sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

LIANE KATUSIKI RETORNA COM MAIS EXPERIÊNCIA - 22 DE ABRIL DE 1985.


JORNAL A TARDE, SALVADOR, 22 DE ABRIL DE 1985.

LIANE KATUSIKI RETORNA COM MAIS EXPERIÊNCIA


Liane com algumas jóias que criou
-Aqui de longe,neste Velho Mundo, ainda meio resfriada, me recuperando do terrível inverno que enfrentei, a saudade bate mais forte, quando percebo os primeiros raios de sol mais quentes e brilhantes do início da Primavera. Os campos  começam a ficar verdes e se enchem de flores, as árvores brotam, e os pássaros cantam, combinados com a minha alegria em sentir a minha volta se aproximar”. Este é um trecho da carta que acabo de receber de minha amiga Liane Katsuki que está ausente há quase seis meses na Europa. Ela já expôs em Emmen, na Holanda; na Bélgica;e em Bremen, na Alemanha. E, atualmente expõe em Giethoom, na Holanda. Esta última é uma cidadezinha cortada por canais, e os carros são proibidos de circularem em suas ruas.
No catálogo de suas exposições no exterior Liane Katsuki escreveu: A jóia primeira é a Terra, tirada do Ventre do Criador, posta no infinito Universo. Cada ser vivo é a pedra preciosa na sua harmoniosa composição. Não destruam a Grande Obra de Arte...
Esta, e outras afirmações atestam a sensibilidade desta artista que já residiu durante seis anos no exterior, mas que tem a base de sua formação em Salvador, na Escola de Belas Artes, da Ufba.
Já participou de mais de 2º exposições individuais e 40 coletivas. Também , realizou quatro performances, projetos integrados de jóias,esculturas, música e dança, além de bienais, salões e concursos. Portanto, é uma artista que está sempre trabalhando, procurando mostrar a comercializar o seu trabalho profissionalmente.
Digo comercializar porque é preciso acabar com este falso puritanismo do artista que não pensa em vender a sua obra, e que bom, é aquele que até passa dificuldades. Ao contrário, entendo que o artista tem que sobreviver com muita dignidade do trabalho que faz. Os exemplos que a gente vê por aí são de artistas que sofrem e passam dificuldades, terminam por enriquecer terceiros, como os marchands, donos de galerias e colecionadores. Isto é muito injusto!
Participou do “Grupo No” com artistas de diferentes nacionalidades. Tendo no momento com um grupo de artistas brasileiros, o seu atelier, Galeria e Escola “Claroescuro”, aonde tem exposição constante de seus mais recentes trabalhos em : jóias, objetos, esculturas, desenhos, pinturas, vitraux e espelhos.
Ensina Desenho, pintura e Estética em Salvador, Bahia.
Suas jóias, sempre em material nobre, ouro, prata e pedras preciosas ou semipreciosas, procuram mostrar não somente o lado do luxo destes preciosos materiais, que, vindos de Terra, não-artificiais, materiais que nos levam mais próximos das nossas origens, nossa cultura e da vida em si.
Se integram com a peça falando uma linguagem única.
Quando Liane inicia uma jóia, o material que será usado é respeitado como coisa viva.
Cada pedra tem sua vida e mensagem próprias. O seu desenho e forma, numa comunidade com o Universo interior da artista, fazem nascer uma nova e exclusiva obra de arte.
Cada jóia é tratada como uma miniescultura. Por isso a força e originalidade de seus objetos são aliadas ao cuidado técnico, procurado em cada trabalho.
Algumas jóias de autoria de Liane

