quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

MACUNAÍMA RECEBE AS INSCRIÇÕES PARA 1985 - 06 DE AGOSTO DE 1984


JORNAL A TARDE, SALVADOR ,06 DE AGOSTO DE 1984.

MACUNAÍMA RECEBE AS INSCRIÇÕES PARA 1985

A Fundação de Arte Nacional de Arte Funarte, através de seu Instituto nacional de Artes Plásticas-INAP, abriu as inscrições para artistas que queiram expor os seus trabalhos durante o ano de 1985, na Galeria Macunaíma, até 30 de setembro de 1984, impreterivelmente, na sede da Funarte, Rua Araújo, Porto Alegre, 80- sala 15, Rio de Janeiro-RJ.
Será formada uma comissão de seleção pelo Instituto Nacional de Artes Plásticas, para a escolha das propostas, programando-as para o ano de 1985. Esta se reserva o direito de contrapropor coletivas e datas, ouvindo sempre os artistas.
Os candidatos poderão inscrever-se nas categorias: pintura, escultura, desenho, gravura, objeto, tapeçaria e cerâmica, excetuando-se a fotografia e o artesanato; qualquer assunto referente a fotografia deve ser dirigido ai Instituto Nacional da Fotografia da Funarte; quanto ao artesanato, as informações serão prestadas pelo Instituto do Folclore (Rua do Catete, 179) e caberá a comissão de seleção, decidir quando os trabalhos se integram nas áreas de artes plásticas ou artesanato.
Poderão inscrever-se artistas novos, de qualquer parte do País, mesmo que não tenham realizado nenhuma exposição anterior; a inscrição será feita, mediante o envio pelo artista de: carta, dirigida ao diretor do INAP, solicitando a inscrição e contendo a indicação da época de preferência do artista para a exposição; pequeno texto explicativo da(s) obra(s) a ser(em) exposta(s); número de obras a serem expostas. Dados curriculares e fotos ou slides dos trabalhos, no mínimo 5(cinco) no tamanho 18x24; dados no verso de cada foto, especificando: técnica, tamanho e ano em que foi realizada a obra. O material acima especificado deverá ser entregue em um envelope contendo no verso nome e endereço do artista para facilitar posterior devolução pelo Correio.
Aos artistas selecionados caberão as seguintes obrigações: assinar uma carta compromisso com a Funarte. Entregar o material destinado á divulgação e preparação dos catálogos no prazo de 60(sessenta) dias anteriores á realização da exposição; pagar as despesas de molduras, transportes embalagem, ou equipamentos especiais que não constem do material existente na Funarte; o coquetel do “vernissage” fica por conta do artista expositor.
No caso de ser apresentada proposta de trabalho que, pela própria conceituação, não possa ser comercializada, poderá o artista (ou grupo) fazer solicitação de ajuda de custo, no ato da inscrição, mediante orçamento apresentado. Correção ás expensas da Funarte: convite, remessa postal, catálogos, divulgação e montagem e desmontagem de exposição.
Os artistas selecionados se comprometem a entregar à Funarte os trabalhos a serem expostos em perfeito estado e com antecedência mínima de 10 (dez) dias úteis antes da inauguração da exposição.
A Funarte se compromete ao entregar ao artista, com a antecedência que lhe possa ser útil, a planta baixa da Galeria Macunaíma (a Galeria Macunaíma possui um total de 21,86 metros lineares utilizáveis para a exposição).
É de responsabilidade da Funarte a entrega, no Rio de Janeiro, do material exposto, nas mesmas condições do recebimento ou a devolução com frete a pagar quando as obras foram de artistas residentes em outros estados e os casos omissos serão resolvidos pela comissão interna do INAP.

