quarta-feira, 1 de maio de 2013

O LIRISMO DE CARLOS SCLIAR NO MAMB - 30 DE ABRIL DE 1977


JORNAL A TARDE, SALVADOR,  SÁBADO, 30 DE ABRIL DE 1977

                 O LIRISMO DE CARLOS SCLIAR NO MAMB
O artista Carlos Scliar volta à Bahia desta vez para uma exposição individual organizada pela Fundação Cultural do Estado da Bahia no Museu de Arte Moderna, no Solar do Unhão. A mostra foi aberta ontem com grande participação de artistas e pessoas ligadas ás artes. A exposição intitulada Scliar/ Pinturas/Políptico/Ouro Preto 360.º consta de 55 pinturas e o Políptico Ouro Preto 360.° e Serigrafias.
  Scliar nasceu em 1920 e aos 15 anos de idade expõe pela primeira vez individualmente em Porto Alegre. Filho de família de artistas onde são encontrados cineastas, escritores, pianistas e fotógrafos Scliar não fugiu à regra. É um dos mais famosos artistas do País. Sua ligação com a Bahia é antiga e aqui possui vários amigos entre os quais Jorge Amado, Jenner Augusto, Emanuel Araújo e muitos outros. Já fez uma exposição em Salvador na antiga galeria Querino, que ficava na Rua Carlos Gomes. Foi ali que os baianos tiveram a oportunidade de ver reunidos várias telas do jovem mestre Scliar.
Segundo informa Jorge Amado todos os quadros foram adquiridos, o que possibilitou o enriquecimento do acervo baiano. Mas depois desta exposição, de quando em vez o mestre visita o interior baiano, principalmente Porto Seguro em busca de motivações para seu trabalho pictórico. E não podemos esquecer o imenso painel que pintou inspirado em Porto Seguro o qual encontra-se num prédio, no Centro Administrativo. De volta a Salvador, Scliar a convite da Fundação Cultural os brinda mais uma vez com os frutos de seu talento.

OURO PRETO 360.º/1976

O Políptico é constituído por dois grupos de quadros, cada um com dez peças, denominada Pilar e Antônio Dias. Sendo que cada peça mede 65 x 100 cm, pintados com vinil e vários pigmentos naturais da região óxidos de ferro, óxido de cromo verde e bióxido de titânio rutilo. O vinil  é pintado e encerra do sobre uma estrutura de madeira cedrinho revestida de tela.
Este trabalho foi realizado em Ouro Preto de março a junho em sala especial no salão Global, em Belo Horizonte; em agosto, na Biblioteca Municipal, sob o patrimônio da Fundação Cultural de Curitiba e em setembro na Reitoria da Universidade federal do Rio Grande do Sul, sob  patrocínio do Plano Cultural do Porto Alegre.
Em dezembro deverá ser exposto na Fundação Cultural de Brasília, e, finalmente, ocupará uma sala da residência do Sr. Amaury Fassy, em Brasília.

O ARTISTA


O pintor, desenhista e gravador Carlos Scliar iniciou sua carreira pictórica em 1930 e dez anos depois já estava em São Paulo onde participou do último Salão da Família Artística Paulista, no Palace Hotel, no Rio de Janeiro. Três anos depois foi convidado pela FEB lutando na Itália até 1945, datando desta época vários elementos focalizando tipos e aspectos da campanha da guerra. De 1947 a 1950 fixa residência em Paris. Os temas desenvolvidos são de influências sociais e seus trabalhos refletiam influências de conhecidos artistas brasileiros e mestres da arte expressionista alemã. Pouco depois fundou com Vasco Prado, Glênio Bianchetti, Glauco Rodrigues e Danúbio Gonçalves o famoso Clube da Gravura de Porto Alegre daí surgiu sua série mais importante de gravuras intitulada Estância, que reúne cerca de cinqüenta estampas. Em 1956 o inquieto Scliar abandona a gravura pela pintura e o desenho. Fez várias exposições em capitais brasileiras e no Exterior. Ilustrou o livro Seara Vermelha, de Jorge Amado nas edições brasileira, tcheca e israelita.
Além disto Scliar dirigiu do 1958 a 1960 o departamento de arte de uma  das principais publicações culturais que já apareceram neste País ou seja a revista Senhor editada no Rio de Janeiro.
Suas obras diversifica-se em retratos, paisagens e naturezas mortas inclusive com utilização de colagens, estimulado segundo alguns estudiosos da sua obra pelos papiers collés de Picasso e Braque, e talvez por sua ligação íntima com as artes gráficas.
Como afirma Roberto Pontual o artista Scliar capta a realidade na sua pulsação de tempo e silêncio. Uma pulsação que deriva dele injetar nas coisas, inicialmente recebidas como reflexo da pura superfície, a dose tranqüila ou febril da transfiguração, resultante de sua maneira própria de encará-las para aprender a densidade e o sentido do compreensível mistério que há em suas camadas.

