domingo, 19 de maio de 2013

UMA AVENTURA NO MAR DE LEV


JORNAL A TARDE, SALVADOR, SÁBADO,4 DE SETEMBRO DE 1976.

             
A exposição organizada pela Galeria Tempo instalada no Salvador Praia Hotel de trabalhos do artista Lev Smarcevsky é uma aventura pelo mar com seus mistérios e sua magia.Já conhecemos o temperamento irrequieto de Lev,que cansado de estar na terra resolveu construir um barco e sair por ai juntamente com outros colegas de aventura.Era o Santa Cruz, que foi admirado por ser um museu ambulante. Lá você podia encontrar gravado em suas paredes trechos de Jorge Amado e escultura de Carybé, telas de vários artistas baianos e até comida típica.
Portanto, quase um bazar flutuante que assim divulgava lá fora o que de mais interessante existe naquela época na Bahia. Sabemos também que sua viagem foi interrompida por questões que não merecem ser lembradas e que o Santa Cruz foi vendido e recentemente naufragou. Mas, em terra firme o navegador Lev parte para a pintura que sempre foi uma constante em sua vida. Mesmo na pintura sua temática predileta são as coisas do mar ou ligadas ao mar. São as embarcações imaginárias, os lemes e os peixes.
 Como afirma Jorge Amado, “ o Lev é um homem múltiplo e sempre capaz e brilhante e toda e qualquer de suas atividades. Arquiteto de fundamental importância no desenvolvimento da arquitetura moderna na Bahia, vindo dos escritório de Oscar Niemeyer e Sérgio Bernardes, industrial criando riquezas e seguindo e seguindo adiante, pois nasceu para escravizar-se à riqueza e, sim, para realizá-la; decorador, criador de móveis, esportista, correndo sobre a terra e o mar, no ronco do motor e no assovio do vento; boa prosa, terno amigo, coração enorme, sendo tanta coisa,dando tanto de si e tomando da vida com ânsia e alegria... Transcrevo este texto de Jorge Amado para termos uma ideia da multiplicidade e da necessidade de criar deste siberiano que aportou na Bahia.

Antes de ser armada a exposição, estive visitando a Galeria Tempo para observar melhor os trabalhos de Lev.Gostei de alguns, especialmente aqueles que não aparecem os barcos.São mais fortes e expressivos e lembram o mar, porém os barcos assemelham-se àqueles que comumente vemos nas figuras do compêndios de História Universal. Não existe, evidente uma preocupação do múltiplo Lev em inovar, em criar algo de novo. Apenas está preocupado em retratar aquilo que lhe toca mais de perto as embarcações imaginárias, que poderiam lhe conduzir a outros pontos da terra.Por outro lado, a multiplicidade de aptidões pode a princípio parecer uma vantagem: outras vezes, a multiplicidade provoca a dispersão e algumas aptidões passam para o plano secundário, prejudicando o homem múltiplo como um todo. Estamos no século XX onde a especialização é uma virtude. Não estamos vivendo a época dos enciclopedistas

            O CALENDÁRIO DE ILSE

A Arca de Noé, pintura de Ilse Hansen
O apóstolos,as feras, meninos,imperadores, e coisas da Eurpa e África, tudo isto são aproveitados por Ilse Hansen para a concepção de seus trabalhos cheios de ternura. Casada com Hansen Bahia, tem nele o grande ponto de contato com a arte. Aqui vivem amando as mesmas coisas e desfrutando das delícias de Salvador, a pesca do xaréu, a roda de capoeira e muitos outros encantos presentes no ambiente afro baiano brasileiro. Agora esta moça alemã baiana acaba de produzir juntamente com a Galeria Basart,Glasurit,Isonor e Isopor um belo calendário de 1977. Já tive oportunidade de falar sobre o trabalho de Ilse que foi iniciado com o trabalho de restauração e aplicação e o uso de ouro em obras de arte e imagens.Em 1960 começou a estudar xilogravura com o artista alemão Hansen Bahia na Alemanha com quem se casou seguindo para a Etiópia onde absorveu bastante influência das pinturas de igrejas antigas, passando então da xilogravura para a pintura, inspirada na arte tradicional etíope.Sua primeira exposição realizou-se em AdisAdeba, em 1964,sob o tema How You See Ethiopia.
A sua técnica pode ser considerada exclusiva pelo emprego de folha de ouro, que acrescentam maior beleza,lembrando pinturas antigas. As caras largas e os olhos grandes das figuras chamam logo a atenção pelo desproporcional tamanho da cabeça, quase que a esmagar o resto do corpo,seja pelo ambiente místico como que estão contemplando o mundo conturbado de hoje.
A pintura de Ilse inspirada em temas do Velho Testamento, é semelhante a executada tradicionalmente pelos monges nos velhos conventos etíopes. O festejado pintor feirense Raimundo Oliveira também baseou-se na arte etíope e suas figuras são aparecidas com as criadas por esta artista.

