quinta-feira, 2 de maio de 2013

JAMISON PEDRA MOSTRA AS SUAS PINTURAS RECENTES


JORNAL A TARDE,SALVADOR,  SEGUNDA-FEIRA, 16 DE OUTUBRO DE 1989



O artista Jamison em seu atelier. Tudo limpo e organizado.
Cuidadoso. Limpo. Preciso, Cerebral. São palavras que me vêm à mente todas as vezes que vejo uma obra de Jamison Pedra.
Não o conheço na intimidade, mas sinto que o artista transmite um pouco de sua busca incessante da perfeição. Deve ter embutido em sua vivência um alto sentido profissional, que aliado á sua sensibilidade, que extrapola, vai trilhando inclusive o difícil caminho de valorização do papel como suporte.
Nos contatos que tenho tido a felicidade de ter com o Jamison, ele me passa exatamente esta sensação de responsabilidade e cuidado com sua obra, com o seu trabalho. Suas inquietações, me parecem, ficam contidas nos traços ora retos, ora circulares e nas tênues sombras que escurecem suas cores, também com certa suavidade.
A arquitetura está sempre presente em seus trabalhos, que antes são esboçados, e também, a geometria, enfim, nas formas concebidas, sempre buscando uma forte linha de equilíbrio. Defende que a melhor forma de pintar é num atelier coletivo, onde existe uma troca de informações. No entanto, embora Jamison pense assim, ouso dizer que pela meticulosidade das linhas e formas que ele nos presenteia dificilmente se adaptaria a um atelier coletivo, onde as individualidades muitas vezes ficam de lado, ou á margem, diante da presença de estranhos.
A intrigante ilusão do espaço
Sua trajetória na cidade é conhecida. Iniciou com uma exposição na antiga Galeria Bazarte, hoje desaparecida, por volta dos anos 60. Era um grupo de artistas plásticos e músicos que se reunia e discutia os movimentos e tendências da arte, sob a coordenação de Castro. E, daí, foram para o Sul do País mostrar seus trabalhos. O próprio Jamison participou das IX e XI bienais nos anos de 1967 e 1973. O grupo se dispersou e Jamison continuou aqui, chegando a realizar alguns experimentos de fotografia até de cinema.
Jamison fez verdadeiros exercícios ópticos através da criação ilusória do espaço na superfície plana. Exploro deliberadamente a contradição entre a pintura e a sugestão de espaços. Nos convida a participar do seu exercício óptico com seus jogos de luz, sombra e cores. De repente, surgiu um elemento figurativo como pedras, fotos, sempre como suporte daquela ideia de ilusão do espaço, lembra Jamison Pedra. Os trabalhos mais recentes do artista estarão expostos a partir de amanhã até o dia 27 de outubro, no Escritório de Arte da Bahia, que fica localizado no prédio do Salvador Praia Hotel.

MÁSCARAS AFRICANAS ESTÃO NO MUSEU 
AFRO-BRASILEIRO
As máscaras sempre exerceram sobre mim uma sensação de medo e festa. Até parecem contraditórias essas sensações, mas na realidade é isto que ocorre. Lembro-me de meu tempo de criança quando os mascarados, que lá na distante Ribeira do Pombal a gente chamava e ainda continua chamando de caretas, faziam suas estripulias com o objetivo de agradar a garota, aterrorizando-a. Chorava e corria desesperado para longe das caretas. Esta ligação do mundo com a festa carnavalesca ainda é muito forte em mim, que continuo guardando como lembrava Vinícius das palavras do também saudoso Flávio Rangel: São as raízes...
Vieram em seguida as máscaras do teatro e, enfim, passei já adolescente a conhecer as máscaras africanas, nos rituais afro-brasileiros e também através de publicações as manifestações escultóricas dos povos africanos.
Agora mesmo, oito alunos de Célia Prata, essa dinâmica professora, estão expondo suas máscaras no Museu Afro-brasileiro que fica no Terreiro de Jesus, no prédio da antiga Faculdade de Medicina.
É uma proposta experimental de criação artística e os alunos usaram argila, acrílico, panos e papel marche. São eles Dilma Magalhães Onofre, Ednaide Ornelas da Silva, Eriel de Araújo Santos, Eurenice Lopes Carmo, Joselita Veloso Aguiar da Silva, Maria Terezinha Cardoso Tanajura, Maria Auxiliadora de Carvalho e Vera Regina Bonaspetti. Todos alunos da Escola Técnica Federal.

AFRESCOS ENCONTRADOS NUMA IGREJA QUE 
VIROU GRANJA

Milão, Itália (AFP)- Um admirável grupo de afrescos do ano 1000, que representam o martírio de São Vicente, esquecidos em uma igreja abandonada e transformada em granja, foram descobertos em Galliano norte da Itália, a uns 40km de Milão.
Ao iniciar-se a restauração da antiga igreja, ordenada pela superintendência de Milão, encontrou-se, debaixo de poeira e do mofo que cobria os muros, um grande Cristo na Abóbada e sobre ele a história de Vicente de Zaragoza, mártir da última perseguição do imperador Dioclesiano, em 303 a.C. 10 anos antes do reconhecimento do cristianismo pelo imperador Constantino.
O artista desconhecido, que realizou os afrescos, pintou a detenção de São Vicente, remonta de fato ao século V, como testemunham as inscrições que subsistem e os restos de solo de mármore negro e branco com desenho geométrico. Mas for reconstituída e ampliada nos séculos X e XI, na época em que o Sacro Império Romano- Germânico restaura a unidade depois das lutas que seguiram ao reino de Carlos Magno dois séculos antes.
Os afrescos da abobada representam também uma ascensão do profeta Elias em seu carro de fogo, assim como os profetas Jeremias e Ezequiel ajoelhados aos pés de Cristo diante dos grupos de mártires. Nos muros laterais outra série de pinturas representa São Cristovão, padroeiro dos viajantes, pela primeira vez na arte cristã ocidental.
A decadência da igreja, situada na periferia da aldeia de Galliano, começou em 1585, quando seus sacerdotes foram trasladados á cidade próxima de Cantu. Seu desaparecimento como templo, remonta a 1801, quando a igreja foi profanada e vendida depois para ser utilizada como granja. O campanário e uma das neves foram destruídos, o resto do edifício bastante danificado.
O grupo de afrescos de São Vicente é considerado pelo peritos como um dos mais importantes da arte em mutação do ano 1000.
Os trabalhos de restauração são realizados com a colaboração da Escola Politécnica de Milão para a análise dos pigmentos e microganismos.