quarta-feira, 1 de maio de 2013

ARTISTAS COMEMORAM O BICENTENÁRIO DOS EUA - 09 DE ABRIL DE 1977


JORNAL A TARDE,SALVADOR,  SÁBADO, 09 DE ABRIL DE 1977

        ARTISTAS COMEMORAM O BICENTENÁRIO DOS EUA
Bicentennial Indian , de Fritz Scholder

Vinte bandeiras, doze gravuras originais, duas séries de cartazes, um com 13 trabalhos e outro com 10, e ainda cinco originais formam a exposição organizada pela Embaixada Americana intitulada O Bicentenário Visto por Artistas Americanos que será aberta ao público baiano a partir do próximo dia 14, ás 21 horas no Museu de Arte Moderna da Bahia.
O interessante desta mostra é que embora seja organizada pelo Governo americano cada artista teve a liberdade de exercitar sua criação sem qualquer interferência ou imposição. Muitos são artistas consagrados não somente nos EUA, mas em todo o mundo, que trabalham com especial carinho o tema Bicentenário, dando um significado da independência do seu país. Embora tenha utilizado formas de expressão em duas dimensões, bandeira, a gravura e o cartaz. O conjunto dos trabalhos apresenta uma grande variedades de estilos como também o medo de abordagem da temática, além de uma bonita combinação de cores o que comprova o nível de qualidade dos expositores, e por isto é muito gratificante esta exposição. Juntas as obras nos dão idéia como situam-se os artistas americanos diante deste fato que vem sendo alvo de uma maciça divulgação por parte dos responsáveis pelos destinos da nação norte-americana.
BANDEIRA
The 1920s... The Migrants Cast
Their Ballots, de Jacob Lawrence
Devido a grande identidade de uma nação através de sua bandeira alguns artistas escolheram a bandeira como meio de expressão apropriado para a comemoração do Bicentenário. Vinte artistas trabalharam neste projeto contribuindo com maquetas são eles: Richard Anuzkiewiczm ,Allan D’arcangelo, Will Barnet, Romare Bearden, Eduward Clark, Pierre Clark, Milton Glaser, Cham Gross, Charles Hinman, Buffie Johnson, Karen Katz, William King, Lyman Kipp, Kicholas Krushenick, Charles Levitan, Marisol Sylvia Stone, Robert Wegand e Todd Willams. Todas as bandeiras medem 114 x 160 centímetros e foram confeccionadas em tecidos de nylon com aplicações e bordados. Inicialmente elas foram expostas no Museu Hirshhrn, da Smithsonian Institution, em Washington. A utilização de cores fortes dá um efeito bidimensional saindo assim de sua função meramente tradicional. São experiências pessoais que são jogadas com tamanha liberdade que determinam as marcas da individualidade de cada artista que trabalhou no projeto.
Esta individualidade pode até ser sentida nos títulos dos trabalhos como as obras de Charles Levitan Lincoln Sprit que trata da complexidade do caráter de Lincoln. Já o artista Marisol com Wife of Modog, retrata uma mulher envelhecida e murcha de um índio americano, o verdadeiro nativo da América expulso de suas terras. Portanto um tema meramente de critica social e do comportamento do americano em relação ao tratamento dispensado durante séculos aos silvícolas. E assim seguem outros trabalhos que criticam posições oficiais do EUA o que demonstra a grande liberdade para tratamento da temática Bicentenário.

POSTERS E GRAVURAS

Os posters que serão mostrados foram encomendados pelo Serviço Nacional de Parques, são mais históricos em seu conteúdo do que outros trabalhos e forma feiros por Leonard Bakin, Saul Steinberg, Alan Coubert, Mark English, Dan Maffia, Paul rand, Chermayeff e Gelmscar. São 10 posters e mostram a importância que os americanos dão a rate comtemporânea.
Quanto ás gravuras a série foi intitulada O Espírito da Independência, produzida por 12 artistas: Will Barnet, Colleen Browning, Audrey Flack, Red Crooms, Joseph Hirsch, Robert indiana, Alex Katz,  Jacob Lawrence, Marisol Larry Rivers, Edward Ruscha e Fritz Scholder. Sem a presença de gravadores abstratos está série traz várias correntes da arte contemporânea, assim temos o realismo de Joseph Hirsch e Coleen browning e o expressionismo de Fritz Scholder. Nas gravuras de Alex Katz, Will Barnet e Jacob Lawrence temos a semi-abstração.
Portanto  destas considerações sobre estas exposições e os artistas participantes vamos aguardá-la com certa expectativa tendo em vista o bom nível e a técnica apurada dos trabalhos a serem expostos.

