quarta-feira, 1 de maio de 2013

WALDOMIRO DE DEUS O PREDESTINADO -30 DE OUTUBRO DE 1976


JORNAL A TARDE, SALVADOR,  SÁBADO 30 DE OUTUBRO DE 1976

      WALDOMIRO DE DEUS O PREDESTINADO

O artista Waldomiro de Deus numa exposição
O pintor primitivo Waldomiro de Deus é um predestinado. Sua vida é algo de novelesco. Já desfilou pelas ruas de São Paulo vestido de saias, já tem em sua casa a urna funerária onde será enterrado, casado oito vezes, compositor, conhece vários países da Europa, Ásia e Oriente.
Semi-alfabetizado e natural do município baiano de Itajibá, este artista já foi alvo de dezenas de reportagens e jornais e revistas não somente brasileiras côo estrangeiras. Em minha vida de repórter jamais encontrei alguém nomeio artístico brasileiro, que foi tão focalizado pelo jornalismo.
Ele carrega consigo cinco grossos álbuns de recortes de jornais falando de suas peripécias e exposições realizadas.
É sobre esta figura que pretendo tecer alguns comentários. Waldomiro de Deus tem 32 anos de idade e começou sua carreira de pintor em 1959, quando em São Paulo trabalhava de jardineiro numa residência de uma família de italianos. Quando limpava um canteiro na imensa mansão encontrou alguns vidrinhos. Levou-o para o seu patrão e perguntou do que se tratava. Eram tintas de várias cores, e logo em seguida ele pediu permissão para usá-las. Daí passou a desenhar e pintar sem parar ao ponto de ser despedido porque estou precisando é de jardineiro e não de pintor disse-lhe o patrão. Foi despedido perdido na Grande São Paulo resolveu levar seus rústicos desenhos para o Viaduto do Chá, local onde desfilam milhares de pessoas todos os dias. Uma dessas pessoas apressadas ao passar pelos desenhos de Waldomiro resolveu comprá-los.
Ofereceu CR$ 15,00 por dois desenhos. O pintor raciocinou se ele dá CR$ 15,00 é porque valem mais. Pediu CR$ 20,00 e a compra foi efetuada. Do Viaduto do Chá foi convidado para fazer sua primeira exposição individual. Foi levado por um desconhecido para a redação da Gazeta de São Paulo e aí começou propriamente a sua trajetória na vida artística. Alugou um quarto e passou a trabalhar, e, hoje, já realizou dezenas de individuais.
Agora ele está expondo na Galeria Panorama, na Barra. São trabalhos de autêntico primitivo. De um artista que embora vivendo na metrópole não conseguiu perder sua natureza primitiva e seus valores de semi-analfabeto. A desproporção entre as figuras concebidas, a utilização de temas comuns na vida do povo brasileiro lhe credenciam para ser considerado pela crítica como um dos mais importantes primitivos do país senão do mundo.Aliado a estas qualidades Waldomiro de Deus é um cara de fácil comunicação.

Sua linguagem é uma linguagem simples da gente do interior, que pronuncia as palavras como entende, isto é, sem a preocupação em pronunciá-las como manda a gramática. Sua pintura é um trabalho instintivo. Um dom natural que vem sendo explorado por ele e aceito por todos aqueles que entendem a importância de sua obra simples e forte.
Obra de Waldomiro  em cartolina
As composições chegam perto do infantil. Um dos quadros expostos intitulado Namoro na árvore, mostra um casal abraçado num galho e embaixo um carneiro que tem quase a altura da árvore.
O curioso é que embora baiano poucos conhecem a sua obra. Isto porque Waldomiro cedo transferiu-se para São Paulo e passou a frequentar as galerias do Rio e São Paulo e do exterior. Esta é a sua primeira exposição na Bahia, sua terra natal.
A fidelidade á sua qualidade de homem do povo, simples da zona rural, lhe credenciam para o respeito que mantém hoje no setor artístico. Nada consegue abalar Waldomiro de Deus.
Quando ele pintou N.S. Aparecida de botas e numa minúscula saía e outros santos desnudos, como o Cristo de bermudas, vários setores da igreja o condenaram. Isto permitiu que ele se tornasse conhecido em todo o país e assim pudesse continuar pintando. Não tem amor as coisas materiais e sua vida artística é perfeitamente identificada com sua filosofia existencial.

