sábado, 1 de dezembro de 2012

O ÍNDIO E O COTIDIANO NA OBRA DE WALDEREDO --11 DE JUNHO DE 1984.


JORNAL A TARDE, SALVADOR 11 DE JUNHO DE 1984. 

   O ÍNDIO E O COTIDIANO NA OBRA DE WALDEREDO

Até o dia 30, o artista plástico carioca Walderedo de Oliveira estará expondo 45 de seus trabalhos no Museu de Arte Moderna da Bahia (Solar do Unhão), Walderedo morou seis anos na França, onde se formou na Escola de Belas Artes de Paris e também participou de várias mostras. Nessa exposição, o artista apresenta duas fases de sua produção mais recente. A primeira, aborda as culturas indígenas do Brasil do ponto de vista ecológico. A segunda se caracteriza pela representação do cotidiano, expressado através da pintura, do desenho e da aquarela.
A intimidade de Walderedo com a pintura começou quando tinha 14 anos, e cabeça povoada pelas imagens massificantes da televisão. Na maioria dos trabalhos apresentados. Walderedo utiliza a técnica têmpera de ovo e óleo, mas domina também a aquarela, o pastel, a litografia, o guache e o lápis de cor. “Eu tenho uma visão do índio nessa exposição mais é uma visão pop, porque eu sou colonizado como todo mundo”, afirma.
Walderedo já expôs em diversas capitais européias e no passado ganhou a medalha de prata na New York International Art Expo. Em setembro exporá em Brasília e em seguida, atendendo a um convite da Organização das Nações Unidas, expõe em Nova Iorque.

O ARTISTA FALA DE SEU TRABALHO

Nesse trabalho que está sendo mostrado no MAMB, segundo Walderedo, “começou a ser desenvolvido em 76, quando voltou ao Brasil pela primeira vez, depois de viver alguns anos do exterior. “o que procuro nessa mostra é uma revalorização do universo mítico-fantástico indígena, retomando a recriação símbolos de uma iconografia “brasílies”.
O interesse pela foram plástica é evidente. Seu trabalho é guiado pela intuição sensitiva que “vem equilibrar o lado racional de minha formação na Escola de Belas Artes de Paris”, confessa Walderedo. Em suma, diz que “a emoção sobrepuja o conceito”.
“A cor é um elemento muito forte no meu trabalho, explica tendo surgido numa face inicial que seria enquadrada no estilo pop art”. Mas essa experiência aconteceu no período de 67-70, quando misturava a fotografia com colagens justapondo com o desenho, evoluindo para a afirmação do desenho como único elemento de expressão.
Mais tarde, o artista passou a impregnar seus trabalhos do branco e preto, entrando assim numa fase surrealista, utilizando a técnica do bico-de-pena, por volta de 70 a 74. Foi nesta época que ele realizou sua primeira exposição. Na verdade, foram esses mesmos índios, que agora estão representados na atual exposição, que permitiram a Walderedo o retorno a cor aos seus trabalhos.
Começou pela aquarela até chegar na pintura, na qual, a cor se afirmou como elemento de grande importância.
Detalhe da tela Contrastes

                    TEMAS
“A temática do índio continua sendo levada adiante, mas paralelamente, em diversos momentos tive minha intenção despertada para outras fontes de inspiração”, conta Walderedo de Oliveira. Por isso alguns de seus trabalhos refletem o período que passou no Marrocos e mais recentemente na Grécia e Creta. A “fauna urbana”, os punks, o new wave, entre outros temas têm influenciado o trabalho, conforme narra o artista.
“Mas essa seria mais uma pintura intimista, na medida em que meu cotidiano é dividido com o espectador”, diz Walderedo. Na verdade, esse carioca de apenas 28 anos quer “transmitir uma visão fantástica da realidade ou sensibilizar as pessoas no fantástico que é a realidade”. Assim da escrita psicográfica do surrealismo evolui para um modo de trabalhar mais seguro, no qual, todavia, o prazer sensitivo de pintar uma forma plástica o impulsiona subitamente a uma nova direção.



