sexta-feira, 8 de março de 2013

NOVENTA ANOS DE FLORIANO TEIXEIRA


NOVENTA ANOS DE FLORIANO TEIXEIRA


Ilustração do catálogo da mostra
Este maranhense de Cajapió que adotou a Bahia como sua segunda terra deixou uma lacuna com seu traço definitivo e delicado. Tenho diante de mim, no meu escritório, duas obras de Floriano Teixeira. Numa delas vemos uma bela mulata com suas vestes amarelas deixando aparecer sutilmente seus predicados naturais, observada por um lindo pássaro chamado de galo de campina ou cardeal e, ao fundo um casal, aos carinhos. A outra, é uma aquarela onde uma criancinha acaricia sua cabra. Estas duas obras mostram um pouco da criatividade e da singeleza deste artista que soube conquistar os baianos e todos os brasileiros que apreciam a arte.

Uma pequena retrospectiva de suas obras será realizada na Galeria Paulo Darzé ,de 15 de março a 13 de abril. Floriano nasceu em 8 de março de 1923 em Cajapió.Segundo disse em certa ocasião " é uma região coberta por grandes pântanos, florestas, campos pastoris, rica em babaçu e folclore".Realizou seus estudos no Grupo Escolar Sotero dos Reis, em São Luís, depois no Liceu Maranhense, quando em 1935 teve suas primeiras aulas de desenho com o professor Rubens Damasceno. Faz algumas aquarelas, caricaturas e histórias em quadrinhos. Nos anos 40 foi introduzido por J. Figueiredo no ambiente artístico de São Luís quando estuda e documenta tipos populares e cenas do cotidiano da velha capital maranhense. Conhece a obra de El Grego e ficava impressionado com o alongamento das figuras do mestre.Em finais de 1941 recebe o I Prêmio no Salão de Dezembro,provocando sua decisão de ser um pintor profissional.

No ano de 1948 foi encarregado de fazer o levantamento e catalogação das gravuras, desenhos , e pinturas da coleção de Arthur Azevedo, quando tem contato direto com obras de Daumier, Gavarni, Millet e outros . Dois anos depois já está no Ceará e funda com Antônio Bandeira o Grupo Independência, em 1952.
Foi no Ceará que conheceu d. Alice com quem teve sete filhos. Lá ainda foi o primeiro Diretor do Museu de Arte Moderna. Participando de uma exposição de artistas nordestinos  que chega a Bahia e em 1965 decide viver aqui até a sua morte.
Fez 12 capas da Coleção de Obras Completas de Graciliano Ramos, os desenhos dos romances Dona Flor e Seus Dois Maridos, A Morte e a Morte de Quincas Berro D'água , Milagre dos Pássaros e o Menino Grapiúna, todos de Jorge Amado, seu grande amigo. Também, ilustrou a obra Maria Duzá, de Lindolfo Rocha.
Gostava de dizer que não se situava em escolas. Pintava por vontade de pintar. Desejo que tinha em quase todos os momentos. Mas, os que o conheceram mais de perto  sabem que Floriano Teixeira tinha uma família numerosa e que tirava o seu sustento diário do que produzia, a ponto de ter dificuldade em juntar obras para fazer exposições. Pintar, era uma necessidade visceral e também, uma necessidade para prover as despesas que cresciam dia a dia. O próprio filho Sandro Teixeira numa entrevista concedida recentemente a um jornal local disse que "desde menino a gente respira tinta lá em casa. Ele nunca trabalhou para enriquecer, pintava mesmo para vender. Chegou a perder muitas exposições por isso, porque não fazia acervo”. Ele pintava na garagem de sua casa , que transformou em atelier, no bairro do Rio Vermelho, em Salvador.