sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

JAMISON PEDRA MOSTRA SUAS PINTURAS RECENTES - 12 DE AGOSTO DE 1985.


JORNAL A TARDE, SALVADOR, 12 DE AGOSTO DE 1985.

JAMISON PEDRA MOSTRA SUAS PINTURAS RECENTES


Tenda VI, 1985, acrílico sobre tela, 80 X 80 cm
Jamison Pedra volta a expor com muito vigor. Desde a década de 60 vem desenvolvendo trabalhos experimentais, os quais chegou a apresentá-los em bienais. Aliás, Jamison é um veterano em bienais, porque também,  participou  individualmente das IX e XI bienais de São Paulo, nos anos 1967 e 1973. Ele integrava um grupo de artistas que se reunia na saudosa Galeria Bazarte, sob o incentivo de Castro, e que contava ainda com Eckemberger, Fernando Martins,Carlos Estivalete e Emanuel Araújo. O grupo  foi dispersado, mas Jamison continua o seu caminho marcado pelo experimentalismo.
Notamos em sua obra a presença marcante da arquitetura, tanto nos traços como nas composições. Fez também um trabalho voltado para a fotografia, mas sempre está retornando à sua pintura, e nos últimos cinco anos tem se dedicado exclusivamente à pintura. Na viagem que fez aos Estados Unidos, permaneceu por três anos estudando pintura na School of Art de Cicinnati. Os  trabalhos, resultado de sua tese nesta escola, ele apresentou em 83, na Art Boulevard Galeria, sobre a qual tive a oportunidade , na época, de tecer algumas considerações . Sempre está em contato com os jovens , pois é professor na Faculdade de Arquitetura da Ufba onde passa as informações que possui.
Ele classifica seus trabalhos como uma “ilusão de espaço” conseguida através da técnica do “trompe l’oeil”, isto é, a criação ilusória do espaço na superfície plana do quadro. Explora deliberadamente a contradição entre a pintura plana e a sugestão de espaços.
Jamison Pedra convida o espectador para vivenciar melhor o seu trabalho: “Vejam como meu trabalho provoca grandes necessidades de participação por parte de quem olha. Todos querem tocá-lo para entender a visão de duplicidade que as telas comunicam através das imagens. As imagens que utilizo são planos de cor e linhas em jogos constantes de luz e sombra. As vezes incorporo elementos  figurativos como pedras, fotos, sempre como suporte daquela idéia de “ilusão de espaço”.
Jamison nos revela ainda que normalmente define o que deseja chegar quando vai iniciar um trabalho. Mas, “sempre há lugar para as surpresas na medida que o trabalho vai se desenvolvendo”. Quando termina uma tela surge uma falsa idéia de descanso, que logo é substituída por outra sensação de busca e ai fica quase sempre tenso querendo iniciar outro.
Evidente que o trabalho de Jamison tem por trás toda uma sustentação arquitetônica, pois conserva a geometria e a síntese da forma transpondo a influência para um processo bastante diferenciado.
No entanto , acredito que não tanto diversos, pois percebo uma vinculação muito profunda entre sua arte e a arquitetura . Jamison está expondo seus trabalhos no Escritório de Arte da Bahia, até o próximo dia 16 do corrente.

