quinta-feira, 2 de maio de 2013

BAHIA AUSENTE OUTRA VEZ DA BIENAL DE SÃO PAULO


JORNA A TARDE,SALVADOR,  SEGUNDA-FEIRA 02 DE OUTUBRO DE 1989




Mais uma vez, a Bahia está ausente do maior evento das artes visuais do País, que é a Bienal Internacional de São Paulo, um dos mais importantes do mundo, perdendo para a Bienal de Veneza, na Itália, e a Documenta, na Alemanha. Basta dizer que este ano participarão 42 países incluindo o Brasil, com trabalhos de 156 artistas, além de um número não determinado de artistas com eventos especiais, com obras de cenografia, teatro, dança, música, eletrografia, arte por computador, Projeto Natureza, dentre outros.
Soube por intermédio de alguns artistas que uma representação da Bienal veio à Salvador num final de semana e que foi orientada por uma pessoa ligada à ex-Fundação Cultural e teve contatos com uns poucos. Passeou pelas praias baianas, andou por onde bem entendeu o seu anfitrião e, em seguida, rumou para São Paulo. Não viu a produção dos artistas baianos como deveria. Não esteve com quem pudesse lhe conduzir ou apresentar a outras pessoas envolvidas com a arte baiana. Esta aí o resultado. A Bahia sempre sai perdendo.
Escultura de Brecheret , O Índio e a Suaçuapara,1951
Esta XX edição da  Bienal Internacional de São Paulo foi organizada por três curadorias a Internacional, sendo curador Carlos Von Schmidt: a Nacional curadora Stella Teixeira de Barros: e a de Eventos Especiais, cujo curador e João Cândido Galvão. Além das representações de países que concorrem a prêmios, existem as Salas Especiais de características retrospectivas e históricas. Cada uma dessas salas tem curadoria própria, sendo que as estrangeiras estão relacionadas a Curadoria internacional, e as brasileiras, á Diretoria da Bienal.

Serão atribuídos dois prêmios internacionais a um artista e ao conjunto de obras de um país, sendo os mesmos uma réplica em bronze da escultura de Victor Brecheret, O Índio e a Suaçuapara, que pertence ao acervo do Museu de Arte Contemporânea de São Paulo. Outro prêmio será destinado aos Eventos Especiais. A representação brasileira, além de concorrer aos prêmios internacionais, será contemplada com o Prêmio Fundação Alexandre Gusmão Vinculado ao Ministério das Relações Exteriores, que e aquisição no valor de 40 mil dólares.

SERVIÇOS

Há uma equipe de 30 monitores nos idiomas inglês, francês, espanhol, italiano, japonês e árabe, além de português e dois intepretes para surdos e mudos a disposição de grupos de visitantes.
Será promovido um concurso de trabalhos escolares sobre a Bienal para alunos de escolas municipais da 5ª a 8ª série  do primeiro grau. As escolas interessadas podem solicitar informações pelo telefone 3572-7722, ramal 25 com Sônia Skroski. O concurso tem apoio da Secretaria Municipal de Cultura e da Secretaria Municipal de Educação e outorgará prêmios aos dois melhores trabalhos duas cadernetas de poupança em nome dos alunos premiados.
Durante a mostra, estarão funcionando no Pavilhão da Bienal ambulatório médico do Unicor, com ambulância e helicóptero a disposição: agência bancária com setor de câmbio: posto policial: sala de imprensa equipada com telex: livraria com publicações de arte nacionais e estrangeiras: loja com artigos referentes a 20ª Bienal pôster, catálogo, camisetas etc: lanchonete e restaurante.
A 20ª Bienal estará aberta ao público de 14 de outubro a 10 de dezembro, diariamente exceto as segundas-feiras das 14 as 22 horas.
Os brasileiros terão, pela primeira vez, um catálogo em conjunto, enquanto convidados a representar o Brasil delegação brasileira..
A Companhia Antártica Paulista patrocinará este catálogo, que será em cores e bilíngüe. A tiragem Serpa de cinco mil exemplares: 1500 exemplares em capa dura e 3500 em brochura.
O catálogo terá, aproximadamente, 120 páginas, com fotos em preto e branco e em cores e um texto sobre cada artista. Seu formato será o mesmo do catálogo geral da XX Bienal Internacional de São Paulo.
No momento estamos recebendo material para o feitio do catálogo, como textos, fichas técnicas das obras e fotografias.
O artistas brasileiros convidados pára  a XX Bienal são: Amilcar de Castro, Anésia Pacheco e Chaves, Anna Bella Geiger, Carmela Gross, Carlos Vergara Cildo Meirelles, Daniel Senise, Eduard Sued, Emmanuel Nassar, Esther Grinspun, Fábio Miguez, Flávia Ribeiro, Flávio Shiró, Frida Baranek, Hilton Barredo, Jac Leiner, Jorge Guinle, José Resende, Katte van Scharpenberg, Marco do Valle, Marcis Coelho Benjamin, Mônica Sartori, Nuno Ramos e Sérgio Camargo.

