sexta-feira, 29 de março de 2013

CELSO CUNHA - 1º DE SETEMBRO DE 1979


JORNAL A TARDE,SALVADOR, 1º DE SETEMBRO DE 1979

CELSO CUNHA FARÁ MURAL NO CENTRO DE CONVENÇÕES

Celso Cunha com algumas partes do seu mural
Entrou com o pé direito no cenário artístico baiano ganhando o primeiro prêmio no concurso público instituído pelo governo do estado para um mural do Centro de Convenções da Bahia. Um imenso e belo mural que veio somar a muitos outros que existem na Bahia, os quais inclusive precisam de melhor conservação por parte dos seus proprietários e encarregados da manutenção dos imóveis onde estão instalados.
Na verdade Celso Cunha é o melhor de todos estes muralistas que tem aparecido nesta década. Trabalha em silêncio, o que releva um detalhe da sua própria personalidade. É um indivíduo de poucas palavras e o seu forte é trabalhar com ferramentas na consecução de formas o volume que dia-a-dia vão preenchendo os vazios das paredes de prédios públicos e particulares.
Foi feliz Ivo Vellame por ter convidado Celso para expor alguns de seus últimos trabalhos, pela qualidade de sua obra, como também pela necessidade de divulgar cada vez mais o que este jovem artista vem criando. Está portanto de parabéns o Ivo, e o Celso por essa mostra que terminou ontem e que durante o tempo em que passou aberta foi visitada por centenas de pessoas.
As soluções abstratas e figurativas que surgem dos talhos fortes de Celso Cunha demonstram sua grande força e intimidade com os materiais que manipula. O entalhe que foi denominado Cavalos em Repouso é bem expressivo e as figuras são concebidas com certa ternura dentro de uma imagem deste nosso universo. Celso Cunha ainda vai trabalhar muito e cada vez mais a Bahia, e em breve o Brasil, estarão dentro a ele o que realmente merece. Ou seja, o destaque entre muitos dos entalhadores que existem por aí. Sim, porque ele está acima de muitos inclusive, já conceituados, e certamente tende a se firmar como um dos mais importantes muralistas baianos. Vamos aguardar.

                          RAUL STEINBERG EM SALVADOR

Uma exposição de 27 trabalhos do artista norte-americano Saul Steinberg faz parte do IV Salão Internacional de Humor, que se realiza em Piracicaba. Estado de São Paulo, sob o patrocínio da prefeitura local, de 18 de agosto a 3 de setembro. A mostra, a primeira de Steinberg no Brasil, tem a colaboração da Agência de Comunicação Internacional dos Estados Unidos.
Depois de Piracicaba, os trabalhos de Steinberg serão exibidos no Rio de Janeiro de 10 a 21 de setembro em Brasília de 26 de setembro a 5 de outubro, Salvador de 10 a 19 de outubro, Belo Horizonte de 25 de outubro a 8 de novembro e Porto Alegre de 14 a 27 de novembro.
Steinberg é um dos mais populares artistas vivos dos EUA e suas obras são tão imediatamente identificáveis pelo público como as de Adrew Weth ou Norman Rockwell.
Ele nasceu em Bucareste, Romênia, em 1914, filho de um tipógrafo impressor de cartazes e posters. Seus primeiros brinquedos foram os tipos de metais e madeira-os sinais gráficos que motivaram a sua notável criatividade artística.
Aos 18 anos, após terminar o colégio, Steinberg mudou-se para a Itália, onde fez, em Milão, um treinamento como engenheiro e arquiteto. Seu coração, entretanto, estava no desenho e aos 21 anos ele pode se considerar um artista profissional, ganhando a vida vendendo desenhos humorísticos a revistas e jornais.
Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, Seinberg decidiu transferir-se para os Estados Unidos, onde, chegou em 1941, tendo logo se tornado cidadão americano.
Seu primeiro emprego no país foi como desenhista da revista The New Yorker, para a qual continua trabalhando até hoje.
A sua atividade como artista, todavia não se limitou a revista. As capas que criou para The New Yorker, bem como as charges e ilustrações, constituem apenas uma parte de sua copiosa produção artística, rica em humor e ambigüidade. Autor de meia dúzia, de livros, ele se tornou conhecido internacionalmente através de mostras coletivas ou individuais em inúmeras cidades, entre as quais Barcelona, Caracas, Estocolmo, Chicago, Londres, Milão, Paris e Hamburgo.
Suas figuras incorporam um paradoxo, sendo ao mesmo tempo acessíveis e impenetráveis. Pode ser fácil para o público adentrá-las, mas é Steinberg quem decide o quanto o público pode penetrar nelas. Em seu trabalho ele pouco vê para amar na natureza, mas por outro lado, muito observa para satirizar.
Hoje, aos 65 anos, Steinberg sente que está no limiar de novas aventuras estéticas, diferentes daquelas que ele viveu até agora com caneta, lápis, crayon e outros materiais menos convencionais como madeira, cera, cola, envelope etc.
Hoje em dia eu desenho a vida, diz ele como os velhos mestres, a medida em que fico mais velho, torno-me cada vez mais interessado no que está lá fora e não com o que está em minha cabeça.

                 SIMBIOSE A QUATRO MÃOS DE DUAS ARTISTAS

Minetismo obra de Sônia Regina, de 43,5 x 62,5
Sônia Regina e Lygia Aguiar pertencem à nova geração de artistas que está saindo da Escola de Belas Artes. A exposição das duas artistas poderia ter sido feita por uma. Explico. Alguns trabalhos de Sônia poderiam ser assinados por Lygia e vive-versa.
Uma identidade de tratamento das formas, escolha de cores, inclusive da própria temática e a Simbiose.
Só, com uma pequena diferença, que uma usou os frutos da terra e a outra os frutos do mar. Uma identidade que chega a confundir, daí preferir chamar de uma exposição a quatro mãos.
Argonauta, obra de Lygia Aguiar, de 43,5 x 62,5
Aliás, na apresentação do próprio mestre Rescála ele que diz, existe uma afinidade temática e plástica entre as duas pintoras, percebe-se entretanto uma natural diferença no tratamento e na tonalidade dos quadros, mas isto não prejudica a harmonia da exposição. Também concordo que não chega a prejudicar, mas chamo a atenção para a necessidade de uma busca maior da individualidade de temática, do tratamento e uso dos materiais, e também uma certa busca para melhorar a combinação das cores. Observei na exposição que está aberta na Eucatexpo que alguns trabalhos chegam ás raias do primarismo. Inclusive comentei com a artista Ângelo Roberto, também apresentador das novas artistas, o qual concordou com algumas restrições e dois trabalhos expostos.

Porém, não concordo com o Ângelo quando ele afirma numa maturidade artística. Elas chegam lá.
Mas ainda falta alguma coisa, inclusive melhor tratamento pictórico. O que existe é uma vontade e algumas coisas na cabeça que começam a ser despejadas no papel. Também achei exagerados os preços de muitos trabalhos expostos tomando por base outros artistas já maduros, e que tem uma obra pictórica madura e conhecida. Elas começam a despontar e o despontar exige do criador certo cuidado e principalmente preocupação em não ousar demais todos os sentidos.
Concordo que foram felizes em escolher a técnica do pastel que proporcionou uma impressão ótica aveludada, devido a reflexão difusa da luz nas milhares de partículas pigmentarias que refletem a sua cor recíproca, variando o ângulo de reflexão segundo o ângulo de incidência em relação à posição de cada partícula. Inclusive no programa da apresentação elas definem o que seja pastel e das suas vantagens.