quinta-feira, 14 de março de 2013

CINQÜENTA PAINÉIS MOSTRA DO MAMB SOBRE A NOSSA ARTE MODERNA - 21 DE JUNHO DE 1982


JORNAL A TARDE ,SALVADOR,  21 DE JUNHO DE 1982

CINQÜENTA PAINÉIS NA MOSTRA DO MAMB SOBRE 
A NOSSA ARTE MODERNA
Mangue ,tela do inesquecível
Di Cavalcanti
O Museu de Arte Moderna da Bahia inaugurou, dia 17, uma exposição comemorativa de um movimento importante nas artes do Brasil: 60 Anos da Semana de Arte Moderna, uma visão da produção de artes plásticas, música, literatura, fotografia e arquitetura do primeiro período do modernismo brasileiro, situando-se em seu panorama político, econômico e social. A mostra é organizada pela Funarte e percorreu várias cidades.
São cerca de 50 painéis fotográficos a cores e em preto e branco mostrando trabalhos famosos e característicos filosóficas deste acontecimento de 1922 que revolucionou as artes no Brasil. Entre outros trabalhos podem ser vistos Homem Amarelo e A Boba, de Anita Malfalti, Menino da Floresta e Retrato de Mário de Andrade, de Lazar Segall, poemas de Manoel Bandeira e Oswald de Andrade, e O Beijo, de Di Cavalcanti.
O diretor do MAMB, Chico Liberato diz que esta exposição tem um significado muito amplo: ele se propõe a documentar todos os acontecimentos importantes da Arte Moderna no Brasil. É uma iniciativa de um departamento especial da Funarte que inicia uma série de exposições temáticas.
Esta exposição tem um significado didático muito importante diz Chico.Nas suas peças expostas situam-se claramente o pensamento dos conteúdos que motivaram o desencadeamento do processo de atualização da arte brasileira. Os artistas que participam desta mostra confirmam seus valores dentro da história da arte do Brasil, até época atual.
Falando sobre a Semana de 22, o diretor do MAMB coloca como um acontecimento que deve ser examinado dentro de um contexto do início da posição dos valores estéticos da Arte Moderna no Brasil. E é o que esta mostra enfoca: uma primeira tomada de posição que desencadearia uma série de outros acontecimentos.
Ele lembra que em debates realizados paralelamente à exposição no Rio:Ficou claro que o movimento da década de 20 não deve ser visto como um fato que gerou todas as correntes de artes plásticas no Brasil, mas, sim, como um acontecimento que atualizou os conceitos estéticos da arte universal, no Brasil, naquela década.
A mostra 60 Anos da Semana de Arte Moderna fica aberta ao público até o próximo dia 30, no Museu de Arte Moderna, Solar do Unhão. Neste período acontecerá um debate com artistas e críticos convidados com o objetivo de avaliar a repercussão desse movimento.

WALMIR AYALA LANÇANDO O SEU DICIONÁRIO DE ARTE

O critico Walmir Ayala está lançando, em edição nacional, o seu Dicionário de Arte em fascículos quinzenais. Este seu trabalho é resultado de inúmeras experiências e conclusões durante as duas décadas que estuda a arte, especialmente a arte feita em nosso país. Walmir tem colecionado durante este tempo um vasto material bibliográfico dos artistas brasileiros, muitos dos quais ostentam em seus catálogos apresentações de sua autoria. O lançamento é da Editora Cultura Contemporânea e vem possibilitar a muitos adquirirem em condições acessíveis informações importantes sobre a arte. É um trabalho que tem um cunho didático e por isto merece todo o apoio. O primeiro fascículo (letra A) traz um encarte muito oportuno sobre a xilogravura com um pequeno histórico de seu surgimento e desenvolvimento.

MUSEU DE ARTE SERÁ ABERTO NA VITÓRIA NO 
MÊS DE JUNHO
Até o final do próximo mês, o Museu de Arte da Bahia, atualmente instalado no Solar Góes Calmon, em Nazaré, será transferido para o Solar Cerqueira Lima, onde funcionava a Secretaria de Educação (Vitória). O diretor do MAMB, Emanoel Araújo, disse que além da mudança, a instituição vai sofrer uma reformulação, deixando de ter somente um acervo estático em exposição.
O Museu de Arte da Bahia será transformado num centro de atividades culturais, estando prevista a promoção de cursos, espetáculos e exposições. E, para atender a essa proposta dinâmica, irá ser criada uma infra-estrutura necessária, com a implantação dos setores de documentação, pesquisa e arquivo.

DENTRO DO PRAZO

Belas imagens estão sendo recuperadas
Emanoel Araújo revelou que o prédio, que vai abrigar o MAB está sofrendo obras de adaptação, já que a proposta do governo Antônio Carlos Magalhães é de transferir o museu, definitivamente, para este novo local. Embora a mudança tivesse sido anunciada para o final do mês passado, não há maiores problemas, pois somente em agosto finda o prazo de seis meses para  a entrega do Solar Góes Calmon à Academia de Letra da Bahia, que ali passará a funcionar.
Alojando-se no Solar Cerqueira Lima, O MAB poderá mostrar todo o seu grandioso acervo. Atualmente espalhado por várias instituições, devido ao problema de espaço físico. Nas novas instalações, o museu contará com um auditório, com capacidade para 150 pessoas e uma sala de exposição temporária, com 50 metros quadrados de área.
Uma das vantagens do novo local é a de possuir área para estacionamento, o que na opinião de Emanoel Araújo, deverá estimular a freqüência do público.
A Biblioteca de Arte do MAB, a mais especializada da Bahia, será também dinamizada e, segundo Emanoel Araújo, o desenvolvimento de atividade dinâmicas e a localização mais adequada, são fatores que, por certo, vão contribuir para que o museu seja mais frequentado.

