quinta-feira, 25 de abril de 2013

CELUQUE NOS TRANSPORTA A0S MISTÉRIOS DO COSMO - 18 DE SETEMBRO DE 1989


JORNAL A TARDE,SALVADOR, SEGUNDA-FEIRA 18 DE SETEMBRO DE 1989

CELUQUE NOS TRANSPORTA A0S MISTÉRIOS DO COSMO


Fractal,obra de Celuque em acrílica sobre tela
O homem, desde os primórdios de sua existência, mostrou e mostra um certo fascínio pelo desconhecido. Ao contemplar o céu com suas estrelas, satélites e planetas, utilizando ferramentas cada vez mais sofisticadas, dá alguns passos procurando desvendar os mistérios. Mas eles são muitos e as galáxias estão distantes de nós e até mesmo a extraordinária investida da Voyager II, que a esta altura encontra-se em local desconhecido, é apenas um pequeno ponto em relação à grandiosidade desses mesmos mistérios.
Fascinado pelo universo, o artista Celuque consegue efeitos de luminosidade que engrandecem a sua obra. Utilizando de um fundo preto e tintas acrílicas, Celuque que constrói o seu universo onde corpos celestiais gravitam em movimentos coordenados do preto, ora o alaranjado, ora o branco e agente fica extasiado diante da possibilidade de viajar por este mundo luminoso e misterioso. Aí damos asas á imaginação e percorremos como esses heróis das histórias em quadrinhos e que atualmente invadem o vídeo, as galáxias que conseguimos criar e realizamos viagens fantásticas.
De repente nos deparamos com suas obras onde predomina a ação de quebrar, de desperdiçar, tendo a sua origem no latim de fractor, o que quebra. Assim Celuque vai construindo suas obras que simplesmente as chama de fractais, como resultado de um corpo inteiro que se vai dividindo em pedaços e esses em nova partículas que vão-se fracionando se quebrando numa ação multiplicadora. Em alguns momentos a gente tem a sensação que suas partículas estão em ação, aumentando á medida em que-se vão fracionando. Realmente, essas obras, onde surgem os elementos que nos transportam ás galáxias e ás fractais, demonstram maturidade do artista que dispõe de toda uma técnica e criatividade exemplares.
Quanto a presença da figuração, confesso que senti que Celuque não chegou lá. Falta alguma coisa que faça a ponte entre esta figuração e os elementos do mundo de sua fantasia cósmica. A figura do Davi, mesmo envolvida por alguns elementos pictóricos que acompanham a sua obra, não foi capaz de me emocionar. Cheguei a conversar com Celuque e ele me respondeu que pretende continuar trabalhando também com a figuração. Espero que no futuro próximo possa encontrar exatamente o que busca, para que acabe este hiato entre esses dois momentos de sua arte.
Sua exposição apresenta um bom nível do conjunto das obras, principalmente as telas que lembram os elementos do Universo. A luminosidade é perfeita, com grandes efeitos de cores fortes, e, mesmo á disposição e agrupamento das manchas de cor. São obras para serem observadas numa certa distância para que o espectador sinta toda a profundidade que o artista quis transmitir.

CENTO E VINTE PAINÉIS DE ART NOUVEAU NO TCA

Cento e vinte painéis de Art Nouveau compõem  a mostra organizada pelo Instituto Goethe de Munique formados de fotografias, diapositivos grandes e algumas peças de móveis que ilustram bem este momento da arte mundial. As peças são exemplos procedentes de quase todos os países europeus e dos Estados Unidos, a influência do Jugendstil nas áreas da arquitetura, pintura, decoração interiores, artes aplicadas, esculturas, ilustração de livros e cartazes.
O material será exposto agrupado de acordo com os estilos floral, linear e geométrico, que caracterizam a Art Noveau, como também é conhecido este período da história da arte que se estende  de 1980 a 1910 e que os países de língua alemã chamam de Jugendstil.
A exposição que o Instituto Goethe de Salvador vai montar será aberta no próximo dia 20, no Foyer do Teatro Castro Alves, onde permanecerá até o próximo dia 15 de outubro.
A Arte Nova não está isenta de reminiscências barrocas. O enunciado quase patético é um traço comum a ambas as épocas. O movimento dinâmico, os ritmos freqüentes das linhas curvas e ondulantes, a utilização, como ornamentos de figuras de peixes e insetos, as extremidades espiraladas e curvas dos motivos e a sua plasticidade são aspectos também comuns. O romantismo tinha já aprofundado o interesse pela investigação da história da arte; mas só nos fins do século se produziram resultados visíveis, que não tem caráter historicista, antes são o resultado de uma oura reflexão. Como precursores do movimento global da arte  do fin de siécle podem citar-se os grupos de pintores que se formaram em Inglaterra, em França e na Alemanha na viragem do século, os chamados pré-rafaelitas, os nabis e os nazarenos.
Nestes grupos trabalham pela primeira vez artistas individuais conscientemente num estilo uniforme. Verificava-se neles um vivo intercâmbio de idéias, que ia enriquecer os pintores individualmente e lhes permitia elevar-se acima das suas próprias possibilidades.
A influência mais duradora foi a dos seus quadros, o recurso e ritmos florais são tendências que vamos encontrar também na Arte Nova internacional. Um sentido estético extremamente requintado animou também todo o fin de siécle. Os símbolos do movimento pré-rafaelita, a flor-de-lis, o olho de pavão e o girassol, bem como as figuras de mulher tristes e misteriosas, são característicos de toda a pintura da viagem do século.
Os fatores referidos levaram, nos diversos países e de acordo com a situação e mentalidade específicas, á formação de uma imagem diferenciada daquilo que pretendemos formular com o conceito de Arte Nova. Também a personalidade dos artistas se transformou neste período. Ao lado do pintor e do escultor tradicionais surge, com importância decisiva, o artista que marca todas as formas de expressão e criação com seu estilo próprio: O arquiteto não projeta apenas o edifício, mas também todo o equipamento, indo até os mais pequenos detalhes. Pretendia-se, que a nova concepção do trabalho artístico se estendesse a todos os objetos.
Jugendstil é o termo usado nos países de língua alemã para uma época da história da arte que se inicia por volta de 1890, e que de há uns anos a esta parte vem suscitando um interesse verdadeiramente notável. Este interesse é múltiplo, não se limitando apenas no âmbito da arte, mas alargando-se a todo o estilo de vida da chamada Belle Époque. Os olhares que se voltam para trás enchem-se da nostalgia dum mundo cheio de grandes nomes, que tinha sido o do período burguês da fundação do segundo império alemão, e esquecem a atmosfera quase revolucionária em que vivia este seu mundo.
Esta imagem superficial é, assim, contraditória, e move-se freqüentemente no âmbito das emoções sensuais e da vivência duma geração. Por aqui se pode ver já como o Jupendstil abrange um vasto domínio, ainda não totalmente explorado, pelo simples fato de que ele suscita esperanças e pensamentos extremamente subjetivos que, alíás, se revelam quase todos corretos. Raramente uma categoria da história da arte designa uma variedade tão grande de formas de expressão, sobretudo se pensarmos no curto período a que se refere a chamada viragem do século. Por um lado, os produtos de luxo de toda uma geração que quer criar as suas formas de expressão próprias, por outro lado, a confissão artística de uma época que pretendia restaurar a unidade de vida  e arte. Certos aspectos do mau gosto do século XIX, contra os quais o novo estilo precisamente lutou e dos quais nos libertou, t~em sido incorretamente apelidados de Jugendstil, e daí o considerarem-se freqüentemente a peluche e as palmas como motivos estilísticos característicos da Arte Nova.