sábado, 29 de dezembro de 2012

PROJETO PORTINARI ESTÁ REPERCUTINDO EM PARIS - 04 DE FEVEREIRO DE 1985


JORNAL A TARDE SALVADOR, 04 DE FEVEREIRO DE 1985

PROJETO PORTINARI ESTÁ REPERCUTINDO EM PARIS

Cândido Portinari pintando um painel
Paris (AFP)- O projeto Portinari no Rio de Janeiro, que constitui uma experiência única na América Latina, e talvez no mundo, em matéria de pesquisa pictórica e de aplicação da informática às artes plásticas, provoca muito interesse na capital francesa. Passando recentemente por Paris, o filho do pintor, João Cândido Portinari, revelou a personalidade do mundo cultural francês- e à AFP- a existência e as atividades da Fundação Portinari, criada e dirigida por ele há cinco anos e onde trabalham em Íntima comunhão historiadores de arte, museólogos, documentalistas e cientistas.
Ao mesmo tempo, ele traçou, na sede da Unesco, um panorama sobre o método de trabalho da fundação e aspectos essenciais da obra e personalidade do pintor, além de manter diversos contatos a fim de realizar uma série de manifestações obrigadas com o projeto na frança em 1985. O projeto constitui uma experiência piloto no tocante a definição de uma metodologia para o estudo de um artista e indiretamente da época em que viveu, e o uso da informática para o tratamento da informação e conservação das obras plásticas envolvidas, explicou Portinari aos seus interlocutores franceses.
Após longa trajetória como pintor, professor universitário e deputado, Cândido Portinari morreu o começo dos anos 60 e injustamente caiu no esquecimento, após conhecer a glória nas décadas de 40 e 50, no Brasil e no exterior. Prova disto são suas exposições na Europa e no Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (1940), os murais que pintou na Biblioteca do Congresso norte-americano em Washington (1942) e o gigantesco painel sobre a guerra e a paz na sede  das Nações Unidas (1957) em Nova Iorque.
A ideia de inventariar a sua grande produção pictórica surgiu em 1978, quando João Cândido visitou o museu Van Gogh em Amsterdã, Holanda. “Percebi que para os holandeses não se tratava de uma simples exibição harmônica de obras, mas de um verdadeiro testemunho da vida de um país”. Um ano depois, a fundação era criada para redescobri Portinari, e através dele uma época e artistas famosos, como o arquiteto Oscar Niemeyer, o escritor Mário de Andrade e o músico Villa Lobos, verdadeiros pilares da cultura brasileira contemporânea.
João Cândido, filho e responsável pelo projeto
Segundo João Cândido, trata-se de um instrumento a mais para que os brasileiros possam encontrar hoje a sua verdadeira identidade cultural. “Nós também queremos destacar a continuidade com os criadores de hoje. Não se trata de se fazer um passeio, mas de descobrir o passado para explorar o futuro, abrir novos caminhos”, salientou.
Em uma ambiciosa e gigantesca tarefa, João Cândido, matemático e professor universitário, recebeu a ajuda de inúmeros organismos públicos e privados do seu país e do exterior, entre eles a Funarte, Itamaraty, a Fundação Roberto Marinho, a IBM, Kodak e Varig.
Em cinco anos de atividade, a fundação inventariou cerca de 4.100 obras das 4700 atribuídas ao pintor, espalhadas em 17 países do mundo, tão diversos como o Brasil, Finlândia, Israel, França, Itália, Estados Unidos, Uruguai ou Venezuela. Ao mesmo tempo, foram reunidos mais de 15 mil documentos diversos, seis mil cartas da sua correspondência com amigos ou contemporâneos e dezenas de depoimentos de atores ou testemunhas de sua época.
Equipes da fundação estiveram em 12 países para fotografar as obras e entrevista-se com diretores de museus, historiadores de arte, marchands e colecionadores particulares. Uma vez descoberta, reunida e classificada esta imensa massa de informação- primeira etapa do projeto- a fundação pretende divulgá-la e colocá-la ao alcance de pesquisadores e, na medida do possível, do público em geral. Para tanto, criou um banco de dados que poderá ser consultado e que revela a correlação da obra e vida do artista com o contexto social da sua época
Ao mesmo tempo, com a ajuda do Centro de Pesquisas Espaciais de São Paulo e dos técnicos em informática, e com um sofisticado computador, João Cândido conseguiu digitar fotos, (diapositivos) e de quadros do seu pai, respeitando ao máximo as cores e tons, reproduzindo-os numa tela de televisão. Este método, que está sendo aperfeiçoado- é indispensável, já que a maioria das obras de Portinari estão espalhadas pelo mundo. Além disso, permite preservar a obra do pintor, já que a consulta cotidiana das obras acessíveis, terminaria por estragá-las e exigiria também condições de conservações especiais e cartas.
Trata-se de uma experiência única na América Latina, pois une a tradição cultural e a tecnologia mais sofisticada e vem provocando o interesse em inúmeros continentes, concluiu João Cândido, que regressará a Paris em meados de 1985 para estudar com as autoridades francesas a realização de diversas manifestações na França.

