terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A ARTE TÊXTIL DE MARIA CELESTE EXPOSTA NO MAB - 20 DE AGOSTO DE 1984


JORNAL A TARDE SALVADOR 20 DE AGOSTO DE 1984

A ARTE TÊXTIL DE MARIA CELESTE EXPOSTA NO MAB

 Celeste tendo ao fundo uma flor da restinga
O homem sempre tingiu suas vestes e nelas introduziu seu traço simbolizando a natureza ou entidades de seu mundo místico. Através dos tempos esta postura se desenvolveu até a era industrial, quando as máquinas foram encarregadas de multiplicar o seu traço, a sua criatividade. Com explosão da indústria têxtil, os artesãos foram afastados e os artistas recolhidos a seus ateliers. Porém, nos últimos anos, pela vontade ou o desejo da exclusividade, têm chegado a alguns artistas solicitações para realização de alguns trabalhos, algumas pinturas em vestes.
E esta tendência vem acentuando-se, a cada dia, a ponto de recentemente um grande costureiro internacional ter lançado uma coleção, em Paris, onde todos os vestidos foram pintados por artistas de renome.
Aqui na Bahia existem também pessoas interessadas deste setor e uma delas é Maria Celeste Almeida, artista plástica e professora da Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia, baiana, que vem se dedicando a arte têxtil há muitos anos no exterior. Retornando a Salvador ela apresentou uma coleção de 30 batiks, no Museu de Arte Moderna da Bahia.
Embora domine outras técnicas, como a cerâmica, escultura, pintura e design , a sua maior atenção, no momento, e voltada para a arte têxtil. Ela reúne nesta técnica o desenho e aquarela sempre fugindo de uma estamparia padronizada para fins industriais, porque o que busca é que suas peças sejam únicas e exclusivas, além, é claro, de serem artísticas.

SUA TEMÁTICA

Celeste é uma apaixonada pela flora. Especialmente por nossa flora tropical e da restinga. Com formas que às vezes chegam próximas do abstracionismo, até outras mais realistas, ela vai construindo o seu mundo pictórico.
O desenho é uma presença constante com linhas que se casam, soltas ou energéticas aplicadas aos tecidos através do método milenar do batik, onde entra a cera e os instrumentos primitivos javaneses. Como uma colorista de mão-cheia, Maria Celeste emprega a cor com muita simplicidade, conseguindo excepcionais combinações e grande harmonia cromática. Os seus tecidos possuem um design contemporâneo, criativo e artístico.
A arte têxtil de Maria Celeste mostra todo o amadurecimento artístico através de uma técnica de nível, conquistada pelos muitos anos de estudo e prática adicionadas às diversas viagens de pesquisas que fez ao México, países da América Central e do Sul.
Com várias exposições individuais e coletiva no exterior e aqui no Brasil, seus trabalhos são muito bem aceitos por profissionais de arte americanos, os quais os descrevem como “uma explosão de formas e cores vibrantes, que bem representam toda magia e erotismo da arte dos trópicos”.
A artista captou a exuberância da flor do maracujá

QUEM É

Maria Celeste Almeida nascia em Salvador, Bahia, em 1948, onde atualmente vive e trabalha.Forma-se pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia em 1971.Em 1973 viaja para Colorado (USA) onde faz curso de Mestrado em Arte/Studio, especializando-se em Cerâmica/Escultura, “Design” e Gravura/Estamparia. Ganha 1.º Prêmio no Salão Universitário do Estado do Colorado com peças de porcelana em 1974. participa de vários salões americanos de arte, coletivas e realiza sua 1.º individual/Tese em 1974.
Entre 1975/76 faz viagem de pesquisa ao México e vários países da América Central e do Sul, onde estuda a arte de cada um deles. Visita o Brasil.Em 1976 retorna ao Colorado (USA). Ensina arte em escola públicas e particulares. Participa de seminários, festival de arte e individuais em vários estados dos Estados Unidos.Parte do ano de 1979 passa em Nova Iorque onde visita museus, galerias e artistas locais. Retorna ao Brasil onde fixa residência.
1980/84- professora da Escola de Belas Artes da Universidade Federal da Bahia. É citada no livro “Arte da Cerâmica no Brasil”, de Pietro M. Bardi-1980. Em 1981-individual de Arte Têxtil (batik) e Cerâmica no Museu de Arte Moderna da Bahia. Participa de várias coletivas (Brasil e USA). Faz parte do Mural Coletivo de Biblioteca Central da Universidade Federal da Bahia. Com citação no livro “Arte Baiana. Hoje”-1983 Individual de Arte Têxtil (batik) Museu de Arte da Bahia-1984

   COSTA LIMA RETRATA OS TRENS DA SUA INFÂNCIA

Costa Lima com telas de seus trens Maria Fumaça
Um artista que começou pelos planos médios, para, finalmente, chegar aos closes. Talvez essa seja uma boa descrição para o artista plástico Costa Lima, que na própria quinta-feira, ás 21 horas, expõe na Art Boulevard Galeria uma série de 25 pinturas sobre os trens de sua infância. No início da carreira, Costa Lima retratou Alagados, depois passou para os casarios e em uma última fase dedicou-se aos interiores.
Para comemorar seus 10 anos de pintura, Costa Lima apresenta ao público um trabalho que é fruto de sua mais antiga paixão: os trens é uma aberração. O exemplo dos países ricos deveria servir de alerta”, lembra o artista. Mas, enquanto lamenta a destruição da malha ferroviária brasileira, vai transformando e combinando as tintas em paisagens por onde deslizam marias-fumaça pertencentes á memória do artista.
“A minha intenção é que as pessoas vendo esse material se identifiquem”, diz Costa Lima, animado com a possibilidade de sensibilizar as pessoas ao mostrar momentos desse meio de transporte, que já provou grande parte do território brasileiro. “A depender da reação das pessoas, minha ideia é fazer, no futuro, uma exposição que parecesse uma viagem de trem”, diz o pintor. Sempre as mantendo na técnica do acrílico sobre tela e conservando o estilo “meio impressionista”, Costa Lima pretende fazer uma corrida através de uma exposição de quadros que mostre os pontos principais das cidades, as igrejas, as estações e toda a infra-estrutura que os trens criavam a sua vida.

   PEDRO LOBIANCO EXPÕE EM SALVADOR DIA 24



No próximo dia 24 será aberta a exposição do artista Pedro Lobianco, no escritório de Leilões da Bahia que fica no Salvador Praia Hotel. Este artista tornou-se conhecido em todo o país através dos seus desenhos e gravuras, e depois revelou-se também um bom pintor. Aqui ele mostrará suas pinturas mais recentes.
Poucos sabem que Lobianco morou em Salvador, e a convite de Juarez Paraíso esteve por algum tempo na Escola de Belas Artes ministrando aulas de desenho. Fez cartoom no extinto Correio da Manhã e capaz de discos. Mas, certamente são as figuras infantis, como esta da foto, que enchem suas telas de ternura, além das paisagens que lembram sonhos.