte-ABCA, São Paulo, e membro da Associação Paulista de Críticos de Arte, é diretor e critico do jornal Artes, colaborador do Suplemento Cultural de O Estado de S. Paulo, escreve para a página de artes visuais da Folha de São Paulo e é critico do jornal Latin American Daily Post.

POLÔNIA COM SEIS PREMIADOS - A Polônia confirmou a participação de 11 (onze) artistas na XV Bienal Internacional de São Paulo, sendo que 6 (seis) dos quais são ex-premiados de Bienais anteriores.
Em carta aos organizadores da  Bienal, o diretor do National Musem de Varsóvia, Leszek Itman, comunicou oficialmente os nomes dos representantes de seu país e os respectivos trabalhos a serem expostos.São os seguintes os participantes poloneses, premiados anteriormente:
Tadeus Kantor, prêmio IX Bienal de São Paulo, 1967, que apresentará 5 (cinco) trabalhos; Tadeusz Kulisiewicz, prêmio VI Bienal de São Paulo, 1961, com 5 (cinco) desenhos do ciclo Índia-1973; Waldemar  Swerzy, prêmio X Bienal de São Paulo, 1969, com 5 (cinco) trabalhos; Francieszek Starowieski, prêmio VII Bienal de São Paulo, 1963, com 5 (cinco) trabalhos; Henry Tomaszewski, prêmio VII Bienal de São Paulo,1963, com 5 (cinco) trabalhos; e Magdalena Abakanowicz, prêmio VIII Bienal de São Paulo, 1965, que apresentará trabalho do ciclo Alterations.
Os novos participantes poloneses, da XV Bienal Internacional, são os seguintes:
Andrzej Lachowicz, com uma série de trabalhos divididos em dois grupos: Grzegorz Sztabinshi, com 2(duas) séries de desenhos; Joséf Szajna, com 1(hum) trabalho; Natalia Lach-Lachowicz, com 2 (dois) trabalhos; e Zbigniew Dlubak, com 6 (seis) trabalhos.

BRASILEIROS INDICADOS (II) - Como informamos anteriormente, a Bienal colocará à disposição da Imprensa, a partir de setembro, pequenos históricos  sobre a vida e a obra dos 15 (quinze) artistas brasileiros, indicados pela ABCA para participar da XV Bienal Internacional de São Paulo. Prosseguindo com resumos desses históricos, apresentamos mais dois nomes:
ASCÂNIO M M M - nascido em Portugal mas naturalmente brasileiro, reside no Rio de Janeiro. Escultor de trabalhos em madeira e alumínio, Ascânio tem uma de suas obras na Praça da Sé, em São Paulo, realizada no ano passado, quando da inauguração da nova praça.
O artista, que já se apresentou na IX Bienal de São Paulo, na Bienal de Escultura ao Ar Livre de Antuérpia, e outras mostras, disse:
O movimento nas minhas esculturas ou quadros não segue uma pré-determinação básica também acontece em função da construtividade do meu trabalho.
GLAUCO PINTO DE MORAES - Locomotivas são o tema do pintor Glauco Pinto de Moraes, Gaúcho de Passo Fundo, estará participando pela terceira vez da Bienal de São Paulo.
As anteriores foram a XIII Bienal Internacional e a I Bienal Latino-Americana.
Também participou de várias outras exposições, como: Museu de Arte Brasileira FAAP-SP, e MAM do Rio. Um pintor realista, desde menino sempre sentiu grande atração pelo trem, pois este significava a cultura, a notícia, o contato com a época.

CINCO ARTISTAS DA TAILÂNDIA - O Ministério das Relações Exteriores da Tailândia, em carta enviada à Fundação Bienal de São Paulo, confirmou sua presença na XV Bienal Internacional, através da representação de cinco artistas contemporâneos:
Sawasdi Tantisuk - já esteve em São Paulo, participando da XII Bienal.
Para esta mostra, vai trazer 5 (cinco) obras.
Pichi Nirand - outro ex-participante de uma Bienal paulista agora expondo em Viena, Nirand apresentará cinco obras em São Paulo.
Pishunu Supanimt- várias vezes premiados na Tailândia e professor da Faculdade de Pintura, Escultura e Artes Gráficas de Bangkok. Exporá (cinco) trabalhos.
Ithipol Thangchalok - depois de ter se apresentado nas XI e XII Bienais de São Paulo, até da XXVI Bienal de Veneza, nesta XV mostra paulista vai expor 5 (cinco) obras.
Tuan Terapichit - professor em Bangkok, esteve em São Paulo em 1969 na X Bienal e ganhou vários prêmios em seu país. Nesta mostra apresentará 5(cinco) trabalhos.

NOVO CONSELHEIRO  A Fundação Bienal de São Paulo informa que tem um novo membro em seu Conselho de Arte e Cultura: o prof. Wolfgang Pfeiffer.Diretor do Museu de Arte Contemporânea desde março do ano passado, Pfeiffer é também professor de História da Arte na Escola de Comunicações e Artes da USP. Membro da ABCA-AICA e do Comitê Brasileiro de História da Arte, o novo conselheiro da Bienal foi ainda diretor técnico do antigo Museu de Arte Moderna e membro do júri internacional das seis primeiras Bienais.
No Conselho de Arte e Cultura, Wolfgang Pfeiffer vem substituir a crítica de arte da ABCA-AICA, APCA, e crítica do Jornal Folha de São Paulo, Radhá Abramo.