ALGUMAS EXPOSIÇÕES
Paisagem XXV, vinil encerado com 65cm X 100cm.
 Coleção do artista

São Paulo, Rua Xavier de Toledo, 144, julho/Agosto 1940, 75 pinturas e desenhos, Rio de Janeiro, Praça Getúlio Vargas, 2-1.º Junho 1944. Sob os auspícios do Instituto dos Arquitetos do Brasil 28 guaches, nanquins e gravuras.
Rio de Janeiro. Agosto/ Setembro 1945, Sob o patrocínio do Instituto Brasil, Estados Unidos e do Instituto dos Arquitetos do Brasil 80 desenhos da série Com a FEB na Itália feitos em Pisa, Marzolara, Porreta, Terme, Alexandria, Florença, Francolize e a bordo do Pedro I.
São Paulo. Setembro 1945. sob o patrocínio do Comitê  Democrático Progressista dos Artistas Plásticos, 70 desenhos da série Com a FEB na Itália feitos em Piza, Marzolare, Porreta, Terme, Scandiano, Alexandria, Florença e a bordo do Pedro I.
Porto Alegre, outubro 195. Desenhos da série Com a FEB na Itália.
Porto Alegre auditório do Correio do Povo, 1950, 21 linoleogravuras para a edição francesa Les Chemins de La faim, Associations Latino-Americaine, Paris, 1949 do romance Seara vermelha, de Jorge Amado.
Porto Alegre, Clube de Gravura de Porto Alegre, Setembro 1955, 32 gravuras realizadas entre 1942 e 1955.
São Paulo, Museu de Arte Moderna de São Paulo, Março/Abril 1956. 60 gravuras realizadas entre 1942 e 1956.
Santos, Clube de Arte, Maio de 1956. Gravuras realizadas entre 1942 e 1956.
Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional. Junho/Julho 1956. 57 gravuras realizadas em ter 1942 e 1956.
Rio de Janeiro, Biblioteca Nacional, Novembro 1957. 55 desenhos.
Rio de Janeiro galeria Tenreiro. Abril 1960. 20 pinturas.
Porto Alegre, Pavilhão Setur. Abril 1961. Sob o patrocínio da Divisão de Cultura da Secretaria de Educação e Cultura do Rio Grande do Sul, 130 pinturas, desenhos e colagens, abrangendo o período de 1940, 1961
Rio de Janeiro, Petite Galeria, Julho 1961, Pinturas.
Belo Horizonte, Reitoria da Universidade de Minas Gerais. Novembro 1962, 30 pinturas.
Rio de Janeiro. Galeria Relevo. Junho/Julho 1963. 24 pinturas abrangendo 25 anos de atividade.
Milão, Galeria Profili, Novembro 1963. Pinturas.
Roma galeria D’Arte della Casa do Brasil. Dezembro 1963. 21 pinturas de 1958 a 1963. Pinturas.
Dusseldorf Kunstverein fiir lie Rheinlande und Westfalen. Julho/Agosto 1964. 25 pinturas de 1958 a 1963.
Salvador, Galeria  Querino, Junho 1964. 20 pinturas.
São Paulo, Galeria Astréia. Outubro 1964. 45 pinturas. Rio de Janeiro. Galeria Relevo. Novembro 1964: 30 pinturas e desenhos.