            TARCÍSIO EXPÕE ATÉ DIA 30 NO SOLAR FERRÃO

Afro-Brasil II, primeira exposição do artista plástico pernambucano Tarcísio, em Salvador, está aberta ao público até o dia 30 de junho, na Galeria Solar Ferrão, numa promoção do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC). A abertura da  mostra coincidiu com a inauguração do acervo permanente da galeria, formado com doações dos artistas que já fizeram exposições nesse espaço.
Natural de Pernambuco, Tarcísio José da Silva tem 24 anos atualmente reside em Barra Grande, na Ilha de Itaparica. Seus trabalhos foram vistos pela primeira vez na Bahia, em Juazeiro, ao expor, no ano passado, no Museu Regional do São Francisco. Autodidata, dedica-se à pintura a óleo e aquarela, predomina a figura do negro nas telas que está mostrando na exposição da Galeria Solar Ferrão. Na opinião do poeta juazeirense Raymundo Júnior, o trabalho de Tarcísio revela “traços profundos de uma grande convicção filosófica e artística, onde sobressai a maturidade”.
Membro efetivo da Associação dos Artistas Plásticos Profissionais de Pernambuco, ele tem trabalhos nos acervos do Governo do Estado do Pará, na Fundação de Cultura da Cidade do Recife, Museu do Sertão e Museu Regional do São Francisco.
Aos 14 anos, Tarcísio começava a se envolver com a atividade artística e, no momento, vive exclusivamente dela.
Ele fez muitas exposições coletivas e individuais em vários locais. Em 1976, pela primeira vez, mostrava ao público a sua obra por ocasião do Salão Expo-Art, em Petrolina, Pernambuco. Depois, participou de muitas outras mostras, entre a coletiva na Art creators Galery, em Port-of-Spain, Trinidad/Tobago e outra na Fine Art Gallery, Bridgetown, Barbados, em 1982. No Brasil, fez uma mostra individual no Teatro Amazonas, em Manaus, no ano passado, e, este ano, apresentou “Noturno” em Caxias do Sul e Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, mostra aliás, que terá alguns dos trabalhos fazendo parte também da exposição do artista na Galeria Solar Ferrão.
A Galeria Solar Ferrão dispõe agora de um espaço maior que está ocupado, a partir desta mostra de Tarcísio, com exposições permanentes e temporárias. Além disso, está funcionando diariamente, inclusive nos fins de semana. Situada na Rua Gregório de Mattos, número 45, Pelourinho, a galeria está aberta de segunda a sexta-feira, das 9 às 12 horas e das 14 às 17 horas. Aos sábados e domingos, porém, as visitas poderão ser feitas somente das 14 às 17 horas.

     POVOS DO CEDRO NO TEATRO CASTRO ALVES

Arte indígena, Canadense e Brasileira, é o tema da exposição que está no foyer do Teatro Castro Alves, TCA, até o dia 24 de junho, das 14 às 19h. O evento é uma promoção da embaixada Canadense e da Funai, e conta com o apoio da Fundação Cultural do Estado da Bahia.
Os dois tipos de arte índia são mostrados distintamente. O Canadá apresenta a cultura dos povos do Cedro, índios canadenses da costa noroeste do Oceano Pacífico. Esse povo, pela abundância de cedro nas regiões que habitavam, usaram esta madeira para as mais diversas necessidades: confecção de casas, meios de transporte, artefatos de cozinha e vestimentas.
O Brasil por sua vez, mostra toda a riqueza e diversidade das diferentes tribos e culturas indígenas. Os 220 mil índios que atualmente vivem no país dividem em tipos físicos diversos e possuem características sócio-culturais diferenciadas. Atividades comuns entre os Tukanos, habitantes da Bacia do Rio Negro, podem até serem desconhecidas pelos Xokeng, de Santa Catarina.
A exposição percorre nove estados brasileiros. É uma oportunidade para conhecer um pouco da cultura indígena nacional, assim como a dos Povos do Cedro.

ENCONTRO NO SESC DE TÉCNICOS EM ARTES PLÁSTICAS

Foi realizado na Colônia de Férias Deraldo Motta, em Piatã, o Encontro de Técnicos em Artes Plásticas do Serviço Social do Comércio - Sesc, e que contou com a participação de representantes dos departamentos regionais da Paraíba, Espírito Santo, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, São Paulo e Bahia, e também a presença de órgãos da comunidade tais como Núcleo Experimental de Atividades Sócio-Culturais, Colégio Severino Vieira e Instituto do Patrimônio Histórico.
O encontro teve como finalidade a troca de idéias e sugestões que contribuirão positivamente no preparo de técnicas e sugestões que atuam na área das artes plásticas, numa linha prática, respeitando a individualidade de cada participante. Foi tratada, também, no encontro, a contribuição das artes plásticas no setor educacional, não apenas no desempenho do trabalho em si mesmo, mas também na transmissão dessa experiência, por certo, aproveitável dentro do contexto educacional em qualquer região do país.