terça-feira, 5 de março de 2013

A HISTÓRIA DA FOTOGRAFIA TEM RETROSPECTIVA NO MIS - 13 DE ABRIL DE 1981.


JORNAL A TARDE, SALVADOR, 13 DE ABRIL DE 1981.

A HISTÓRIA DA FOTOGRAFIA TEM RETROSPECTIVA NO MIS

O fotógrafo Clemens Seeber com seu equipamento
ambulante, em 1886.
Com a apresentação da retrospectiva, que mostra a evolução técnica fotográfica através do aperfeiçoamento das câmaras e equipamentos e o papel da fotografia como testemunha do cotidiano, prossegue no MIS – Museu da Imagem e do Som até o dia 19 de abril, a exposição Fotohistorama, pertencente ao Museu Fotográfico Agfa-Gevaert ,de Colônia, República Federativa da Alemanha.
O Brasil é o primeiro país no continente americano a receber a mostra que já se apresentou em vários países da Europa, entre eles Holanda e a Itália, além da própria Alemanha. A iniciativa do MIS tem o patrocínio da Secretaria da Cultura de São Paulo e a colaboração da Bayer do Brasil – Departamento Foto e da Lufthansa, empresa áerea que fez o transporte de todo o material da exposição.

PEÇAS HISTÓRICAS
Neste evento é destacada a figura do franco-brasileiro Hércules Florence, que em 1833, inventou em Campinas, São Paulo, um processo fotográfico pioneiro. Florence é considerado um dos pais da fotografia, junto com os europeus Niepce , Daguerre e Talbot. A exposição é complementada por uma cronologia de reproduções mostrando o desenvolvimento da fotografia no Brasil, pertencente ao acervo do professor Boris Kossoy, atual diretor do MIS e um dos principais pesquisadores do assunto no país. Na foto ao ldo o livro de Boris Kossoy sobre o fotógrafo Hércules Florence.A Fotohistorama está aberta de terça à domingo das 15,30 m às 22,30 m com entrada gratuita. O MIS  fica na Avenida Europa número 158,Jardim Europa, São Paulo, Capital. .Quem for à São Paulo não deve deixar de visitá-la.

DOIS SÉCULOS DE FOTOGRAFIA
Esta foi a primeira foto tirada no mundo
por Joseph Niépce

O Museu de Imagem e do Som de São Paulo mostra uma exposição extraordinária. Trata-se de uma coleção de câmeras e imagens de dois séculos de fotografias.
Essa mostra é complementada por imagens do acervo particular do prof. Boris Kossoy, direto do MIS.
O Fotohistorama da Agfa Gevaert, em Leverkusen, é um dos três maiores museus de fotografia da república federal da Alemanha,  e o único que surgiu da iniciativa de uma empresa do ramo fotográfico. O Fotohistorama tem mais de 40 mil objetos históricos e pode ser considerado um dos maiores do mundo nesse gênero, mostrando antes de tudo o desenvolvimento da fotografia na Alemanha, do seu início até hoje.
Fotohistorama reúne diferentes grandes coleções sobre a história da fotografia, como os acervos de Stenger e Wendel. Foi adquirido pela Agfa-Gvaert em 1955 e está aberto ao público desde 1974, mas não pode mostrar todos os seus imensos componentes por falta de espaço. Exatamente por essa razão é que foi criada uma coleção especial, na forma de uma exposição ambulante, que traça cronologicamente um perfil altamente informativo através de toda a história da fotografia.
Inicia-se com a chamada câmera obscura, da que os pintores desde o século XVIII se utilizavam para captar imagens fiéis da natureza. A mostra traz, além disso, equipamentos, produtos químicos, documentos e materiais dos país da fotografia, seus primeiros inventores. É claro que o inventor brasileiro Hércules Florence também ocupa um lugar de destaque ao lado dos inventores europeus como Daguerre, Talbot, Steinheile Bayard, porque Florence iniciou suas primeiras pesquisas bem antes que os europeus, e foi ele o primeiro que utilizou a palavra fotografia.
O desenvolvimento da fotografia, no século passado, naturalmente ocupa um espaço significativo dentro da exposição. Pode-se ver até um ateliê típico de portraits da segunda metade do século XIX. Nesse ateliê não falta o fundo pintado no estilo da época nem o suporte de cabeça, usado para manter o cliente imobilizado durante o longo tempo de exposição então necessário pata que a foto não saísse tremida. Complementando este quadro, está também uma daquelas típicas poltronas estofadas de veludo, que o status da alta burguesia daquela época exigia.
Para uma mostra como esta, que abrange toda a história da fotografia, além dos equipamentos e materiais utilizados, antes de tudo tem importância o produto final desta atividade, que é a fotografia. Por isso, da guerreotipias, talbotipias, ambrotipias e impressões em alumínio dos mais conhecidos fotográficos alemãs e europeus são mostradas nesta exposição e além disso, também uma coleção de fotografias brasileiras.
Uma mostra especial dentro da exposição traz 60 fotos que foram feitas por fotógrafos europeus na América do Sul no século passado.
Na maioria, esses fotógrafos faziam parte de grandes expedições de pesquisa e, além, das fotos  encomendadas que mostram um eclipse do sol ou diferentes espécies de plantas raras, produziram também muitas imagens que mostram todo a beleza do continente sul americano. Depois, na Europa, os trabalhos foram reunidos em álbuns para dar aos administradores e ao grande público, uma impressão deste continente. Neste caso, é claro, as belezas e cenários pitorescos foram colocados em primeiro plano no interesse dos fotógrafos.
Fotógrafo em sua câmera
escura em 1865.

