terça-feira, 23 de abril de 2013

SALÃO DE VERÃO NASCE VITORIOSO - 22 DE JANEIRO DE 1977


JORNAL A TARDE,SALVADOR,  SÁBADO, 22 DE JANEIRO DE 1977

          SALÃO DE VERÃO NASCE VITORIOSO

Um óleo sobre tela de Antoneto mostrando uma festa na vila
Dos 185 artistas inscritos no 
I Salão de Verão organizado pela Fundação Cultural do Estado, apenas 69 vão expor seus trabalhos.
Foram enviados 518 obras entre pinturas, esculturas, objetos, xilos e desenhos das quais apenas 168 serão mostradas, depois de uma cuidadosa seleção, feita pela comissão julgadora do Salão. Como participante da comissão julgadora considero este Salão gratificante pelo volume de obras apresentadas e pela qualidade das obras de alguns novos valores que começam e despertar no setor das artes visuais em nosso Estado.
No entanto, notei a disciplina de alguns artistas conhecidos e, com exposições realizadas, inclusive por órgãos culturais, em enviar para o Salão, trabalhos sem qualidade. Esta displicência mostra o desinteresse ou simplesmente não sabem medir o valor do seu trabalho. Isto resulta em desprestígio, que pode ser avaliado ,pelo número de obras retiradas  pela comissão. Assim o público terá oportunidade de visitar as salas onde ficarão expostas as obras e encontrar apenas um quadrinho, insignificante, de uma artista conhecido.
Os Bichos do artista Francisco Augusto

É um exemplo para os que começam. A necessidade de uma autocrítica, de uma reavaliação daquilo que estão fazendo em relação ao que fizeram antes. É a febre das frases. O artista nem começa e já alcança três ou mais fases. O trabalho artístico é fruto de um amadurecimento de uma ideia e como tal deve ser concretizado. Nada de extravagâncias ou muito menos improvisação neste País do jeitinho. Vamos trabalhar sério, mostrando aquilo que sabemos fazer em benefício próprio e da cultura baiana.
Notamos também que certas pessoas continuam trabalhando tão mal como começaram. são casos que a única solução é a desistência. Parece duro a gente falar em desistência, mas é a realidade. Essas pessoas foram eliminadas do Salão.
Este Salão tem por objetivo proporcionar uma amostragem  mais panorâmica possível das artes visuais em nosso Estado. Não existiu o espírito de concorrência, embora estejam presentes os Prêmios de 

Detalhe de uma tela de Luis Britto

Aquisição que serão conferidos por entidades culturais e empresas privadas. A mostra foi reduzida ou ilimitada simplesmente por falta de qualidade dos trabalhos apresentados por algumas pessoas e pelo espaço físico disponível a montagem. Assim cada artista exporá no máximo duas obras. Tivemos muita dificuldade em julgar os trabalhos apresentados. Eram 518 obras. Nos reunimos por mais de seis horas seguidas e revimos por duas vezes as obras recusadas para diminuir a possibilidade de erro. Chegamos a um consenso geral na escolha desses nomes que são: Maria Luísa; Vera Lima, Maria Betânia; Ida Reis, Kátia Berbert, Francisco Nascimento, Eduardo Carvalho, Elmo Sacramento, Luís Brito, Otávio Nascimento, Justino Marinho; Ubirajara Mutti, Leonel Rocha, José Antônio Cunha, Idalina Almeida, Glei Melo, Hermes Lopes, Francisco Vieira, Walter Pinheiro, Itamar Espinheira, Henrique Pepe, Gilson Rodrigues, Miguel Najar, Romilda de Oliveira, Anna Georgina, Arlindo Gomes, César Romero, Roberval Marinho, Carlos Alberto Simas, Graça Ramos, Zélia Oliveira Rosa Alice, Sérgio Velloso, Waldenberg,  Denise Pitágoras,  Edson Calmon, Gildázio Vieira, Maria Auxiliadora Lopes, Zivé Giudice, Maria Adair, José Palles, Carlos França, Reinaldo Gonzaga, Humberto Vellame, Edmilson Ribeiro, Antônio Luiz, Sólon Barreto, Roberto Meirelles, Rita Barreto, Bartira, Francisco Assis, Therezinha Lima, Ângela Maria Cunha, Maria Tehofila da Silva, Joselito Duque, Tião Claudio Vultagio, Ângela F. Cunha, Emma Vale; Leo Toniolo, Yuriko Kaminda, José Artur, José Leão Bandeira, Wilson Isse, Antônio C. Meireles, Eduardo Simas, Hilda de Oliveira, Bráulio Lopes, Paulo Diniz, Antônio Benedito, Fernando Belém, Cléia Azevedo, Jorge Bandeira, Leila Maria Gaeta; Severina de Melo, Carmem Carvalho, Clara de Souza, Alberto Borba, José Emerson, Botelho Pedrosa, Gláucia Maria, Calixto Sales, Bruno Visco, Antoneto, Zu Campos, Herbert Eloy, Renato de Medeiros, Marlene Cardoso, Márcia Tourinho, Juarez Maranhão, Almiro, Rita Moraes, José Carlos Lauria, Benedito Barreto, Marlene Batista, Sidney Roberto, Renato Viana.