RESTAURAÇÃO
Jorge com sua arte está restaurando as louças do Museu

O Museu de Arte da Bahia está fechado à visitação pública desde março último. No seu interior, é grande o volume de trabalho, tendo sido realizado o cadastramento e inventário do acervo e posterior embalagem. Do acervo, as peças de louça, porcelana e obras de pintura são as que apresentam maior nível de danificação e estão sendo restauradas.
A coleção do museu é vasta e variada: tem mobiliário do século XVII ao XIX, pintura do século XVIII e meados do século XIX, reunindo artistas como Presciliano Silva Lopes Rodrigues, Valença. Pertencentes ao segundo período da Escola Baiana de Pinturas, tem a coleção de Abott, com muitas peças européias, ainda não totalmente identificadas e uma grande coleção de cerâmica, com louças chinesa, japonesa e  européia. O museu reúne, também, um acervo com 8 mil volumes em literatura artística e pratarias baiana e portuguesa do século XVIII.
Criado em 1918, o MAB funcionou no Solar Pacífico Pereira, onde hoje se localiza o Teatro Castro Alves, tendo várias denominações até chegar a atual. O Solar Góes Calmon foi comprado em 43, com um pequeno acervo em seu interior, ao qual foi anexado os anteriores. Foi em 70, no governo de Luís Viana, que o solar foi reformado e o museu reinaugurado com o nome de Museu de Arte da Bahia.

EXPOSIÇÕES
Ainda este ano, diversos eventos serão realizado no MAB, conforme anunciou Emanoel Araújo. Está programada uma exposição sobre A Obra Crítica Iconográfica de Clarival Valladares que reúne, além dos seu trabalho crítico, cem painéis fotográficos das diversas exposições iconográficas organizadas por ele ao longo dos anos. Dentre outras atividades, acontecerão ainda as seguintes exposições: Os 80 anos de Pedro Calmon, com edição do livro A Casa da Torre, OS 400 anos de São Bento, Pintura baiana dos séculos XVIII e XIX, O negro na formação e cultura brasileira, A Arte Cemiterial Brasileira e Análise iconográfica da Pintura Monumental de Portinari nos Estados Unidos.
Uma outra atividade que vai dinamizar o MAB após a sua transferência para as novas instalações será a Feira de Arte e Antiguidade, que ocorrerá mensalmente, sempre aos sábados de Ana Maria.

                CALÇADÃO DA SÉ INTERESSA AOS ARTISTAS

Serão encerradas hoje as inscrições ao concurso público que escolherá o desenho, em pedra portuguesa, para o calçadão da Praça da Sé. Trinta e três artista plásticos já receberam a planta da área na sede do Órgão Central de Planejamento da Prefeitura, para desenvolver seus projetos que devem ser inscritos no próprio Oceplan. Amanhã, a comissão julgador do concurso reúne-se pela primeira vez para apreciar os trabalhos. A comissão é formada por representantes do Oceplan, da Secretaria Extraordinária de Informações e Divulgação da Prefeitura, da Companhia de Renovação Urbana de Salvador (Renurb) do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) e da Associação dos Artistas Plásticos de Salvador.

ANONIMATO

A forma de apresentação fica a critério de cada concorrente, podendo ser utilizado qualquer tipo de papel, cores, texturas, escala etc. cada prancha apresentada deverá conter um letreiro no canto interior direito, com a seguinte legenda: Prefeitura Municipal de Salvador e, logo abaixo, Concurso Público Desenho do Calçadão da Praça da Sé. Os anteprojetos não deverão conter quaisquer elementos, como marcas, nomes etc. que identifiquem sua autoria.
Na entrega dos trabalhos, estes receberão um número de identificação para assegurar o anonimato do autor ou autores.
No ato de inscrição, os concorrentes deverão anexar em envelope separado a ficha de identificação com os respectivos documentos exigidos: identidade civil, atestado de residência(recibo de luz, telefone ou água) CPF ou CGC. Somente participarão do concurso artistas plásticos brasileiros residentes na Bahia, exceto aqueles que tenham vínculos empregatícios com as entidades envolvidas na comissão de seleção. A responsabilidade pelo ante-projeto poderá ser assumida individualmente ou em equipe. Sendo em equipe, esta será representada por uma pessoa.

SELEÇÃO

Caberá á comissão julgadora selecionar um ante-projeto entre os inscritos, que será considerado o vencedor, recebendo um prêmio no valor de 100 mil cruzeiros. A comissão indicará também outros dois ante-projetos para menções honrosas. O resultado da seleção será conhecido e divulgado dias após a data de encerramento das inscrições.
Os concorrentes assinarão um termo de compromisso para executar os desenhos complementares e detalhes necessários, assim como acompanhar a execução do projeto, no caso de sua premiação. Os trabalhos não classificados deverão ser retirados pelos interessados dentro do prazo de 15 dias a partir da divulgação do resultado do concurso.