quinta-feira, 7 de março de 2013

ESTUDO ETNOGRÁFICO DE VERGER NO CASTRO ALVES - 04 DE MAIO DE 1981


JORNAL A TARDE,SALVADOR,  04 DE MAIO DE 1981

ESTUDO ETNOGRÁFICO DE VERGER NO CASTRO ALVES
Na expressão deste africano captada por Verger
sentimos a grandiosidade de sua obra

No foyer do Teatro Castro Alves, a exposição fotográfica Deuses Africanos, de Pierre Verger. São trinta e duas fotos que fazem parte de seu próximo livro, intitulado Orixás na África e no Mundo, um estudo etnográfico de 30 anos, que será lançado em breve.
Pierre Verger possui uma das mais preciosas documentações sobre civilizações e culturas em vias de extinção, sendo este acervo um trabalho cuidadoso de suas viagens pelo mundo, sempre fotografando.
Atraído pela Bahia através da leitura de Jubiabá, de Jorge Amado, veio a se apaixonar pela cidade de Salvador, e, especialmente, pela cultura da comunidade negra, que ainda aqui mantém as suas tradições. Este seu interesse, totalmente diferente e oposto a uma mera curiosidade de turista, pois a sua vida está perfeitamente integrada na vida e nos costumes baianos, frequentando como iniciado o candomblé, veio a levá-lo a aprofundar seus conhecimentos na África, principalmente na costa ocidental Nigéria e Daomé, onde pesquisou a arte divinatória do Ifá e outros aspectos do patrimônio cultural dos Yorubás.
Os trabalhos de Pierre Verger já foram objetos de dois filmes realizados para a televisão francesa.. Seus livros sempre são publicados no exterior, entre os quais um dos estudos sobre o tráfico de escravos, ainda não publicado no Brasil. Obteve em 1966 o reconhecimento acadêmico através do título de doutor Honoris Causa concedido pela Sorbonne.
Sua formação de autodidata não o impediu, entretanto, de ser diretor de pesquisas no Centre Nacional de Recherches Sociales, de Paris, professor visitante da universidade de Ifé Nigéria e da Universidade da Bahia.

PIERRE VERGER

Com Setenta e sete anos, cidadão baiano é francês, de país belgas, com uma curiosidade insaciável que o faz percorrer vários continentes, e registrar o dia-a-dia da Bahia, mergulhando na tradição e cultura negras, o seu primeiro contato de fotógrafo e etnólogo, com o candomblé, veio a acontecer por volta de 1946.
Disto surgiu o aprendizado dos ritos e o penetrar nas raízes negras. Em 1951 torna-se iniciado e começa a pesquisa do culto dos orixás no Brasil e na África.
O intelectual africano, em geral, renega ou esconde as suas ligações com as raízes da cultura negra. Até hoje ele permanece marcado pela colonização cultural e missionária católica, protestante e islâmica. Já a tradição trazida para o Brasil pelos escravos negros ficou na Bahia, sob a sua forma mais forte e pura, sendo contada nas histórias e lendas, de pai para filho. A tradição erudita é falsa; a oral é a verdadeira.
A fotografia é simplesmente um documento. O fotografar não se aprende. È um ato intuitivo, não cerebral. Sem saber o porquê capto um gesto, movimento, luz. É preciso ficar atento ao que acontece em volta, sem se deixar tolher por uma idéia fixa de imagem preconcebida intelectualmente. Ás vezes, só depois da imagem feita você mergulha nela e a entende o entender se passa no nível de leitura, não do registro da imagem.
Os Deuses Africanos, 32 fotos em branco e preto, são todas instantâneas, e a Bahia e a África estão irmanadas nas fotos, na tradição, na fé, já que os contornos dos rostos, as expressões, as posturas, os gestos são os mesmos, e só a diferença nos trajes e as legendas identificam o lugar onde foram tiradas.