JAMISON PEDRA

Nasceu em Valença, Bahia, em 1938. Formou-se em Arquitetura pela Universidade Federal da Bahia, em 1965. Cursou o Mestrado em Artes Plásticas na School Of Design Art and Archhitecture, da Universidade de Cincinnati, em Ohio, Estados Unidos, em 1983. É professor assistente da Escola de Belas Artes da Ufba, desde 1970, tendo lecionado também a disciplina Composição  de Arquitetura na Faculdade de Arquitetura da Ufba, de 1965ª 1970. Em 1963 expõe pela primeira vez,na Galeria Bazarte, em Salvador, sendo essa exposição individual fruto de sua participação no movimento cultural que envolveu vários artistas nessa época, em Salvador. Participou desde então de diversas exposições individuais e coletivas, destacando-se : Museu de Arte Moderna da Bahia ( 1965); I Bienal de Artes Plástica da Bahia ( 1966);IX Bienal de São Paulo ( 1967);II Bienal de Artes Plásticas da Bahia ( 1968); Galeria Círculo, Salvador ( 1972); Cem Anos de Pintura Baiana, No Museu de Arte Moderna da Bahia ( 1973); Artistas Baianos no Senegal, no Senegal, África ( 1980); Galeria da Universidade de Toledo, Ohio, EUA ( 1981); Galeria da Universidade de Cincinnati, School of Design, Art and Architecture, Ohio, EUA (1983), Boulevard Galeria, Salvador (1984), e Desenbanco/Universidade Federal do Ceará (1984). Produziu também painéis para o Banco do Estado da Bahia, Banco Econômico e para o Fórum de Feira de Santana. Possui esculturas em diversos locais de Salvador e participou de diversas mostras de fotografia e cinema. Recebeu ainda vários prêmios do Concurso de Fotografia da Revista Realidade, da Editora Abril (1975) e o 1.º prêmio de Escultura Ambiental, do governo do Estado da Bahia (1979).

AS FLORES MISTERIOSAS DE FERNANDO COELHO

FernandoCoelho estará expondo partir de 15 de agosto uma série de trabalhos que intitulou de Mistérios, na Galeria Alberto Bonfiglioli, na Rua Augusta, em São Paulo. O artista é um dos mais profícuos de sua geração. Acompanho sua trajetória desde a época em que era publicitário. Já vez vários painéis para empresas e para órgãos públicos, e tem um livro dedicado a sua obra escrito por Clarival Prado Valadares, Fernando Coelho- Desenhos. Começou a expor na Galeria Querino, na década de 60, e de lá para cá tem participado de uma infinidade de coletivas, leilões e realizado várias individuais aqui e em outros estados.
Nos últimos anos Fernando tem se dedicado a pintar flores, uma temática que ele conseguiu valorizar, e também, levar o espectador a prestar um pouco de atenção a paisagem, tão desgastada não apenas pela poluição, mas também por trabalho mal realizados. As flores de Fernando trazem consigo algo de fantástico, de misterioso e em certos instantes a gente tem a impressão que elas caminham em busca de uma transformação,que vai desaguar, na humanização.
Como que teriam todos os sentidos vitais à própria existência. E, ele resumiu numa frase do ano passado esta minha observação, dizendo: “Se se pusessem olhos e boca em cada uma dessas flores elas poderiam até ser gente”. Acho indispensável a colocação desses elementos para se fazer uma ligação com o humano.
Lembro quando percorríamos junto os salões do Museu de Arte Moderna, no Solar do Unhão, no ano de 1975. Fernando fez uma grande exposição umas das melhores já realizadas ali. Ele nesta mostra discutia o homem, através das figuras que tentavam se equilibrar em linhas e espaços e nos transmitam uma linguagem de insatisfação. Era uma época ainda muito repressiva e isto certamente influenciou Fernando a se expressar daquela maneira. Esta foi uma exposição que deve ter marcado a sua carreira e aqui relembro com a mesma emoção daquela época. Confesso que fiquei muito entusiasmado com as soluções pictóricas, e com a linguagem plástica, levando-se em consideração, especialmente, aquele momento histórico.
Mostrando exatamente uma renovação Fernando Coelho agora neste momento de abertura realiza um trabalho de contemplação, com uma profunda ligação com o seu interior. Recentemente ele revelou que a sua arte agora é otimista.
Diria que ela tem uma forte influência referencial com a paisagem, com aquela postura de amor à natureza, de preservação ou de gestação. A natureza explode em flor. Flores que enfeitam jardins imaginários. Flores indescritíveis e que somente a gente mirando-as, cada um com seu referencial de informações, formar imagens e entender a sua linguagem e seus movimentos corporais. E preciso um contato mais terno com elas, perguntando por exemplo, de onde vêm? Em que jardim fluoresceram?