segunda-feira, 8 de abril de 2013

TRINTA AMIGOS DE ÂNGELO REUNIDOS NO ESPELHO MEU - 08 DE MAIO DE 1989


JORNAL A TARDE, SALVADOR, SEGUNDA-FEIRA, 08 DE MAIO DE 1989

TRINTA AMIGOS DE ÂNGELO REUNIDOS NO ESPELHO MEU

Aqui os amigos, o escritor João Ubaldo, os jornalistas Silvio Lamenha e Béu Machado
O traço e o desenho já são conhecidos. Suas obras são formadas de pequeninos pontos ou linhas pretos agrupados construindo formas com uma leveza que o destaca entre muitos dos desenhistas que conheço. Qualidade, é a palavra própria para definir a sua obra, indisciplinado, batem em cheio para designar um segmento de sua personalidade. Docilidade, é marca registrada no seu relacionamento. Estou falando de Ângelo Roberto esta figura conhecida dos botecos e das academias desta velha cidade.
Para compor alguns espaços brancos deixados por Ângelo juntou-se o fornecedor-mor de um líquido cheiroso e incolor. Um homem que mora no Quintal em plena cidade grande. Encarregado por Baco de promover a alegria dos boêmios, e, esta dupla Ângelo-Franco promete mexer com muita gente. Reuniu desta vez, apenas trinta amigos, mas virão outros, porque a roda é muito grande, Ângelo ficou encarregado com sua pena infalível de pinçar os detalhes mais salientes dos rostos e corpos dos seus amigos, enquanto o Franco cuida de arrumá-los no Espelho Meu, que fica na Rua Engenheiro Milton de Oliveira, 70, na Barra, portanto,numa das travessas da Afonso Celso. A exposição das caricaturas feitas por Ângelo Roberto de seus amigos estarão expostas dias 16 a 20 neste local. Depois serão levadas em procissão, com direito a lavagem de escadaria, trio elétrico e batucadas para o Quintal, aliás um local apropriado para abrigar esta roda de amigos etílicos. Lá estarão Bel Machado, Bernard, Celso Cotrim, João Ubaldo Ribeiro, Juarez Paraíso, Guido Guerra que só toma café sozinho, os irmãos Espinheira, Gey, Ruy e Tuna, Pitu, Nilda Spencer, Clarindo Silva, Cyro de Matos, Arnon Andrade, Alceu Pimentel, Domingos Leonelli, Ednaldo Santos, Fernandinho Passos, Fred e  Guilherme Souza Castro, Sílvio Lamenha, que promete dar uns falsetes; Siri com sua câmera invisível, e evidente, que o fornecedor Franco Barreto. Será um encontro memorável do traço e do copo.

Mais três amigos:escritor Guido Guerra, a grande atriz Nilda Spencer e o Franco, do Quintal.

ALEMÃES VÃO EXPOR SUAS CRIAÇÕES CONTEMPORÂNEAS

Colônia(INP)-Em contrapartida a exposição Pintura Brasil Já, que desde o mês de setembro do ano passado está percorrendo várias cidades da República Federal da Alemanha, será organizada no próximo ano uma retrospectiva de artistas plásticos contemporâneos alemães, a ser exibida em diferentes cidades brasileiras.
A exposição de Arte Contemporânea Alemã no Brasil, em 1990 constitui o primeiro capítulo de um amplo projeto de intercâmbio cultural. Ela mostrará trabalhos de pintura e desenho e deverá ser o mais consistente possível, dando uma ideia da complexidade da criação alemã. A sua realização já está confirmada no Museu de Arte Moderna de São Paulo, prevendo-se ainda que deverá ser levada ao Palácio das Artes de Belo Horizonte, ao Museu de Arte de Porto Alegre e, se possível, ao novo Museu de Arte Moderna de Brasília, projetado por Oscar Niemeyer, e que se encontra em fase final de construção.
Um dos objetivos básicos da exposição a ser realizada no Brasil, segundo a opinião de Paulo Herkenhoff, é oferecer um amplo panorama da criação artística atual da República Federal da Alemanha, alterando a visão de arte alemã que se tem no Brasil, e que está demasiado calçada na pintura dita nova selvagem. É preciso mostrar que nem todos os artistas alemães estão influenciados pela herança do expressionismo. Há artistas desenvolvendo as mais diversas tendências estéticas, como o geometrismo e o formalismo, para citar apenas algumas.
Na arte contemporânea não existem grandes divergências, é o que constata o professor Wofgang Pleiffer. Seja em Tóquio, em Berlim ou no Rio de Janeiro vamos encontrar as mesmas referências por detrás das preocupações estéticas de cada artista. Talvez o que mais diferencie o artista brasileiro do alemão, segundo assinalou o professor, é que este leva muito mais a sério o seu trabalho.
Um dos aspectos mais importantes que se pode observar à margem dos eventos promovidos recentemente na República Federal da Alemanha, e destinados a colocar ao alcance do público aspectos da cultura brasileira, é o interesse que a arte brasileira tem despertado na Alemanha. Ao contrário dos Estados Unidos, onde a difusão da arte brasileira restringe-se a um círculo de colecionadores já familiarizados com a criação artística dos países latino-americanos, na Alemanha as instituições oficiais, ao lado das galerias, tem desempenhado um importante papel.

          BAIANO EXPÕE EM BREMEN, NA ALEMANHA

Divulgar e ampliar seus limites de ação é a proposta do artista baiano Luiz Mário que vai realizar uma exposição este mês dos seus mais recentes trabalhos na Galeria do Hotel Bremen, na Alemanha. Ao todo são trinta obras em óleo sobre tela onde mostra sua habilidade em trabalhar com vários temas, especialmente com a figura humana.
Diz o artista levando em conta que a exposição será realizada na Alemanha procurou dar um enfoque brasileiro exprimindo em suas telas o Nordeste, um pouco de Brasil, sem entretanto alterar a substância de minhas cores.
Formado em Belas Artes e há mais de 15 anos atuando como profissional Luiz Mário demonstra ter um desenho apurado e sabe jogar com as cores.