quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

PREVISÕES VISUAIS PARA 1986 - 30 DE SETEMBRO DE 1985.


JORNAL A TARDE,SALVADOR, 30 DE SETEMBRO DE 1985.

     PREVISÕES VISUAIS DE PAULO SERRA PARA 1986
A Nova República prepara velhos
botes contra o povo

O cartunista Paulo Serra á alguns anos que envia com exclusividade para esta coluna as suas “previsões”. Uma mistura de humor com a realidade que nos assalta os bolsos, a paciência e nos causa momentos de desespero, principalmente quando a gente de depara com pacotes inconsequentes e combates a inflação sem efeito ou com efeitos negativos.
Mas, um novo ano vai começar e a tempo de abrir os braços, os espíritos, para receber os novos tombos, alegrias e as tristezas que vão e vem como serpentinas que se espalham por toda parte. Pedaços aqui, pedaços acolá e lá vai o ano deixando em nossos rostos os viços do tempo e nas consciências, resíduos de situações vividas.
O ano de 85 está findando. Foi excelente para as artes plásticas baianas. Tivemos aqui grandes exposições e realmente me sinto realizado porque nenhuma delas foi tão significativa como Geração 70. Nenhuma provocou tanta divulgação nos veículos de comunicação e até ressuscitou por alguns instantes uma pretensa associação que não funciona.Mas, esta é outra conversa que pretendo tratar numa coluna que farei sobre as principais exposições e eventos ocorridos em 1985. É só aguardar.
Quanto aos cartuns do Paulo Serra devem ser lidos com espírito de Ano Novo e meditados á procura de um sentido maior.
















A dívida externa rolará em 86 sobre nós                       Constituinte ouvirá a todos menos o povão


Gasolina,luz, água, telefone e a carne aumentarão a miséria do brasileiro. O pé-de-meia está furado e a poupança engana os pequenos
Prepare seu coração que a Seleção Canarinho vai dar vexame. É hora de ver o rabo do cometa Halley e esquecer os da Nova República


A pomba ainda não pode pousar nesta bola de conflitos. Esperamos que 86 seja o ano Ó.











          COLEÇÃO CHEGA AO SEXTO VOLUME

A MWM Motores Diesel Ltda, e sua coligada Indústria Freios Knorr Ltda., ambas dirigidas por Arnold Guenther, atingem, neste Natal de 1985, uma meta raras vezes conseguida na história de nossa cultura: chegam ao sexto volume de uma coleção de livros de arte. O lançamento do volume sobre Ademir Martins, já anunciado desde o ano passado, só vem confirmar a importância desta coleção.
E a cultura nacional deve agradecer este interesse em resguardar a memória nacional a dois homens: um deles, Arnold Guenther, o diretor das empresas que promovem a edição dos livros; o outro, o editor dos mesmos, o artista baiano Emanoel Araújo. Os dois e mais a esposa de Guenther, a baiana Marita, são responsáveis pela idéia da coleção e pelo sucesso da edição da coleção e pelo sucesso da edição de cada um dos volumes.
Quem conta é o próprio Araújo: “Sou muito amigo de Marita e Arnold. Há muitos anos. E uma vez sugeri a eles que deveriam difundir cultura com seus brindes de fim de ano. Daí surgiu a idéia da coleção de livros de arte.
Ficou então combinado que a coleção seria sempre sobre artes plásticas e que cada volume colocaria em evidência a obra de uma artista que nunca tivesse sido devidamente publicado.“Além disso, a coleção alternaria a obra de um artista vivo com a de um já falecido”.