quinta-feira, 2 de maio de 2013

ÂNGELA CARDOSO RETORNA E EXPÕE NA GALERIA O CAVALETE


JORNAL A TARDE, SALVADOR, SEGUNDA-FEIRA , 27 DE NOVEMBRO DE 1989



Ângela ao lado de um desenho de técnica mista que vai expor
Está de volta, para a nossa alegria, Ângela Cardoso, que passou uma temporada afastada das telas e do circuito artístico por opção e outras preocupações particulares. Aliás já lhe falei pessoalmente que esta sua opção nos privou do acompanhamento de sua produção.
Mas, o que importa é que chegou e está aí para lutar por um lugar a sol, com muita garra, alguma inibição e até nervosismo. Mas ela é assim mesmo e tenho certeza que dentro de pouco tempo estará caminhando célere em busca de uma produção pictórica de boa qualidade. Essa exposição que inaugura no dia 30 na galeria O Cavalete já é uma pequena amostra de sua potencialidade e principalmente de espontaneidade como seus personagens vão surgindo e ocupando o branco da tela ou do papel. É uma pintura doce, que na leveza do traço e do colorido, revela exatamente a sua própria maneira de ser.
Para melhor compreensão desta artista transcrevo um texto de Zivé Giudice inserido no catálogo e outro que fiz para essa exposição da Ângela. 
Vejamos: Existem artistas cuja obra é essencialmente cerebral, pensada, rigorosamente sintonizada com certas tendências e o seu tempo.Existem artistas cuja obra surge espontaneamente da necessidade de revelar certos sentimentos e energias. Ângela Cardoso é uma artista assim.
Com uma carreira recente, surgiu no 1ª Salão Baiano de Artes Plásticas, 1988, premiada no 2ª Salão Baiano, 1989, mas com uma produção considerável, até porque ela sabe e acredita que, só assim, trabalhando muito, será possível obter resultados em favor da sua obra. Ângela Cardoso já se insere entre os novos talentos das artes plásticas na Bahia. A sua produção atual nos revela um trabalho mais depurado onde certos artifícios começam a dar lugar a uma ideia, um pensamento. Avanços discretos, mas com sabedoria e a paciência de quem sabe que também o tempo é imprescindível- Zivé Giudice.
Sua vivência entre seus cinco filhos deu-lhe um sentimento maternal de alegria. Uma alegria que está estampada nos risos de mulheres fartas, preguiçosamente deitadas ou recostadas e nos muitos elementos circenses que povoam o seu mundo pictórico.
Depois de permanecer três anos sem realizar qualquer obra com cunho profissional, Ângela Cardoso retorna, e retorna com o pé direito ficando em seu aprendizado e em sua percepção. Ela consegue trabalhar bem com  os pastéis oleosos, com guache, e acrílico, unindo técnicas e sempre procurando preencher todos os espaços das telas.
As cores são trabalhadas, e com isto não temos cores cruas. Acredito que facilmente Ângela Cardoso vai ocupar um lugar de destaque no mercado de arte baiano porque ela  tem o potencial e disposição para enfrentar os tortuosos caminhos da profissão- Reynivaldo Brito.

GALERIA ABRE COM OBRAS DE RAIMUNDO OLIVEIRA

Começa bem a Galeria de Arte Ada que estará funcionando a partir de amanhã na Alameda Antunes, nº18, na Barra sob a direção de Adailda e do publicitário Fernando Carvalho. Para marcar a abertura desse novo espaço cultural, eles programaram uma individual do saudoso e festejado Raimundo Oliveira, inclusive o catálogo convite da inauguração traz uma foto desta obra do pintor feirense, que reproduzo acima. Também é muito positiva a disposição dos proprietários da galeria em prestar uma homenagem permanente ao mestre Clarival Prado Valadares, fixando o seu nome em ambiente desse espaço cultural, como também de Raimundo Oliveira.
Falo com alegria desta homenagem, especialmente a do mestre Clarival pela sua sabedoria e simplicidade. Lembro do convite que Ivo Vellame lhe fez para ser jurado de um salão que organizou e, com que respeito e cuidado ele emitia conceitos ou pareceres sobre as obras de artistas iniciantes. Sua palavra era sempre marcada pela conciliação.
Por outro lado, o surgimento de um novo espaço para a arte é sempre visto por este colunista com muita alegria e disposição de incentivar para que surjam outros. O artista baiano precisa ser mostrado e apresentado profissionalmente, afastando alguns aventureiros que confundem comercializar arte com vender bananas por trás do balcão de uma quitanda.
Tenho plena certeza que Adailda e Fernando vão dar mais uma demonstração de competência, administrando profissionalmente a Ada Galeria de Arte e que este espaço seja realmente um elemento propulsor do movimento artístico da Bahia.

  CÉSAR ROMERO VAI EXPOR SEUS SIGNOS EM BRASÍLIA

Faixa Emblemática,obra de César Romero
O artista César Romero abre uma nova exposição amanhã na La Galleria de Brasília onde vai mostrar suas faixas emblemáticas até o dia 12 de dezembro. São 25 pinturas e um recorte executados nesses últimos dois anos, utilizando liquitex sobre tela. Os formatos, informa o artista, variam de 60x60 a 100cm x 100cm.
César Romero tem ocupado quase todo o seu tempo e energia em busca constante e ininterrupta de uma visualidade brasileira, correndo atrás de uma semiótica nordestina, que é traduzida de forma plástico-visual. Entende César que sua arte enquanto linguagem, é uma sucessão de símbolos de raízes ancestrais, que emerge do popular.
São 11 anos de trabalho onde ele vem coletando, reinterpretando e recriando uma coerência interna e registrando as marcas que o povo criou. César diz ainda que as colchas de retalhos feitas cuidadosamente com muita criatividade pelas mulheres pobres nordestinas lhe interessaram pela variedade de cores, formas e as texturas diferenciadas. Daí evoluiu para uma representação plástica onde o movimento surge dando mais vida ainda àquela peça importante do artesanato nordestino.
O artista não se acanha em dizer que sua obra pretende ser uma espécie de memória do meu povo. Há um lado seletivo em mim, um lado de escolha intelectual, onde filtro o popular, que é sempre raiz e o transformo numa meta-linguagem, recriando os sinais populares. Sempre estive ligado ás manifestações populares.
Hoje ele cuida muito da pintura nos seus valores intrínsecos, porque a minha pintura está com novos signos pesquisados em recentes viagens pelo Nordeste. Tenho buscado novas cores e entonações.