sábado, 29 de dezembro de 2012

OS FILHOS DE JORGE NO CARNAVAL DA DEMOCRACIA - 11 DE FEVEREIRO DE 1985.


JORNAL A TARDE, SALVADOR, 11 DE FEVEREIRO DE 1985.

OS FILHOS DE JORGE NO CARNAVAL DA DEMOCRACIA

A cidade está em festa. A alegria já percorreu vários bairros, desde o dia 8 de dezembro na Conceição da Praia, depois pilar, Boa Viagem, Bonfim; saudamos Iemanjá no Rio Vermelho e também na Pituba e Itapuã. Agora é chegada a hora de Momo cair na folia e decretar cinco dias de muita bebida, muita cor, plasticidade e amor. É o Carnaval baiano que se espalha por 12 quilômetros transformando esta velha cidade beijada pelo mar em palco da mais autêntica festa popular de todo o mundo. E, este ano por uma feliz escolha um de seus filhos mais queridos: Jorge Amado, é homenageado. Ele que soube como ninguém enaltecer a sensualidade das mulatas e morenas, a malandragem de muitos personagens que alegraram a Bahia em outras épocas. Vadinho é o exemplo maior desta malandragem sadia e, hoje, pelas ruas ainda encontramos muitos desses Vadinhos, homens de muitas mulheres, que durante o dia rezam numa das “365 igrejas” e à noite vão para os terreiros fechar o corpo.
Assim como também existem muitas Gabrielas, Tietas, Lívias e Teresa Batistas, todas belas, sensuais, donas de uma malícia tropical que deságua entre sussuros na mais bela de todas as emoções.
A cidade já está povoada e com os braços abertos recebendo estes personagens de Jorge Amado que encantam os russos, franceses, finlandeses, alemães, argentinos, cubanos, enfim todo o mundo. Eles viajaram nas páginas dos romances do “pai” Jorge e agora retornou a Salvador para dançar conosco durante o Carnaval. É bem verdade que eles com toda sua formosura, beleza e malícia vão estranhar esta liberalidade gostosa, que outrora não havia ou melhor havia em pequena escala ou era camuflada. Agora tudo é aceito com tranqüilidade e as Gabrielas podem deitar sua sensualidade pela avenida. Vadinho pode cultivar pelas ruas a sua malandragem embotado numa mortalha para brincar com mais liberdade. Mas, tem ainda os pierrôs, as colombinas e o saltitante Coringa que encanta a garotada com seus trejeitos.
Nas barracas a cerveja será farta. Os quitutes baianos fervendo em pleno asfalto para encher os olhos dos gringos que ficam embriagados com tanta alegria. A quentura dos trópicos é difícil de ser entendida por quem está vivendo em temperaturas mais frias e onde o relacionamento interpessoal é muito sofisticado e informal. Aqui o abraço é um abraço mesmo! Forte e com tapas firme nas costas. O riso é largo e sincero. A zanga é na base do palavrão, não aquela carretilha do italiano. Aqui até o palavrão tem gosto de emoção. É neste ambiente quente que a cidade vai ficar mais alegre e bonita. As quatrocentas e tantas peças que enfocam a obra e a vida de Jorge Amado, que retratam os seus personagens, serão envolvidas por milhares e milhares de pessoas com suas mortalhas e fantasias coloridas. Salvador será a mais colorida de todas as cidades brasileiras.
Nem mesmo a suntuosidade das escolas de samba cariocas conseguirá desbancá-la. Nem podia, porque lá a organização prejudica e aqui a espontaneidade é que dá força e vida ao nosso Carnaval. Se este tal grupo executivo resolver “organizar”, tudo será um fiasco. O que desejo é que chegue logo a hora do encontro de Vadinho, Gabriela, Dona Flor e Tieta com os carnavalescos baianos entre os quais Rubinho, Vovô, Antônia, Marinalva e Pequinho e muitos outros que enchem de vida esta cidade. Que os personagens de Jorge assistam do alto esta alegria contagiante e indescritível.
E também que saiam das estruturas de madeira e plásticos e desçam para brincar esta Carnaval da democracia. Um Carnaval que certamente será de comemoração do fim de 20 anos de autoritarismo, de um governo centralizado e que provou incompetência. Vamos festejar este primeiro passo e aguardar que no próximo possamos também festejar. Mas, desta vez, as medidas que esperamos que sejam tomadas em benefício deste povão que sofre muito, mas que ainda é capaz de brincar e ter alegria.