MAM MOSTRA OBRAS DOS ARTISTAS DO III SALÃO

Os artistas premiados no III Salão Nacional de Artes Plásticas estarão expondo seus trabalhos no Museu de Arte Moderna, Solar do Unhão, no período de 7 até o dia 20 de maio, dentro do Projeto Arco-Íris, numa programação da Fundação Cultural do Estado da Bahia.
Obra de Manfredo Souza, de Minas Gerais
Com 876 inscritos, 209 selecionados, a comissão julgadora do III Salão premiou os seguintes artistas: Prêmio Viagem ao Estrangeiro - Proposta, Arlindo Daibert , MG e Marcos Coelho Benjamim, MG; Gravura, Manuel Messias, RJ e Sérgio Fingermann, SP; Prêmio Viagem no País -Pintura, João Grijó RJ e Gomes de Souza, GO; Proposta, Klaus Pfeiffer e Estela Bulgarelli, SP e Grupo Cuidado Louças RJ; Prêmio Gustavo Capanema, concedido em Proposta para Manfredo de Souza, MG e o Prêmio de Aquisição, em Desenho, José Augusto Simões, PA e Rodolfo Mesquita, PE; Pintura, Márcia Rothstein SP; Gravura, Lena Bergstein, RJ.
O Salão Nacional faz parte do Projeto Arco-Íris, implantando em 78, pela Funarte, que vem ano após ano confirmando a sua viabilidade e o acervo da sua proposta, na promoção, no apoio, e na iniciativa de intercâmbio na área das artes visuais. Sua função cultural e educativa, assim, tem sido plenamente cumprida, não só através deste Salão, mas também por meio de exposições individuais e coletivas, cursos, palestras e seminários, sempre realizados em convênio com as entidades regionais, num constante empenho para intensificar a troca de informações entre os grandes centros artísticos e as comunidades de pequeno e médio porte.
Trabalho premiado do artista Arlindo Daibert

A iniciativa de deslocar o Salão do Rio de Janeiro para várias outras cidades, como São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Brasília, Salvador e Recife, com os trabalhos premiados em 1980, vem representar a vitalidade do projeto e sua finalidade básica, num esforço de descentralização, tornando familiar as faixas cada vez mais amplas de nossa população o que de mais representativo está sendo realizado na nossa criação contemporânea nas artes visuais


UM CONCURSO DE HUMOR PARA VOCÊ MOSTRAR  
A SUA GRAÇA

Estão abertas as inscrições para o Concurso de Humor. Você que faz crônicas ou poesias satíricas Inclusive cordel, charge, cartum e caricatura não pode ficar de fora. Esta iniciativa do Centro de Exposições merece ser prestigiada para que a idéia não morra, e assim, possamos reunir as principais manifestações de humor de nosso estado. O concurso é aberto mas, só poderão participar trabalhos inéditos. Leia com atenção este regulamento para que não participe com dúvidas.
O regulamento:

RELATIVO AOS TRABALHOS

A)    Só poderão participar do concurso trabalhos inéditos;
B)     Não serão julgados os trabalhos cuja linguagem mostre decalque, cópia parcial ou imitação;
C)    Cada pessoa deverá concorrer com o máximo de 10(dez) e o mínimo de 05 (cinco) trabalhos, por modalidade.
D)    Os trabalhos, na modalidade da crônica e poesia, deverão ser datilografados em três vias ou cópias que não serão devolvidas;
E)     Os trabalhos, na modalidade de Charge ou Cartoom e Caricatura, deverão ser apresentados dentro das dimensões de 210mm X 210MM duzentos e dez milímetros ou em tamanho ampliado, dentro das proporções da medida exigida até um tamanho que seja equivalente ao dobro dessa medida, em três vias ou cópias que não serão devolvidas e em preto e branco. O s trabalhos deverão ser entregues em quaisquer dos onze postos, sob pseudônimo, acompanhados de um envelope pequeno, lacrado, contendo a identificação do autor:
F)     Endereço, pequena biografia é uma foto em preto e branco em qualquer, tamanho e que tenha um bom contrate.Os trabalhos deverão ser entregues até o 20 de maio nos postos.

Colégio Estadual João Florêncio Gomes- Ribeira; Colégio Estadual Duque de Caxias- Liberdade; Praça dos Poetas do Cordel- Mercado Modelo; Bahiatursa- Belvedere da Sé; Fundação Cultural-Biblioteca Central- Barris; Raso da Catarina -ao lado do Passeio Público; UCBA-Pré-Vestibular- Canela; Instituto Mauá- Porto da Barra; dama da Noite- Rio Vermelho; Centro de Exposições Centro Administrativo; O Juvená- Farol de Itapuã

A COMISSÃO JULGADORA

a)      A comissão julgadora será escolhida pela Coordenação do Centro de Exposições e será composta de profissionais da área
b) Seus nomes serão divulgados em tempo divulgados em tempo oportuno e suas decisões serão irrevogáveis.Os resultados serão divulgados a  partir do dia 13 de junho pelos órgãos de divulgação

A PREMIAÇÃO

A)    Serão classificados pela comissão julgadora, dois concorrentes em cada modalidade, cujos trabalhos serão publicados em livro.
B)     Se em determinada modalidade não houver concorrente ou se os trabalhos apresentados não forem classificados pela comissão, poderão ser publicados trabalhos de pessoas que concorrem a outras modalidades do concurso, a critério da comissão julgadora e Coordenação do Centro de Exposições.
C)    Serão impressos em coletânea 500 exemplares dos trabalhos classificados, sendo que cada premiado receberá 50 exemplares e os restantes serão distribuídos, pela Coordenação do Centro de Exposições.
D)    O dia para entrega dos livros será 30 de junho, data em que será promovido, em caráter festivo, o encerramento do concurso e do ciclo Humor Cartoom e Cordel.