Assim, essas fotos mostravam, antes de tudo, a imagem que o turista europeu na metade do século passado podia esperar; quadros de cidades com interessante arquitetura diante de impressionantes cadeias de montanhas, cachoeiras e córregos no meio de paisagens virgens ou índios em seus trajes tradicionais.
Tudo isto certamente não contribui muito como descrição histórica dos países retratados, porém representa exatamente a impressão que um europeu tinha da América do Sul naquele tempo.
Um importante capítulo da fotografia é o desenvolvimento desta mídia, a partir da técnica complicada dominada somente por poucos especialistas até o manejo simples de hoje em dia, que transformou a fotografia num hobby para milhões de pessoas. No final do século passado forma descobertos  a chapa seca e o filme de rolo. As câmaras ficaram menores (a história das Câmaras dos Detetives neste caso é especificamente interessante e de fácil aquisição e manejo para qualquer pessoa, inclusive crianças. Tudo isto é mostrado na exposição através de uma série de câmeras, objetivas, rolos de filmes, embalagens de papel e muitas fotos.
Além de ter-se tornado um hobby para muita gente, alguns amadores do mundo inteiro declararam ser a fotografia uma nova arte. Uma infinidade de diferentes técnicas de criação começaram a ser desenvolvidas, e, com isso, fotos simples ganharam a aparência de pinturas, litogravuras ou guaches. Assim nasceu a arte fotográfica, e o que esses fotógrafos conseguiram no desenvolvimento desses novos estilos não foi apenas atribuir á fotografia a características de uma nova arte, mas também criar consciência no público para as vantagens inerentes a essa nova mídia.
Na exposição em São Paulo também se pode ver alguns exemplares desse tipo de fotografia.
Nesse meio tempo foi se tentando produzir fotos mais fiéis à natureza, ou seja, a foto colorida, que foi criada no ano de 1861 mas só se tornou praticável para o grande  público depois de 1908, quando foi introduzido o sistema da chapa altocromo com base de amigo de batata colorido. Em 1916 a Agfa começou a comercializar uma chapa um pouco mais aperfeiçoada, que foi utilizada até a introdução do filme Agfacolor em 1936.
Também as imagens tridimensionais não demoraram a ser desenvolvidas.
Muitos inventores buscaram soluções e melhoramentos para a fotografia esterescópica; baseados no simples fato de que o homem tem dois olhos separados por uma distância de aproximadamente 65 milímetros, e que, com a Câmera com duas objetivas colocadas naquela mesma distância, poderiam produzir imagens que permitissem uma visão semelhante do espaço.
A história da fotografia estereoscópica está representada na exposição em São Paulo com seus mais importantes exemplos.
Expedição ao Pólo Norte do Conde Wilcek.
Foto de Buerger, em 1872.

Para aqueles de hoje em dia utilizam uma máquina fotográfica cem por cento automática e com filmes coloridos de alta sensibilidade, é quase impossível imaginar quão rapidamente se desenvolveu a história dessa mídia, a partir do árduo trabalho de um daguerreotipista de então até o amador de uma câmara pocker, e dos fotógrafos de portraits do século passado até os repórteres fotográficos de hoje.
Todo esse desenvolvimento pode ser sentido muito bem nessa exposição onde o visitante terá uma surpresa a cada instante, imaginando quantas idéias estão atrás das milhões de fotos que nos cercam hoje em dia. De Rolf Sachsse, historiador alemão, nascido em  1949, ex-repórter foto gráfico, tendo publicado livros e artigos para revistas especializadas, abordando a história da fotografia, além de assuntos como a História da Arte, a Língua Alemã e Pesquisa da Comunicação.