ARTISTAS CEARENSES ATÉ DIA 21 NO DESENBANCO
Foto tirada na abertura da exposição dos cearenses.Vemos de frente
 o então Diretor  do Desenbanco e de A Tarde, dr. Cruz Rios

A exposição Artistas do Ceará está aberta ao público, no Salão de Exposições Temporárias do Desenbanco, das 9 às 18 horas, até o próximo dia 21 de agosto. A mostra, organizada pela Fundação Edson Queiroz, veio a Salvador, num intercâmbio com o Núcleo de Artes, que levou para Fortaleza, no início de julho, a exposição Artistas da Bahia.
Só a título de ilustração. Rosto de Zenon
Barreto feito pelo seu colega Estrigas.
Acompanhando a mostra, Terezinha Barreto, chefe da Divisão Sócio-Cultural da Universidade de Fortaleza da Fundação Edson Queiroz, que revelou ser esta a meta do seu trabalho. A seleção dos artistas que inclui a nata dos artistas tanto já renomados e consagrados, como mais jovens, é sempre feita a partir da exposição UNIFOR plástica que é realizada no mês de novembro e inteiramente aberta aos que fazem arte no Ceará.

DANÇA E REPOUSO

Maurício Cals, artista cearense, 34 anos, trabalha desde 1971 e sua produção está atualmente em cima de óleos sobre tela. Expondo na Bahia pela primeira vez, ele mostra Dança e Repouso, representando uma atividade que, segundo ele, deve ser incentivada “e que os profissionais da arte, como elemento integrante da sociedade, não podem esquecer de também buscar saída para a crise atual”.
A arte e a cultura não estão no leque das prioridades. Houve uma grande perda ao longo dos anos, uma espécie de amordaçamento da voz criativa do povo.
Hoje não é mais isto mas, por outro lado, não temos condições, recursos. O artista brasileiro está em busca de uma arte brasileira. Regra geral escapa-se para uma arte estéril, sem raízes, porque não se pode sobreviver com ela, diz Maurício Cals.
A necessidade de sobrevivência, a pressão, dificuldades de todos os lados conduzem o artista a esta arte estéril, Embora já estejamos tomando consciência e partindo para uma busca maior, que é a da arte legítima.
Já Terezinha Barreto informou que a Fundação Edson Queiroz, uma fundação que é inclusive ligada ao Sistema de Televisão Verde Mares, envolve nos seus programas não apenas projetos de artes plásticas, mas de música, teatro, literatura e cinema. A Universidade, por seu turno, tem 10.600 alunos e 19 cursos funcionado.

CRIATIVIDADE

Anderson Medeiros, Affonso Lopes, Alano, Ascal, Anselmo Medeiros, Carlinhos Morais, Eduardo Eloy, Estrigas, Francisco Wagner, Heloísa Juaçaba, Jane Lane, José Guedes, Loinha, Maurício Coutinho, Roberto Galvão, Sérgio Lima, Rubens de Azevedo, Sérvulo Esmeraldo, Félix, Zenon Barreto e Zé Pinto.
“Agora, a Universidade de Fortaleza empreende um passo mais avançado, ao cumprir, juntamente com o Desenbanco, um intercâmbio de excelente proveito, através de exposições de obras de pintores, desenhistas da Bahia e do Ceará”, é o que diz, na apresentação da mostra, Airton Queiroz, chanceler da Fundação Edson Queiroz.
 Vinte artistas baianos participaram do intercâmbio com a apresentação de 40 trabalhos, montados por Lygia Sampaio e Sylvia Athaíde atendendo ao convite formulado pela Universidade cearense.
Floriano Teixeira, Mário Cravo Júnior, Carlos Bastos, Jenner, Caribe, Lygia Sampaio, Emanoel Araújo, Calasans Neto, Yêdamaria, Sante Scaldaferri, Lygia Milton, César Romero, Bel Borba, Justino Marinho, Juarez Paraíso, Márcia Magno, Sérgio Rabnovitz, Zivé Giudice, Fernando Coelho e Jamison Pedra foram os participantes da mostra.
Para  Sylvia Athaíde, coordenadora do Núcleo de Artes, “este intercâmbio abre possibilidades sobretudo para artistas novos serem conhecidos fora do estado.Assim é que ao lado de nomes já consagrados estão vários dos nossos mais novos artistas. Na verdade esta é a nossa proposta, aliás, uma das metas do Núcleo que é, além de manter intercâmbio com outras instituições, estimular a participação de novos.