LITÓGRAFOS PERNAMBUCANOS EXPÕEM NO MAMB 
ATÉ DIA 14
Litografia de Luciano Pinheiro, de Pernambuco

Até o dia 14 deste mês o Museu de Arte Moderna da Bahia (MAMB) estará apresentando a exposição Dois Litógrafos Pernambucanos, de Luciano Pinheiro e Tarcísio Silva, representantes de duas gerações da chamada “Escola Pernambucana”. Natural de Recife, Luciano é oriundo do grupo da Ribeira/Olinda, contemporâneo de João Câmara e Delano. Tarcísio, da geração de Flávio Gadelha, também nasceu em Recife, mas teve uma longa vivência no sertão pernambucano.
As 15 litografias de Luciano Pinheiro foram produzidas no período 77/80, fase de fundação da Oficina Guaianases de Gravura, sociedade de aritstas plásticos, que funciona no Mercado da Ribeira, no Sítio Histórico de Olinda.
Tarcísio expõe as 10 litografias do Caderno I da série “Missa do Vaqueiro” (pinturas, litos, objetos), projeto no qual vem trabalhando há sete meses.
Autodidata, membro efetivo da Associação de Artistas Plásticos Profissionais de Pernambuco, Tarcísio já expôs individualmente e participou de coletivas em Recife, Manaus, Belém, Caxias do Sul, Porto Alegre,
Lito de autoria de Tarcísio Silva, está no MAMB

Curitiba e Salvador. Também levou sua arte à Repúblic of Guayana, Trindad-Tobago e Barbados. Luciano foi um dos participantes da mostra Nordeste Du Brésil - Dix Artistes de Recife, realizada no ano passado, no Espace Latino Americain, Paris, França. E, em 83, ganhou prêmio de viagem ao exterior com pintura no VI Salão Nacional de Artes Plásticas, no Rio de Janeiro.
Para Bernadete Andrade, do A Crítica, publicado em Manaus, a arte de Tarcísio é, sem dúvida, “um compromisso com a vida e o homem, manifestando assim, a necessidade de viver o real, para melhor expressá-lo. O critico Frederico Morais, sobre Luciano, escreveu em O Globo: “Na Gravura e no desenho sua linguagem é sempre profundamente critica, por vezes sarcástica e irônica. “Eros e política trazidos ao papel sem qualquer recalque”.
A exposição Dois Litógrafos Pernambucanos conta com o apoio da Fundação Cultural do Estado, através do MAMB, do Banco Econômico e do Restaurante Solar do Unhão, que ofereceu o coquetel no dia da abertura, no dia 1.º de fevereiro. O museu fica aberto de terça a sexta-feira, das 11 às 17 horas e aos sábados e domingos, das 13 às 17 horas.

IMPRESSIONISTAS DE VOLTA A PARIS

Paris (UPI)- Obras de Claude Monet, Pierre-Auguste Renoir e Camile Pissaro chegaram dos Estados Unidos a Paris para participar da maior exposição de pintura Impressionista, inaugurada na capital francesa.
A exposição, nascida por ocasião dos jogos olímpicos de Los Angeles em 1984, foi exibida também em Chicago antes de sua inauguração em Paris, onde ganhou várias outras obras pertencentes ao Museu do Louvre.
Muitas das telas que formam a exposição, recolhidas em mais de 30 museus dos Estados Unidos, não foram exibidas na Europa desde que foram adquiridas por colecionadores norte-americanos depois da Segunda Guerra Mundial.
Os organizadores acreditam que a exposição sobre o “Impressionismo e a campina francesa” terá um sucesso absoluto.
“Há 10 anos, a exposição Centenário do Impressionismo atraiu cerca de 550 mil visitantes, um número recorde. “Mas a atual mostra tem um número de obras três vezes maior e todas elas de estupenda qualidade”, disse Silvie Poujade, funcionário do Museu Nacional.
A mostra segue uma ordem mais temática que cronológica: estão juntas as paisagens marinhas de Eugene Boudin, de cores pálidas e as de Edouard Manet, de tons brilhantes.
O Grand Palais, de Berthe Marisot, exposto ao lado das estações ferroviárias cheias de fumaça, de Monet, são consideradas paisagens urbanas.
As superfícies planas de Emile Bernard estarão junto do Jardim dos Poetas, de Vicent Van Gogh (obra pintada em 1888).Ao lado.
Mas Claude Monet, que deu o nome ao movimento com o quadro Impressão, um Amanhecer (1874) e o autor mais famoso desta exposição.
Pela primeira vez, sua série de nove montes de feno sob as luzes diferentes das diversas horas do dia estará toda junta.
Os visitantes poderão contemplar a tela mais escura, propriedade do Museu de Louvre, os tons vibrantes sob a luz do outono, na tela do museu de Chicago e sentir como o dia vai morrendo nos montes de feno, nos quadros do museu de Boston.