sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

PAINEL DE GENARO ESTÁ SENDO DESTRUÍDO -05 DE AGOSTO DE 1985


JORNAL A TARDE, SALVADOR, 05 DE AGOSTO DE 1985

PAINEL DE GENARO ESTÁ SENDO DESTRUÍDO

Painel de Genaro de Carvalho no prédio da antiga Escola de Comunicação da Ufba. Uma das placas de madeirit já apodreceu e outras estão em péssimo estado de conservação.
Alunos e professores da Escola de Comunicação da Universidade Federal da Bahia estão reclamando contra o estado de abandono em que se encontra um painel do artista plástico Genaro de Carvalho, já falecido, pintado em uma das paredes da sala principal do andar térreo. A obra não apresenta data, mas, segundo antigos funcionários da UFBA., deve ter mais de 20 anos.
Pintado em uma grande lâmina de madeira, que foi afixada à parede, o painel de Genaro, por muitos anos serviu para a contemplação dos leitores que freqüentavam a Biblioteca Central da Universidade e que, até há pouco tempo, funcionou no prédio onde hoje está instalada a Escola de Comunicação. Os estragos, generalizados por todo o trabalho, estão à vistas e têm merecido severas críticas dos observadores, que não se conformam em ver uma obra tão bonita desprestigiada.
Com fundo azul claro e grandes folhas coloridas, o painel precisa ser restaurado imediatamente, antes que seja totalmente danificado. A parte central apresenta-se com manchas, como se estivesse ficado sob uma goteira. No lado esquerdo, na parte baixa, um pedaço da obra foi arrancado e, em seu lugar, colocaram madeira em cor natural, como se fosse uma janela. “Não é possível tanto desleixo”, comentou a estudante Rosana Cardoso, aproveitando para criticar, também, o abandono da própria universidade, cujos prédios encontram-se deteriorados e em péssimo estado de conservação. “Esse painel abandonado é o retrato de toda a UFBA.”, afirmou a estudante.

GALERIA BONINO EXPÕE AS PINTURAS DE AGLAIA

Autêntico, sincero, afetivo e independente. Assim se pode descrever um quadro de Aglaia. À primeira vista a pintura de Aglaia pode parecer naif (ingênua) mas certamente não é primitiva. Por trás de uma abordagem simples por vezes até simplista e simplória, se encontra algo mais complexo e cerebral. O manejo do pincel é feito com conhecimento teórico e prático, a combinação de cores é de grande sabedoria e a simplificação é voluntária. A afirmação é do crítico Marc Berkovitz, ao fazer a apresentação da mostra de telas à óleo, que Aglaia fará na Galeria Bonino, em Copacabana, no Rio de Janeiro, e cuja vernissage será no próximo dia 06 de agosto, funcionando no horário das 10 às 12 horas e das 16 às 22 horas.
O homem em seu habitat.
Eis uma característica forte da obra de Aglaia. Em seus quadros, a figura humana interliga-se com o céu, o sol, a terra, a fauna, a flora, onde a vida gira em torno do elemento humano, da fantasia e da realidade. Este seu estilo simples, ressaltando as figuras humanas e os tipos comuns é explicado por ela mesma como decorrência de seu grande contato com as crianças. Ela trabalhou 15 anos como professora de arte, tendo a oportunidade de desenvolver técnicas de pintura, desenho e escultura.
Criar é uma viagem que se faz a um mundo mágico, diz Aglaia. Pinto quatro ou cinco telas simultaneamente sem perder o fio da meada. A concepção, a forma e as cores vão surgindo normalmente. Acho que temos de ser coerentes e isso eu aprendi com as crianças, que não têm preconceitos e usam em seus desenhos as cores que sentem.
Aglaia foi aluna de Augusto Rodrigues, na Escolinha de Arte do Brasil. Estudou Gravura com Orlando da Silva e Isa Aderne Vieira. Formou-se em Comunicação Visual pela Escola Nacional de Belas Artes, onde também aprendeu técnicas de pintura.
Entre outras exposições coletivas, Aglaia recebeu menção honrosa em 1976, na mostra realizada no Palácio de Cristal, na cidade serrana de Petrópolis. Em 1980, realizou a sua primeira exposição individual, que teve lugar no Caesar Park Hotel, no Rio de Janeiro.A segunda mostra individual foi realizada em 1982, na Galeria Brasiliana, em São Paulo. A terceira, na Galeria Charting, no Rio , em 1983. Agora volta a apresentar seus quadros na Galeria Bonino, situada na Rua Barata Ribeiro 578, em Copacabana, no Rio de Janeiro.