                PROCURA DE SOLUÇÃO PARA O MOBILIÁRIO

Visando o encontro de novas formas de mobiliário para a arquitetura contemporânea o Instituto dos Arquitetos do Brasil e a Associação Brasileira de Desenho Industrial com o patrocínio da Forma S.A. Móveis e Objetos de Arte estão promovendo um concurso destinado á criação de um sistema integrado de móveis estofados, com vista aos mercados brasileiros e internacional.
O concurso foi lançado oficialmente no IX Congresso Brasileiro de Arquitetos, que está sendo realizado no Parque Ibirapuera em São Paulo. O concurso, tem méritos pois não visa apenas mais um produto original, uma solução nova na área do mobiliário.
Podem participar todos os profissionais associados aos Instituto dos Arquitetos e Associação Brasileiro de Desenho Industrial. Serão conferidos prêmios em dinheiro de CR$ 50, CR$ 25 e CR$ 15 mil cruzeiros aos três primeiros lugares e CR$ 7 mil para cada um dos anteprojetos escolhidos na fase final de seleção.
Os formulários de inscrição encontram-se á disposição dos interessados na secretaria do IAB e o prazo de entrega encerra-se-á no dia 26 de janeiro do próximo ano. Os trabalhos deverão ser inéditos, entregues também nas secretarias das entidades promotoras, sem qualquer assinatura, marca ou sinal de identificação.
Os desenhos deverão ser apresentados em cópias heliográficas em preto fino, fixadas em pranchas rígidas leves, no formato A-1, colorida ou texturizadas, acompanhadas, a critério do autor, com fotografias em preto e branco, no tamanho 18x24cm.
Como afirma o presidente da Associação Brasileira de Desenho Industrial, Marco Antônio Amaral Resende.Campo privilegiado de Intervenção para o Desenhista Industrial brasileiro, o móvel e sua história refletem o processo de evolução desta atividade de projeto.
Em 1930, foram Warchavchilk, John Jraz e Flávio de Carvalho. Na década de 40, foi a vez de Rino Levi, Artigas, Rudofzki, Zanini, Hauner, Tenreiro. Os anos 50 viram nascer o Studio de Arte Palma um fato divisor de águas, responsabilidade de Lina Bo Bardi e Giancarlo Palanti. De 1960 para cá, o número destas intervenções cresce exponencialmente. Ainda que de forma não tão vertiginosa também desenvolve-se nosso DI-acompanhando o desenvolvimento tecnológico e econômico do País. Foi, é, e continua a ser um processo lento, de idas e vindas. Impossível de se encarar com otimismo, mas como um trabalho a realizar-se. E que, de tempos em tempos, emite alguns de seus sinais a serem traduzidos..

                              PAINEL

O DIABO- O que será que estão bolando com o diabo? Acabo de receber um convite com a imagem gravada de um Exu e com as seguintes inscrições: Como o diabo gosta... Novembro 76, Rio Vermelho, Salvador, Bahia, Brasil. Esta figurinha tão familiar está deixando muitas interrogações. Vamos aguardar que ele aparece...

IMPORTANTE SUA OBRA- O homem Di Cavalcanti morreu e sua obra renasceu com muito mais força. As mulatas estão alegres e tristes, e as paisagens, que servem de fundo, cada vez mais belas. Emiliano Di Cavalcanti, partiu depois de semanas de sofrimento. Pintor, poeta, memorialista, tapeceiro, desenhista de jóias e até caricaturista. O pintor das mulatas foi-se. Elas ficaram com a incumbência de sempre lembrar DI Cavalcanti, que as amava.

ESSE PIMENTA- Está expondo na Rua do Paço, 58, na galeria Margot o pintor fluminense Esse Pimenta. Sua mostra abriu esta nova galeria. O artista já participou de várias coletivas e individuais. É um artista que prima pela figura e podemos afirmar que é bom pintor de casarios e de costumes. O Esse vive pelos cantos da velha Salvador retratando nossas ladeiras. Viaja constantemente por força de sua profissão por este Brasil afora e assim vai pintando as cidades por onde passa. Portanto tem uma trajetória pictórica, que será difícil algum dia uma retrospectiva, porque seus quadros estarão espalhados por este Brasil.

LOGOTIPO- O trabalho elaborado por Pedro Delpino Bernardes, João Eustáquio Delpino, Marcelo Portela Sampaio, Joaquim Heraldo Lima, João Claudio Santa Rosa e Ivan Pedro Jorge foi escolhido pela Funarte no concurso para seu logotipo. Os autores de projetos não classificados deverão solicitar a devolução dos seus trabalhos.

COLETIVA NA O CAVALETE- Trabalhos de Carlos Bastos, Rescala Luís Jasmin, Carl Brussel, Leonardo Alencar, Costa Lima, Jaime Hora, J. Cunha Antoneto, Britto, José Artur, Capelotti, Edson da Luz, dentre outros estarão expostos a partir do próximo dia 10 de novembro na Galeria O Cavalete.
Esta exposição é comemorativa dos quatro anos de fundação da galeria e representa uma homenagem de sua proprietária Jaci aos artistas que j realizaram exposições.

CENSURA- Chega agora às artes visuais. Foi apreendido o quadro Penhor de  Igualdades, do pintor Lincoln Volponi, premiado no IV Salão Global de Inverno de Belo Horizonte.