Na força criativa de Liane, se percebe a influência sensível e refinada do Oriente, devido aos seus estudos no Japão, e a explosão do mundo de cores e formas devido às suas origens brasileiras.
Seus objetos mostram uma forte estrutura, lembrando a força e sensualidade dos seus desenhos. Ela conseguiu desenvolver variadas técnicas de expressão artística sem perder na força e noO arquivo deve ser uma imagem ou um vídeo.
 respeito a cada diferente forma de expressão tratada. Guardando perfeito equilíbrio, os efeitos de composição e cores, trazido às suas jóias, mostram que ela aplica a técnica para trazer o efeito da pintura no mundo das jóias. Pelo seu “Curriculum Vitae”, opiniões de críticos de arte, e alguns artigos em jornais, selecionados no seu vasto “Curriculum de Imprensa”, conhecemos melhor a vida profissional de Liane Katsuki.
Falando sobre seu trabalho na confecção de jóias, ele explica: “A jóia, da maneira que procuro tratar, perde aquele sentido de simples objeto de luxo. Ela, como minha pintura, tem uma mensagem. Trabalho-a como uma mini-escultura.
Não existe uma separação entre minhas pinturas e minhas jóias. Uma completa a outra.Respeitando  linguagem e as possibilidades de cada uma, eu posso me exprimir”.Em 1972 expôs suas jóias na Galeria Studios, no Rio de Janeiro. Na época, o que mais atraiu a atenção do público foi o lançamento de seus braceletes-anéis e colares-soutiens, uma inovação no campo das jóias, mostrando um simbolismo e um sentido todo pessoal. Antes de seguir para a França, Liane participou na Bahia e no Rio de Janeiro de várias exposições de pintura e realizou importantes trabalhos, dentre os quais o painel do Grande Hotel da Barra, retratando a chegada de Thomé de Souza à Bahia.
A evolução de sua arte pode ser notada no decorrer das exposições e desfiles que vem realizando nas principais capitais do País. Recentemente, na Pousada do Carmo, em Salvador, Liane extasiou os presentes com um desfile realizando para vários visitantes.
Segundo a artista, estão tendo a cada dia de trabalhos em jóias a maior aceitação por parte do público, devido à conscientização deste no tocante ao valor artístico dos objetos. “O importante não é só o valor material do trabalho, mas o seu valor artístico. No meu trabalho, utilizo a prata, o ouro, pedras preciosas e semi-preciosas, procurando sempre criar as minhas jóias partindo do material que eu venha a usar”.
Liane afirma ainda: “Faço jóias como uma maneira de compensar o desejo que tinha de fazer escultura. A jóia é uma escultura de pequeno porte. O meu interesse pela jóia nasceu em Paris, quando frequentei a Federarion de La Seine de Deuvres Laiques trabalhando em esmaltação do cobre e da prata”
Em Salvador, as suas jóias podem ser apreciadas no Museu da Cidade, e em várias galerias (onde estão postas à venda) e no seu atelier.
No Rio de Janeiro, juntamente com Maria Amélia Villegas, Massimo Forti e Hans A. Sthar, Liane fundou a galeria e loja de arte Grupo No, onde existe exposição permanente de suas jóias.
O crescimento de suas jóias está lhe levando a objetos de maiores dimensões, devendo a artista, num futuro muito próximo partir para a escultura de grande porte, aliás, no Centro de Convenções tem uma escultura feita em tubos galvanizados, a qual inclusive está necessitando de restauração.
Liane Katsuki nasceu em Salvador, Estudou na Escola de Belas Artes da UFBa., na França e no Japão. É formada em Jóias pela Escola Francesa e em História Geral da Arte pela Escola do Louvre. Realizou várias exposições no Brasil e em Paris, e desfiles na Bahia, Toulouse e Antilhas. Tem prêmios de salões, trabalhou para Pierre Cardin. Realizou projetos de arte integrada com dança, escultura e jóias, nos quais recebeu prêmios e menção honrosa. Ganhou ainda concursos com esculturas, painéis e murais.
Criou e executou os troféus “Bahia 100 anos de Folia”. É professora em Desenho, pintura vitral e jóias.

                  A ARTE DE CRISTINA MEDRADO

Esta é Cristina Veloso Medrado Santos ou simplesmente Cristina Medrado. Desde os 14 anos que se interessa pelas artes plásticas. Um diálogo que começou cedo com as formas e as tintas. Por ser filha de militar teve que residir em várias cidades. Mas as mudanças nunca impediram que continuasse a sua vocação artística. Morou também na Inglaterra, e aqui chegando resolveu fazer o vestibular de Engenharia. Trabalha em processamento de dados, ligado a engenharia. Ela pintou muita coisa relacionada com o Velho Mundo, e também a paisagem e a vida do Nordeste, especialmente do Ceará. Sua última exposição aconteceu recentemente no Robson Club, na Praia do Forte, onde apresentou 10 telas.