DETALHES
Tela do primitivo Jorge Bandeira


Os nomes apresentados aqui não estão em ordem de classificação, porque o I Salão de Verão não tem classificação para evitar a competição entre os artistas. A relação obedece a ordem em que a comissão ia escolhendo os trabalhos enviados. Quanto aos recusados, trabalhos, podem ser retirados a partir de terça-feira no Museu do Estado, situado na Avenida Joana Angélica.
Por indicação de um dos membros da Comissão julgadora foi aprovada para  apreciação pela Funarte Estado, situado a Avenida Joana Angélica.
Por indicação de um dos membros da Comissão Julgadora foi aprovada para apreciação pela Fundação Cultural, uma moção para que sejam escolhidos cincos artistas, que posteriormente seriam lançados numa exposição, visando incentivá-los.
A Comissão Julgadora foi composta de Calasans Neto, Reynivaldo Brito, Ivo Vellame Jacyra Oswald, Geraldo Machado e Pasqualino Magnavita.
Notamos ainda a grande avalanche de casarios, mal feitos, mal estruturados.
Trabalhos sem qualidade que servem apenas para enganar o turista menos avisado que deseja levar um pedacinho da Bahia.
Uma artista iniciante enviou uma tela que era a maior de todas. Fomos examiná-la de perto e na sua ficha a tela gigante  estava avaliada em  150 mil cruzeiros. Era minha opinião deveria ser uma simples apelação do artista iniciante, que se chama Waldenberg.
A tela lembra aquelas estampas germânicas. Não apresenta qualidade, nem criatividade, nem tampouco o seu autor tem um nome formado para pedir tão alto preço. Concluo apenas com a hipótese que o gigantismo da mesma tenha lhe impressionado ao ponto de levar a fixar tal preço.
Destaco alguns trabalhos apresentados que poderão ser indicados para os Prêmios de aquisição e cujos nomes revelo: Antoneto, Luís Brito, Kátia Berbert, Francisco Augusto, José Carlos Lauria, Jorge Bandeira, Justino Marinho, Humberto Vellame, Carmem Carvalho, Juarez Maranhão, Edmilson Ribeiro, Zélia Oliveira. Esses são alguns dos nomes que poderão ser indicados.
Digo poderão, porque serão escolhidos 20 nomes de comum acordo com a Comissão Julgadora, os quais serão depois conhecidos.

                      PAINEL

CARTUNS E QUADRINHOS - De 24 a 28 deste mês estará aberta ao público uma exposição de cartuns e quadrinhos baianos na Biblioteca Central, nos Barris, promovido pelo Centro de Pesquisa e Comunicação de Massa. Exporão: Lage, Setúbal, Nildão, Cedraz, Jorge Silva, Limiro, Menandro Ramos, Carlos Ferraz, APS, J. Lessa, Calunga, Carlos França, dentro outros.
Esta mostra é muito importante tendo em vista a seleção dos melhores trabalhos que representarão a Bahia na exposição Panorama do Quadrinho Brasileiro 77 no Museu de Arte Moderna, reunindo Ziraldo Henfil, Maurício de Souza e Perotti.

PRESERVAR- Já que não podemos salvar o homem, Chico da Silva encontra-se atualmente internado num hospital psiquiátrico, bastante debilitado, procuraremos defender a sua obra contra a ação de dezenas de copiadores. Estas palavras refletem o objetivo da Fundação Francisco Domingos da Silva, que quatro artistas cearenses e um pesquisador norte-americano lançaram num programa da TV educativa no Ceará.

KANTOR EM FILME- Um grupo de amantes da pintura compareceu á exibição do filme sobre a obra de Kantor, este pintor argentino divulgou em vários países da Europa e Oriente. O filme apresenta toda a sua obra pictórica e mostra detalhes interessantes com utilização de luz que varia de intensidade. Esta variação destaca alguns detalhes de suas telas.
Kantor é uma das figuras humanas mais sensacionais que já conheci. Um homem de grande sensibilidade. A simplicidade de suas telas é resultado de um trabalho amadurecido de uma artista que tem um nome internacional a zelar e portanto está fora de atitudes mesquinhas que nunca o atingirão.

PAISAGEM BRASILERIA- Uma paisagem brasileira pintada pelo holandês Frans Post, datada de 1664, foi vendida por um milhão e 200 mil cruzeiros na Sotheby Parke Bernet, de Londres. A tela mostra as ruínas da cidade de Olinda tendo no primeiro plano um grupo de regras.

VAN DYCK FICA- A pintura de Van Dick Madona Com a Criança, vendida no último verão europeu a um museu americano, vai içar na Inglaterra. Foram arrecadados nada menos que 231 mil libras esterlinas, cerca de 4 milhões e 620 mil cruzeiros para pagar a soma alcançada pela peça num leilão.

GAM- Jornal Mensal de Artes, de bom nível o Jornal Mensal de Artes editado por Hélio Silva e Duda Machado, no Rio de Janeiro.
O último número que é o 35, apresenta uma matéria sobre o Grupo Tribus e outra com o pintor Antônio Berni.