sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

MURILO E BEL EXPONDO NA GALERIA MÚLTIPLUS - 02 DE SETEMBRO DE 1985.


JORNAL A TARDE, SALVADOR, SEGUNDA-FEIRA, 02 DE SETEMBRO DE 1985.


MURILO E BEL EXPONDO NA GALERIA MÚLTIPLUS

Obras de Murilo e Bel Borba , apresentam imagens contemporâneas
Mais uma vez despontam numa seleção artistas que integram a Geração 70. Numa escolha feita por uma empresa paulista de assessoria para implantação de um programa cultural da Metanor e Copenor (instaladas no Pólo Petroquímico de Camaçari) os artistas escolhidos foram: Bel Borba, Zivé Giudice, Murilo, Chico Diabo e Justino Marinho, portanto cinco integrantes da Geração 70 e mais César Romero e Anísio Dantas, que também são artistas de qualidade e que podem figurar em qualquer seleção que se faça da arte baiana.
A proposta da Geração 70 é que fosse feita uma segunda mostra da qual deveriam participar outros artistas e certamente estes dois estariam incluídos. Mas, esta é outra conversa que deve ser levada adiante por outras pessoas ligadas à Fundação Cultural. O que desejo demonstrar é que estes artistas que escolhi para Geração 70 ganham seus espaços. Agora mesmo eles estão preparando um grande painel que será instalado num órgão do governo estadual. Portanto, eles começam efetivamente a ocupar seus espaços a que têm direito pelo conjunto de suas obras desenvolvidas no decorrer dos anos.
As obras de cada um deles foram apresentadas aos diretores das empresas e inicialmente optaram pela obra de Murilo, cujo tema deverá versar sobre o Pólo Petroquímico. Seus trabalhos serão produzidos e distribuídos a nível nacional.
Por outro lado, uma exposição reúne trabalhos de Bel Borba e Murilo. Eles estão na Galeria Múltiplus até o dia 9 do corrente mês mostrando trabalhos contemporâneos e fortes que tratam do mundo atual, do cotidiano, da metrópole. Enfim, uma linguagem plástica inserida na atualidade, tanto nas formas como na maneira de compor.
Bel como que apresenta através de fotogramas fatos e imagens efervescentes, luminosos. Ele procura um diálogo com seu publico na medida em que as pessoas começam a tentar decifrar ou decodificar as cenas, muitas vezes deslocadas que apresenta profissionalmente.
Diz ele que nesta sua nova exposição deu um “zoom” ou seja aproximou o mais que pôde, transpôs as grades e ganhou cor, tudo isto com a liberdade de ação que é uma característica fundamental de sua obra.
Confessa, inclusive e reconhece que os trabalhos são menos virtuosos, mais livres, procurando compor cenas que reportem a atmosfera no universo do homem contemporâneo.
Vejo o Bel Borba como um artista que contempla a chegada de um novo milênio, mas sem aquela preocupação estereotipada do fim do mundo. Ele espera que no novo milênio os homens sejam mais livres e portanto mais felizes.
É um consumidor aflito de videoclips musicais. E, no pequeno que inseriu no cartaz desta sua exposição ele chama a atenção que o texto se autodestruirá em 10 segundos. “Uma medida de segurança para evitar que você, caro leitor, pretenda compreendê-lo demais”.
Murilo é mais calmo, um pouco intimista e observador atento do cotidiano. Vivência seus personagens e através de suas preocupações vivenciais vai construindo o seu mundo pictórico. Diria até que existe uma identidade na intenção de Murilo e na de Bel Borba. Embora diferentes na forma, no fundo os trabalhos têm uma ligação e as preocupações são semelhantes. A forma de leitura e apresentação é que diferem, talvez até como fruto do próprio ser, da própria individualidade “pinto a minha vida, o meu tempo, os lugares onde vivo. Não canso de repetir que me proponho a ser contador de histórias, as que participo, assisto ou a mim são contadas. Não consigo distanciar os trabalhos dos lugares, das pessoas que encontro nas ruas, nas filas, nas praias, no interior do País”.
Já o Bel Borba projeta-se para o futuro preocupado com o segundo milênio e com a inquietação tão bem explorados pelos vídeoclips da tevê. Mas, Bel também trata deste mundo que corre nas linhas dos metrôs, nos neons que enfeitam as noites das metrópoles, nos alambrados que nos proíbem o acesso aqui e ali.
E, Murilo diz: “ Bel Borba, companheiro por muitos caminhos, a minha alegria por trilharmos mais um”. Espero que os dois e os demais, trilhem muitos caminhos juntos em prol da arte baiana.