 MAIS UM MURAL VAI DESAPARECER EM SALVADOR


Já abriram duas portas e construíram um armário
danificando o mural
O grande e belo mural de Carlos Bastos, que retrata aspecto do Porto da Bahia, no século XIX, está ameaçado de desaparecer com a demolição do prédio onde funciona o Banco Francês Brasileiro, na Zona do Comércio. Para o artista é motivo de mais uma tristeza, porque caso desapareça, será o quinto trabalho perdido. Hoje, com 51 anos de idade, o próprio artista confessa que não tem mais físico para subir e descer escadas confeccionando murais. Portanto, cinco murais deste artista, já foram destruídos com demolições, pinturas e outras aberrações tão comuns nos dias atuais.
Magoado,  Carlos Bastos diz que a Bahia já teve um período, em que era considerada a maior cultura do Brasil. Mas, só existe fama mesmo, pois o que vejo em teatro por exemplo, não me anima a freqüentá-lo.
Ele considera que teatro é tão importante como pintura, mas até o Castro Alves, que deveria ser bem conservado, está caindo aos pedaços e a programação não me atrai, pois deveria também apresentar óperas e outros espetáculos que todos devemos ver.
O artista ao falar sobre seus trabalhos, diz que já pinta um quadro numa maneira de ser preservado futuramente.
No caso do mural do Banco Francês, ele diz que pode ser poupado através de  várias maneiras. Uma delas é destruir o prédio, deixando a parede como muitos outros já fizeram. Outra é cortar em blocos, e rearmar depois em outro local.Existem meios de salvar, mas o progresso embora goste dele, é símbolo de destruição.

QUASE GRÁTIS

O mural em questão, colorido com maior força, nas cores azul e marron, mede aproximadamente 25 metros Poe 4,5 metros, e o autor diz que há algum tempo vem sendo destruído com a abertura de portas e colocação de interruptores de luz e outros danos. Pelo preço que me pagaram ao pintar o mural, CR$500, se fosse levado em  conta, jamais seria destruído,pois hoje eu não cobraria menos de CR$600 mil, para fazer um semelhante nem meso considerando, que para o artista, o essencial é criar.
Carlos Bastos já morou no Rio, e fez exposições nos Estados Unidos, Espanha e França, entre os diversos lugares onde mostrou sua arte. Voltou para a Bahia, em definitivo, em 1973, quando foi convidado do Governo, para pintar o painel da Assembléia Legislativa, com 160 metros quadrados. Ele lamenta sobre tudo, o trabalho que tem para pesquisar e tentar deixar uma obra que retrata uma época que passou e que não tem muitas lembranças documentadas.

                         PAINEL

VIDA DE CAVALCANTI- o último filme de Glauber Rocha retrata um pedaço da vida de Di Cavalcanti e tem o título do soneto de Augusto dos Anjos. Ninguém assistiu ao formidável enterro de sua última quimera, somente a ingratidão essa pantera, foi sua companheira inseparável.
O filme será apresentado nos dia 15,16 e17 próximos, no auditório da Biblioteca Central. O filme foi realizado a cores e tem duração de 17 minutos, e contou com o apoio financeiro de CR$ 223 mil cruzeiros da Embrafilme.

NOVO SALÃO- como é do conhecimento dos amantes das artes, foram adiadas as datas dos salões oficiais de artes plásticas, por ordem do Ministro Ney Braga da Educação. Os salões serão fundidos, e os resultados dos trabalhos serão conhecidos dentro de 60 dias. Sabe-se que o valor monetário do prêmio de viagem será corrigido, e o tempo de permanência do artista contemplado, será reduzido para um ano no Exterior, e seis meses no País, cabendo a Funarte todas as providências com passaporte, depósito compulsório, franquia alfadegária, etc.
Para dar oportunidade aos mais jovens, será estabelecido um limite de idade e não haverá distinção entre as  diversas técnicas. Também estamos aguardando mudanças no critério de formação do júri, que teria maior número de membros, o qual seria composto não apenas de críticos. Vamos aguardar.

ZU CAMPOS- a tranqüilidade de Zu Campos esconde a grande responsabilidade que pesa sobre seus largos ombros. Foi Zu quem iniciou no seu atelier, localizado na casa de número três, na Ladeira de Santa Tereza, a escola de entalhe na Bahia. Foi dali que saiu Edmilson Ribeiro, Chimba, Pedro Museu e muitos outros, que hoje concorreram no mercado de arte com seu velho mestre.
Agora, depois de um curto período de ausência, eis que volta o mulato Zu Campos, para mostrar toda a força do seu talento, refletida nos profundos suíços, que fez nos objetos confeccionados em madeira. Sua exposição está montada na Galeria Cañizares.

NOVOS ARTISTAS - Desde o primeiro dia que faço esta coluna que tenho propalado a necessidade de uma maior abertura para divulgação de trabalhos de novos artistas . Agora , mais uma vez, convido a todos aqueles que realizam trabalhos dentro das artes visuais para enviarem suas colaborações que serão aqui publicadas.
Este trabalho é de Nildão, estudante de Jornalismo, na Escola de Comunicação da Universidade Federal da Bahia . Considero este artista um dos melhores cartunistas da Bahia e precisa de apoio  para ganhar novos espaços...