SALA VICTOR BRECHERET

O escultor Victor Brecheret ( Foto) será homenageado, na XX Bienal Internacional de São Paulo, com uma Sala Especial de 300², patrocinada pelo Banco do Brasil.
Coordenada pelo curador arquiteto Cesar Luís Pires de Mello e orientada por Sandra Brecheret filha do grande escultor que integrou o grupo de artistas da Semana de 22, uma equipe de especialistas fez uma seleção de cerca de 20 obras representativas de sua produção, inclusive algumas inéditas.
As peças expostas serão cedidas por museus, bancos e colecionadores.
As fotos serão de Rômulo Fialdini.
A pesquisa histórica cuidará da parte informativa da mostra.

DA SALA

 O arquiteto César Luís Pires de Mello criou para o espaço um projeto em que formas, luzes e telas metálicas envolvem os módulos, dando destaque a cada uma das peças.
Para que a sala fique em destaque, as cores da bandeira paulista, vermelho, preto e branco, vão simbolizar a justa homenagem do povo de São Paulo ao eminente artista.
Edição Comemorativa, patrocinada pela Fundação Banco do Brasil S/A. Durante a XX Bienal Internacional de São Paulo, será lançado, na Sala Especial.
Uma Edição Comemorativa, sobre Brecheret, com texto de apresentação de autoria do professor de História da Arte da Unicamp, Luiz Marques.

CONFRONTO DOS BRASILEIROS

O confronto dos artistas brasileiros no início dos anos 50 com a produção internacional que chegava ao País através da Bienal provocou alguma reação. Pintura Abstrata: Efeito Bienal- 1954, 1963 será uma sala para estudar tal questão.
A equipe de trabalho, o curador Cassimiro Xavier de Mendonça, a pesquisadora Cecília Ribeiro e o arquiteto Augusto Lívio Malzoni estão procurando localizar obras de 24 artistas, correspondendo ao que foi visto entre a 2ª e a 6ª Bienais, dentro da abstração informal. Dividida entre o abstracionismo lírico e o expressionismo abstrato, tanto na França, onde ela caracterizava a maior produção da Escola de Paris, como nos Estados Unidos, onde teve teóricos importantes como o critico Clement Greenberg, ela provocou o aparecimento de artistas fundamentais para o avanço da arte do século XX. Mas como é que essa pintura se irradiou para o Brasil? Ela surgiu em sintonia com as descobertas internacionais ou foi um efeito Bienal. Ou ainda graças a Bienal e que os artistas tiveram confiança de arriscar sena abstração. Essas são as questões que essa sala pretende colocar para o público. Além disso, a sala volta a ter uma atualidade além do caráter da informação histórica pois, trata de uma pintura que lida com a transparência, com a materialidade, com o gesto e o ato físico da pintura e da incapacidade da arte de trabalhar com o real questões que voltaram a ter uma pungente atualidade na arte de hoje.
Artistas: Anatol Wlasditaw, Antônio Bandeira, Arcângelo Ianelli, Arthur Luiz Piza, Celso Renato de Lima, Danilo de Prete, Ernestina Karman, Franz Krajcberg, Glauco Rodrigues, Henrique Boese, Iberê Camargo, Ivan Serpa, Laszio Meither, Loio Pérsio, Maria Leontina, Maria Leonita, Maria Helena Andrés, Manabu Mabe, Mira Shendel, Samson Flexor, Sheila Brannigan, Tomie Ohtake, Yolanda Mohaly, Wega Nery.

DUAS GERAÇÕES NA ARQUITETURA

Obra de Paulo Mendes da Rocha, em Vitória, ES
Artigas e Paulo Mendes da Rocha representam, cada um à sua maneira, o racionalismo arquitetônico.
Poetas do concreto armado, sediam suas arquiteturas em São Paulo, fazendo-as nacionais e internacionais. Com obras realizadas por toda parte, no Brasil e fora, armam ma arquitetura paulista, na sua beleza clara, transparente, sem subterfúgios.
Ambos, a quem o espaço funcional e a proposição estrutural representam um único princípio, e o concreto a matéria-prima, cuja plasticidade tudo permite, são convidados a compor esta Sala Especial Arquitetura. Artigas através da Fundação Vilanova Artigas, e Paulo pessoalmente.
Vilanova Artigas, nascido em 1915 e falecido em 1985, é o grande responsável pela materialização do que conhecemos, hoje, por arquitetura paulista.
Paulo Mendes da Rocha, 1929, também com intensa atividade na formação de arquitetos, na USP contribuiu no impulso à modernização do ensino desta arte.