            FORMAS DE GARRAFA  DE FORNOS

Os fornos em forma de garrafa do
 Museu de Gladstone
Os enormes fornos em forma de garrafa existentes no Museu de Gladstone provocam uma incrível sensação de pequenês aos visitantes. É verdade que existem museus de várias formas e tamanho reunindo os variados tipos de objetos de arte. Alguns ricos e belos, outros empoeirados e desprezados. Ainda os criados para mostrar como os ofícios e habilidades do passado transformaram-se em trabalhos industriais.
Na Inglaterra existem dois enquadrados neste último caso: o Gladstone Pottery Museum e o Wedwood Visitor Centre, situados no distrito do condado de Sataffordsire conhecido como The Potteries (As Olarias)
Wedwood é um dos nomes mais conhecidos entre os apreciadores de louças finas, e o primeiro oleiro Wedgwood de quem se tem conhecimento, Gilbert, já estava fabricando vasos em Burslem em 1612. Quatro gerações mais tarde, em 1759, seu tatarento Josiah 1730-1795 fundou a firma atual. Em 1940 a fábrica mudou-se para novo prédio em Barlaston, cinco milhas ao sul de Stoke. No local foi criado o museu que possui importantes trabalhos realizados durante o tempo de seu funcionamento.
Em contraste está o Gladstone Pottery Museum, que fica a algumas milhas de Longton. Lá estão quatro enorme fornos torrejando sobre um pátio calçado de pedras e fechado por oficinas que trabalhavam os oleiros no início da era vitoriana, e cujos processos antigos podem ser vistos em parte ainda hoje. Os fornos em forma de garrafa eram antigamente um dos aspectos característicos da paisagem de Stoke.

                              PAINEL

ESTREANTES- A  Galeria Panorama realiza o seu Sétimo Salão de Estreantes que estarão expondo de 3 a 3 do corrente dezenas de telas. São 31 novos artistas entre os quais Marluce Morais Brito, Manoel Baqueiro Duran e Tereza Rocha de Almeida.

INFANTIL- o curso iniciação às Artes Plásticas da Escola de Belas Artes da UFBa, está promovendo uma mostra de Arte Infantil sob a responsabilidade a professora Dagmar de Souza Pessoas. Participam Andaiá Lima Mello, Antônio dos Santos Ferreira, Arnaldo Antônio Filardi dos Santos, Viviani Guissoni, Márcio de Jesus H. Angelini, dentre outros.

NO CARRO DE BOI- o restaurante que é centro de atração em Feira de Santana está abrigando  a mostra de Zé Maria. São desenhos de boa qualidade.

QUARENTA E SEIS- o Lions Clube de Salvador Centro organizou uma exposição dos 46 quadros concorrentes ao II Concurso de Pintura, sob o tema Salvador vista pelos seus adolescentes. Os adolescentes mostraram seus trabalhos na Panorama.

CENEARTE- O Cenearte, grupo de artistas novos, todos alunos de Arte e Desenho Publicitário do Centro Interescolar de Nazaré realizou uma exposição de Adelson Veloso, Letieres Leites, Lícia Alves, Nilton Andrade, Osvaldo Santos, Paulo Espírito, Péricles Calafanga e Sérgio Miller.

LEILÃO DE ARTE- A Galeria, em São Paulo realizou um grande leilão de arte de obras de Dacosta, Neri, Portinari, Carlos Oswaldo, Marysia, Bonadei, Pennachi, Rego Monteiro, Zanini, Graciano, Rebolo e Di Cavalcanti.

DUAS MULHERES- com uma exposição de xilogravuras de duas novas artistas, Mercedes Rosemberg e Cynira de Barcellos, a Galeria Morada realiza a partir do dia 7 de dezembro. A primeira parte do desenho linear em preto e branco, com parcimônico uso da cor, captando na sua temática as árvores e figuras em simbiose. Já Cynira desenvolve sua gravura com a temática bichos e pássaros. Na foto ao lado a gravura Perfídia, de autoria de Cynira da Barcellos.