A TENTAÇÃO DE SANTO ANTÔNIO, DE MÁRIO CRAVO

A escultura A Tentação de Santo Antônio de autoria de Mário Cravo será recuperada e para isso a Secretaria de Planejamento vai liberar uma verba de CR$ 1 milhão e 800 mil. Será feita a limpeza, patins (pintura) e impermeabilização da escultura que é de propriedade da Seplantec.
A escultura que é um entalhe em raiz de jaqueira, foi esculpida entre os anos de 1953-1954, e encontra-se em área de semi contato com intempéries contudo por estar colocada na parede externa do pequeno auditório da Secretaria de Planejamento no CAB, o que é recuada, não está exposta a ação das chuvas. O trabalho que será realizado pelo autor das chuvas. O trabalho que será realizado pelo autor constará de limpeza por meio de escavação e linchamento da peça, sem provocar desgaste sensível na superfície da forma.
Após a limpeza com jato de ar, um produto protetor será usado na madeira a fim de que uma saturação de superfície proteja o objeto da ação progressiva de destruição pela umidade, agente principal da decomposição da madeira. Por fim será recuperada a pintura original e finalmente será encerrada na sua camada de proteção final. O trabalho será realizado no próprio local para evitar riscos eventuais à peça, será colocado um tapume. Para o início da obra, que está calculado para um prazo de 20 dias, está dependendo da liberação de 50% da verba.

EXPOSIÇÃO ENFOCARÁ A LAGOA DO ABAETÉ

As atividades desenvolvidas até agora pela Comissão de Avaliação Técnica Sobre Abaeté serão apresentadas, amanhã, às 10 horas, no Teatro Miguel Santana, a direção e técnicos  do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia – Ipac , vereadores e representantes de órgãos públicos. Na ocasião, também, haverá o lançamento do cordel Abaeternizar , de autoria de Edmildo Moreno Sobral – O Paraguaio, e a distribuição de cópia do relatório do trabalho da comissão.
 No mesmo dia às 18 horas, vai ser inaugurado no foyer do Teatro Castro Alves a mostra do Experimento Abaeté – Artes Plásticas, realizado nas dunas e lagoas da área em dezembro do ano passado, por diversos artistas.
 Para o dia 6 de fevereiro ,  a partir das 20 horas, a Comissão organizou o programa Abaeté Enluarada, no Abaeté com a participação de repentistas e capoeiristas do Centro de Cultura Popular, ligado ao Ipac, entre outras atrações.
Criada em 15 de agosto de 1984 a  Comissão de Avaliação Técnica Sobre Abaeté é reconhecida pela Universidade Federal da Bahia , Ufba, através da Coordenação Central de Extensão.
Tem o objetivo de reunir os representantes da comunidade, de entidades civis e técnicos de órgãos públicos para analisarem a temática referente ao Parque das Lagoas e Dunas do Abaeté, apontando as diretrizes de ordenamento e assessorando os órgãos públicos pelo gerenciamento da área. A Comissão surgiu com o propósito de conhecer melhor Abaeté, quanto aso seus aspectos científicos, históricos e culturais.