             FISCAIS DO IR   RECEBEM OBRAS DE ARTE 
Paris (UPI)- Os Fiscais do Imposto de Renda da França recebem em pagamento alguma coisa a mais que dinheiro. Eles também arrecadam arte.
Les Baigneuses,na visão de Picasso
Quando Pablo Picasso morreu em 1973, o governo francês disse aos seus herdeiros que cobraria um imposto especial sobre a gerência do espólio em obra de arte.
Uma lei, que permite esta forma de pagamento pouco ortodoxa, já havia sido aprovada cinco antes do falecimento deste artista inovador do século XX.
Os fiscais receberam quase 4.000 peças de arte, num valor estimado de mais de cem milhões de dólares, incluindo 229 pinturas e 137 esculturas muitas das quais jamais exibidas ao público.
Ainda que algumas destas obras já tenham sido exibidas em exposições temporárias, inclusive as do Grande Palais de Paris e do Museu de arte Moderna de Nova Iorque, a coleção arrecadada com os “impostos” terá, dentro de um ano, uma residência permanente: o novo Museu Picasso na capital francesa.
Os pedreiros trabalham a todo vapor para restaurar, a um custo de quase seis milhões de dólares, o local do futuro museu, uma mansão do século XVII no bairro de Marais, na região leste de Paris.
Situado na margem direita do Rio Sena, Marais, antigamente, era um pântano, mas, a partir do século XVII, para lá se mudou a aristocracia. Entretanto, depois da Revolução Francesa, os ricos mudaram-se de lá.
O último renascimento da vizinhança foi promovido, em parte, pelo Museu de Arte Moderna do centro Pompidou, uma espécie de imã para os turistas, onde atualmente estão expostos alguns trabalhos de Picasso. Galerias de Arte e restaurantes de moda estão em grande evidência no bairro.
Mais também existem muitos “hotéis”, como são chamadas as mansões francesas daquela época, e entre elas encontra-se o Motel Sale, construído em 1656 e que será a sede do novo museu.
Sale significa sal. Este nome provém do construtor original que era,por sua vez, um fiscal de imposto: o imposto sobre o sal.
O edifício mudou de nome muitas vezes. Durante parte do século XIX foi usado como escola primária onde, inclusive, veio a estudar o escritor Honoré de Balzac, que a descreveu em uma de suas obras literárias.
A sucessão de proprietários alterou, em grande parte, a beleza original da mansão que, em parte explica, porque o museu será aberto com um atraso de pelo menos três anos.
Também parte da culpa recai sobre a burocracia do século XX
Para instalar o sistema de ar-condicionado foi necessário escavar um segundo sótão sob o original.
“jamais vi um museu apresentar tantos problemas; mas apresentar também tantas qualidades.
Este aqui não é um museu que tem o potencial para o sucesso que raramente ocorre com outras instalações do gênero, disse sua diretora, Dominique Bozó.
A peça mais importante do prédio são suas escadarias, tão impressionantes que Bozo decidiu que o visitante deverá iniciar a visitação do segundo andar.

Os tetos sobre a escadaria e uma ampla galeria do segundo andar estão decorados com esculturas ornamentadas que representam deusas, querubins e grinaldas de frutos e flores.
Mas não seria esta decoração, sem falar das esfinges que flanqueiam a entrada do museu, demasiadamente clássica para as obras de arte de um revolucionário como Picasso?
“O edifício está em harmonia perfeita com os tipos de lugares onde trabalhava Picasso”,disse Bozó recordando que o artista preferia trabalhar em espaços abertos dos edifícios velhos. Picasso também costumava manter algumas de suas pinturas em ambientes semelhantes de suas várias residências na França.

Entre as maiores obras que ficarão em exibição permanente ao público, está a pintura cubista de 1912 Nature Morte a La Chaise Canee, realizada sobre uma tela oval emoldurada com corda.Les Baigneuses, pintada seis anos depois mostra o distanciamento de Picasso no cubismo.
Duas mulheres na orla do mar e um farol ao fundo são mostrados de uma forma mais direta que a habitual do período cubista.Os visitantes também poderão ver a gigantesca, três metros Poe 2,5 metros, Femmes a Leur Toilette, pintura na qual as mulheres num mundo plano, bidimensional. ( Foto)