BIENAL ABRE SUAS PORTAS NO DIA 04 DE OUTUBRO

Trata-se do maior evento internacional produzido no Brasil que qualquer campo de atividade. A Bienal de São Paulo é uma das quatro maiores exposições do gênero em todo o mundo, ao lado  da Documenta de Kassel (Alemanha Ocidental) e das bienais de Veneza e de Paris.
Criada em 1951, a Bienal chega à sua 18.ª versão com uma proposta que procura refletir O Homem e a Vida, apresentando o que há de mais significativo na produção plástica contemporânea de artistas brasileiros e estrangeiros, complementada por exposições museográficas sobre a história da modernidade recente. Desta forma, proporciona-se ao grande público e aos artistas e intelectuais, em particular, oportunidade única em toda América Latina de conhecimento e experimentação das questões que compõem arte visuais nos dias de hoje.
A 18.ª Bienal Internacional de São Paulo abrangerá dois núcleos, três exposições-satélites e dezenas de eventos paralelos: a) Núcleo I- Produção Artística Contemporânea, Nacional e internacional. Aqui estão incluídos os trabalhos de artistas como Borofsky (EUA), John Davies (Grã-Bretanha) e Daniel Buren (França), ao lado de brasileiros consagrados internacionalmente, como Leonilson, Guto Lacaz e Daniel Senise; b) Núcleo II- A parte nacional reúne uma visão do Expressionismo, com obras de Portinari, Anita Malfatti e Lasar Segall, entre outros, sendo a produção histórica internacional representada por grandes nomes, como os do colombiano Botero, do cubano Wifredo Lam e do italiano Emílio Vedova;
c) Exposições Satélites -  1) O Turista Aprendiz percorre o caminho de Mário de Andrade pela Amazônia, chegando à Bolívia, revisitado em ensaio fotográfico de Maurrem Bisilliat e completado por uma coleção de máscaras bolivianas. 2) A Criança e o Jovem na Bienal reunirá trabalhos que estudantes da rede oficial de escolas particulares farão no próprio recinto da exposição, uma experiência inédita em eventos de tal significado no Brasil. 3) Sciene Fiction finalmente mostrará obras de 50 artistas estrangeiros, reunindo pinturas, esculturas, holografias, vídeos, desenhos arquitetônicos, ilustrações, som e filmes; d) Eventos Paralelos- Com a participação de artistas plásticos de arte e músicos da Europa, estados Unidos e América Latina, serão realizados simpósios, mesas-redondas, conferências e performances.
Com destaque especial para a música, que terá a participação de John Cage, a programação terá também ventos de dimensão internacional nas áreas de cinema e vídeo.
Quando: a 18.ª Bienal Internacional de São Paulo será inaugurada dia 4 de outubro, às 10 horas, em solenidade presidida pelo presidente da República, José Sarney. Terá a duração de 73 dias, encerrando-se a 15 de dezembro. Nesse período deverá ser visitada por um público estimado em mais de 200.000 pessoas.
Onde: no Pavilhão da Bienal, no Ibirapuera. Os mais de 30.000 metros quadrados do pavilhão serão inteiramente utilizados pela Bienal, que terá ainda eventos paralelos em outros locais, que serão oportunamente divulgados.
Como: a 18.ª Bienal começou a ser organizada em fevereiro de 1984 com a aprovação pela Diretoria Executiva, de projeto elaborado pela Curadoria de Arte e pela Comissão de Arte e cultura da Fundação. Iniciou-se, então, a gigantesca operação que envolve desde contatos permanentes no exterior ao trabalho de uma comissão interdisciplinar de montagem integrada por especialistas das diversas áreas, sob o comando da diretoria Executiva. Para viabilizar um empreendimento de tal dimensão, a Fundação bienal mobiliza todo seu corpo de funcionários, contrata profissionais especializados e ainda conta com a participação de colaboradores ligados a outras instituições culturais.
Por que: uma das inovações da 18.ª Bienal será o seu aspecto didático. Sem prejuízo da qualidade e da sua condição de acontecimento de vanguarda a Bienal deste ano oferecerá ao grande público todas as inovações e facilidades, com o objetivo de tornar mais proveitosa e agradável sua permanência na exposição. As crianças e as adolescentes terão um tratamento diferenciado. Toda a rede de ensino oficial e particular será convidada a levar seus alunos à Bienal, que colocará à disposição monitores habilitados a prestar um atendimento especial.Com isso, procura a Fundação Bienal criar condições para que o acesso do grande público, ao entendimento da arte, seja ao mesmo tempo, um exercício de admiração e de prazer.