   AS PAISAGENS LUMINOSAS DE WELFARE PIERINI

Ele chegou trazendo embaixo do braço um rolo de tecido escuro.Os cabelos brancos e desalinhados, bem vestido esportivamente e tranqüilo. Foi logo dizendo que viera à minha procura para mostrar o seu trabalho. “Sou mineiro de Alfenas, meu nome é Welfare Pierini e trabalho há 28 anos. Descobri uma técnica de pintura sobre veludo, que venho desenvolvendo e melhorando a cada dia.”
Confesso que a princípio seus trabalhos me deram aquela sensação de objetos Kitsch que são comercializadas nas feiras livres ou mesmo por vendedores que batem nas portas dos apartamentos oferecendo bugigangas a donas-de-casa não muito informadas. Mas prestei a atenção a tudo que dizia, e a medida que me informava de como trabalhava, seus argumentos contra o preconceito pelo uso do tecido como suporte de arte fui me refazendo daquela ideia original.
Realmente os trabalhos feitos por Welfare Pierini nos causam um impacto imediato. Ele não usa sombra. O fundo é preto, pois utiliza o próprio veludo preto e pinta com cones, semelhantes àqueles que são usados nos pirulitos.
Ele enche os cones de tinta e vai ziguezagueando conseguindo grandes efeitos com as cores e a luz. Geralmente sua maior produção é de paisagens, porque tem uma melhor receptividade de público. Porém, como tem boa formação acadêmica, pois estudou anatomia na Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro, ele também pinta figura humana.
Tem consciência do preconceito pelo uso do veículo como suporte, e responde “acho que este preconceito é semelhante àquele que existia nos conservatórios com relação ao violão, que consideravam um instrumento menor. Mas uso o veículo porque é mais durável e me dá melhores resultados técnicos, mas também uso a tela comum”.Agora ele está apresentando seus trabalhos na Rua Luiz Anselmo, 127, no Matatu.

 SALÃO UNIVERSITÁRIO EM FEIRA DE SANTANA

O Departamento de Letras e Artes da Universidade Estadual de Feira de Santana estará promovendo de 8 a9 de outubro durante a V Jornada Universitária da Bahia que tem como objetivo difundir, debater e expandir as artes plásticas baianas. As inscrições serão efetivadas a partir de hoje até o dia 9 de setembro, às 17 horas, no campus da Universidade de Feira. São responsáveis pelos eventos- Maria Zélia Freitas Martins, Gil Mário e Lígia Eugênia Motta.
Eis o regulamento;
DA INSCRIÇÃO:
Poderão candidatar-se alunos matriculados no semestre em curso de quaisquer das universidades do Estado da Bahia; Esta mostra compreenderá as secções de Pintura de Cavalete, Escultura, Gravura e Desenho, ficando excluídas as manifestações que fogem às classificações acima mencionadas como Performance, Elementos Sonoros , Ambientação etc; cada artista poderá apresentar no máximo 03(três) trabalhos; Cada trabalho, no seu verso, deverá ter afixado um cartão contendo dado de identificação: nome do autor, título da obra e preço (se o mesmo estiver á venda). A inscrição na Exposição implica a aceitação pelo candidato das normas do presente Regulamento; As inscrições acompanhadas dos trabalhos dos artistas deverão ser entregues no Departamento de Leras e Ates da UEFS do dia 12 de agosto até as 17 horas do dia 09 de setembro de 1985 e as inscrições também poderão ser efetuadas na Unidade de ensino local desde que a empresa comprometa-se a entregar os trabalhos no referido Departamento da UEFS.

DA COMISSÃO JULGADORA:
A comissão julgadora será constituída por cinco ou seis membros entre eles um representante da UEFS.

DOS PRÊMIOS:
Os prêmios serão doados por firmas e entidades particulares ou governamentais da nossa comunidade.
Terão as seguintes características.
a)      Prêmio aquisição- SUPERMERCADOS GLOBO- CR$ 1.000.000
b)      GRUPO DÁRIO MASCARENHAS- CR$250.000
c)      GRUPO DÁRIO MASCARENHAS-250.000