sábado, 15 de dezembro de 2012

O FASCÍNIO DO TRANÇADO BRASILEIRO ESTÁ NO MAM - 09 DE SETEMBRO DE 1985


JORNAL A TARDE , SALVADOR, 09 DE SETEMBRO DE 1985

O FASCÍNIO DO TRANÇADO BRASILEIRO ESTÁ NO MAM

O trançado brasileiro fascina. Belo e instigante os objetos deixam os turistas eufóricos e são comuns exclamações de alegria diante de um objeto feito pelas mãos hábeis de anônimos artesãos deste Brasil afora. Mãos que tecem, que colorem, que cortam as fibras para confeccionar os objetos e que realizam uma verdadeira dança mística e primitiva. Eles são utilitários ou mesmo decorativos, mas sua função primordial quase sempre é transformarem-se em utensílios domésticos nos lares simples do interior. Às vezes são enaltecidos e tornam-se objetos de arte, quando algum colecionador ou crítico encontram em suas formas, os elementos capazes de elevá-lo a este patamar. Quando não, permanecem como expressão do homem simples na escala de artesanato.
Agora para satisfação nossa a Rhodia nos traz uma exposição onde o trançado brasileiro é enaltecido como um elemento significativo da cultura popular.
“O trançado é constante nos atos da vida. Ele é a rede que eleva o homem do solo para o seu espaço de sonho e sono. O trançado é a esteira na qual o homem senta-se e na qual dorme em estreito contato com a terra. É a corda que une as partes, a cesta que contém os tesouros e os produtos da terra”.
Tradicional patrocinadora da publicação de livros de arte brasileira, a empresa, que comemora este ano, seus 65 anos de atividade empresarial, decidiu promover também exposições de objetos de valor estético e cultural, ampliando desse modo o número de pessoas beneficiadas por sua política de incentivo à arte brasileira.
Até novembro, cerca de 600 peças representativas de trançado brasileiro estão sendo expostas durante 15 dias em São José dos Campos (SP), Porto Alegre (RS), Campinas (SP), Rio de Janeiro (RJ), Santo André (SP), Salvador (BA), Cubatão (SP), Recife (PE), São Paulo e Brasília, em mostras organizadas com a supervisão de Alice Lunardelli, pesquisadora e promotora de cultura popular, e Paulo Figueiredo, galerista.
Abertas ao público de cada cidade durante duas semanas, as exposições são visitadas também por milhares de crianças das escolas locais, que, além de poderem conhecer grande quantidade de objetos trançados de desenhos, padrões e cores, recebem ainda explicações e informações dadas por monitoras, com auxílio de painéis fotográficos e didáticos, que mostram todo o processo de elaboração do trançado.
“Todos os povos conhecidos- explica o crítico Jacob Klintowitz, autor do livro “Trançado Brasileiro”, que será publicado sob os auspícios da Rhodia- tiveram algum tipo de transado. A trama, o nó, o ligamento e o dilaceramento, o vazio entre a trama esteve e está presente em todas as civilizações. Para o ser humano, a existência do trançado reveste-se de ancestrais significações. É certo que a idéia do trançado está vinculada à utilidade das coisas cotidianas e tem constância diária. Mas o trançado, além disso, possui significações simbólicas extremamente ricas e variadas”. A partir do dia 13 no MAM.

OS GIRASSÓIS CHEGARAM PARA COLORIR A BAHIA

A artista baiana  Dionéa e uma tela com girassol
Os girassóis vieram de Sergipe para dar mais vida a Primavera que se aproxima e com eles a flora exuberante deste País de contrastes.Quem os trouxe foi Dionéa, uma baiana residente em Aracaju que sensibiliza com a poesia de Thiago de Melo resolveu pôr em prática o “decreto” do poeta: “Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão/direito a abrir-se dentro da sombra;/ e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,/ abertas para o verde onde cresce a esperança”.Este terceiro artigo do Estatuto do Homem, de Thiago reflete exatamente o clima da obra de Dionéa, uma artista que vem participando de salões e dos festivais de Arte organizados em Sergipe, especialmente na Cidade de São Cristovão.
Os girassóis exercem realmente um fascínio pela exuberância de sua forma, o tamanho, e o colorido de suas pétalas. Gira acompanhando o rei dos astros, e em torno desta magia é que a artista retira o essencial de sua arte. Girassóis que parecem desejar abandonar as telas, ou que querem andar por este mundo afora multiplicando-se para fazer cumprir de qualquer forma o decreto do poeta. Hajam girassóis para amolecer os corações insólitos, os corações solitários e também os corações embrutecidos pelos embates da existência. Que hajam girassóis grandes e belos para enfeitar os corações que amam, os corações que são solidários com os mais fracos que assim possam vencer àqueles que estão cheios d maldade. É hora de povoar este mundo de girassóis. É hora de dar espaço a Dionéa para que ela plante seus girassóis que tem a grande vantagem de não murcharem. Eles ficam eternamente acompanhando o movimento do sol e mesmo durante a noite continuam abertos espalhando a densidade de suas cores.
Ela tem encontrado em Sergipe o local ideal para desenvolver o seu trabalho, e declarou que a Fundação Cultural daquele estado, tem dado uma contribuição muito significativa aos artistas locais.
Os trabalhos de Dionéa estão expostos na Época Galeria de Arte, até o dia 15.

JADER RESENDE EXPONDO AQUARELAS NA ART GALERY


Jader Resende é um batalhador. Um artista dedicado e disposto a acertar. Conheço o seu trabalho e venho acompanhando a sua luta, muitas vezes até incompreendida pelos mais apresados. Com isto ele fica em determinados momentos inconformado e ganha forças para ir adiante. Seu objetivo será alcançado, e agora, para minha alegria, vejo uma exposição individual de aquarelas deste artista. É um observador nato e dá prova disto ele mesmo escrevendo no catálogo da mostra: “Vando,Trimano e Elifas Andreatto, fazendo as ilustrações de capa do Pasquim em 73, que a idéia de uma arte para o povo me encheu a cabeça, passei a riscar papéis sempre pensando em fazer capas de discos, de livros, etc... Passei a sentir que a arte estava também na escolha das letras para um título ou texto, nas fotos e desenhos de uma revista, na diagramação de jornais ou mesmo na simples placa de uma loja anunciando uma liquidação, ou seja, o mundo gráfico penetrou em mim. Fez com que me dedicasse á fotografia e à propaganda, sonhando com um trabalho meu, distribuído por todo o país”.
Ele trabalhou alguns anos na propaganda e conseguiu manter um laboratório fotográfico, onde reproduzia seus trabalhos. “Nesta minha exposição tenho dar início a fase final da decomposição dos objetos.
Reduzo o tema a tal ponto de não haver qualquer ação dramática ou literária. Tento dar uma visão de vários ângulos interligando e desarrumando os planos, procurando não deixar um ponto fixo. “Realmente, Jader nos apresenta aquarelas onde os planos e os objetos estão muito bem situados e no despojamento do desenho com linhas retas e curvas, ele consegue uma atmosfera lírica, o que é um pouco difícil.
Na simplificação das formas, nas transparências compõe o seu mundo pictórico nos levando a uma leitura cadenciada de cada objeto, que compõe suas telas. As tonalidades utilizadas estão de acordo com a temática e com toda a composição, o que enriquece mais ainda o seu trabalho.