segunda-feira, 8 de abril de 2013

CINCO ARTISTAS VINDOS DA PARAÍBA NO MUSEU DE ARTE - 15 DE MAIO DE 1989


JORNAL A TARDE, SALVADOR, SEGUNDA-FEIRA, 15 DE MAIO DE 1989

CINCO ARTISTAS VINDOS DA PARAÍBA NO MUSEU DE ARTE

Acrílica sobre tela de autoria de Raul Córdula
Cinco artistas, vindos de João Pessoa, estarão expondo a partir do próximo dia 18 , no Museu de Arte da Bahia.O grupo expõe há algum tempo e deseja uma integração maior com artistas das cidades nordestinas numa tentativa de intercambiar informações através da produção. O grupo é composto por Alice Vinagre, Chico Pereira, Marcos Prates, Raul Córdula e Rodolfo Athayde. Eles estão ligados aos movimentos de vanguarda e divididos em duas gerações: a de Raul Córdula e de Chico Pereira tem referências dos anos 60, e os demais nesta década.
Porém, todos conservam suas características individuais. É uma boa oportunidade para a gente ver e confrontar o que eles estão produzindo e o que estamos realizando aqui. A seguir publico algumas informações básicas sobre cada um deles como se fosse um perfil. Vejamos:
ALICE VINAGRE - nasceu em João Pessoa e graduou-se em Pintura na UFRJ. Desde 82 vem atuando intensamente em salões e exposições individuais e coletivas, tendo conquistado prêmios significativos como no 9º Salão Nacional de Artes Plásticas e no XXIX Salão de Pernambuco. Participou ainda dos salões do Paraná (83), do Pará 87, prêmio aquisitivo, de Belo Horizonte 87, de São Paulo 82, e do 7º, 8º e 9º Salão Nacional de Artes Plásticas. Integrou a 6º Exposição de Belas Artes Brasil-Japão, que percorreu Tóquio, Kioto. Atami Rio e São Paulo, e o Workshop São Paulo Berlim, no MAC/SP, com exposições das obras no MASP e em Berlim, no Staatliche Kunsthalle Berlin.
CHICO PEREIRA - é de Campina Grande e realizou sua primeira exposição individual em 1961. Participou da equipe que implantou o Curitiba (Museu de Arte Contemporânea).
Exposições coletivas, entre elas: Opinião 66 (MAM-Rio), Brasil Desenho (Belo Horizonte, Rio, São Paulo), Velha Mania (EAV-Rio), Panorama do Desenho Brasileiro (Museu de Arte do Rio Grande do Sul), Panorama da Arte Brasileira (MAM-São Paulo), Arte, Novos Meios/Multimeios (Funarte), 4º Salão Nacional de Artes Plásticas, Sala Especial-A Presença das Regiões, 1º e 2º Salão de Arte Global de Pernambuco, 1º exposição de Arte Latino-Americana (Recife), VII Bienal de Valparaíso (Chile), Workshop São Paulo/Berlim.
Desenvolveu trabalhos na área da administração de instituições culturais como: supervisor da Casa da Cultura de Pernambuco supervisor do Setor de Artes Plásticas da UFPB, coordenador do Núcleo de Arte Contemporânea da UFPB-NAC, diretor do Museu de Arte de Campina Grande, delegado brasileiro do Conselho mundial de Artesanato e diretor artístico da Oficina Guaianases de Gravura. Integrou a Comissão Nacional de Artes Plásticas da Funarte. Dedica-se hoje exclusivamente á pintura.
RODOLFO ATHAYDE nasceu em João Pessoa onde graduou-se em Medicina, em 1975, com pós-graduação em Barcelona, onde teve sua iniciação pictórica no Taller Leonardo da Vinci, sob orientação do Prof. Cezar López Ozornio, e onde expôs pela primeira vez e, posteriormente, numa coletiva na Caixa de Barcelona. Tem realizado exposições e participando de salões com vários prêmios como: 9º e 10º Salão Nacional de Artes Plásticas, 1º Salão Municipal de João Pessoa, 18º Salão Nacional de Arte de Belo Horizonte, 45º salão Paranaense.
Participou também do Workshop São Paulo/Berlim, realizou exposição individual na Galeria Macunaíma (Funarte) e na Galeria Brasileira do Século XX, no Museu Nacional de Belas Artes.
Obra da paraibana Alice Vinagre

Museu de Arte de Campina Grande foi seu diretor em 69 e 74. Membro  fundador da Sociedade brasileira de Educação Através da Arte- Sobrearte, e da Associação Nordestina de Arte-Educação-Anarte. Participou do Conselho Técnico-Científico da Associação de Membros do Conselho Internacional de Museus-ICON/UNESCO, e da Associação Internacional de Artes Plásticas, tendo participado de sua assembléia geral em 73, na Bulgária. Participou da equipe que fundou o Núcleo de Arte Contemporânea e foi seu coordenador entre 83 e85. participou de vários salões de arte, exposições coletivas e individuais, entre os quais a 1º e 2º Bienal Nacional de Artes Plásticas, Salvador, 66 e 68, Pré-Bienal Internacional de São Paulo 71, Mostra Internacional de Arte Door, Recife 81, 5º Mostra do Desenho Brasileiro, Curitiba 84, 6º Salão Nacional de Artes Plásticas e Arte Xerox do Brasil84, XVI Bienal de São Paulo e VII Bienal de Valparaíso 85 e do Salão Paulista de Arte Contemporânea89.

MARCOS BRETAS - nasceu no Rio de Janeiro e frequentou a Escola de Belas Artes da UFRJ entre 81 e 84. reside atualmente em João Pessoa. Participou do 40º Salão Paranaense em 83 do XXXVII e do XXXIX Salão de Artes Plásticas de Pernambuco, da coletiva Novos Artistas Paraibanos em Olinda 86 e do Salão Paulista de Arte Contemporânea 87. Expôs na Sala de Exibição Especial de Hoje, Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro 89.

RAUL CÓRDULA  - nasceu em Campina Grande e seu primeiro contato com a pintura foi no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, onde estudou, e sua primeira exposição foi em 1960, na Biblioteca Pública de João Pessoa. Realizou exposições individuais em galerias e instituições da Paraíba, como Galeria Gamela, Museu de Arte de Campina Grande e NAC e de Pernambuco, como a Oficina Guaianases de Gravura, Galeria Oficina e Galeria Artespaço, e também em Fortaleza (Arte Galeria), Natal (UFRN), Belo Horizonte (Museu de Arte da Pampulha), Juiz de Fora (Funalfa), Tiradentes (Oficina de Gravura N.S. do Ó), Cuiabá (UFMT), Caxias do Sul (Atelier Coletivo da UCS), Rio de Janeiro (Galeria Verseau e Galeria Sérgio Milliet), São Paulo(Galeria de Arte Global)

                  JANETE REIS NA GALERIA PITUBA

Obra de Janete Reis tem uma
forte marca social
A mineira Janete Reis, que além de artista é funcionária do Banco Central, está expondo desde a última sexta-feira na Galeria Pituba, com o sugestivo título de sua mostra de Adeus Fantasmas. Ela revela que esta exposição é como se fosse uma catarse, pois carrega lembranças terríveis de sua passagem por organismos de repressão durante o golpe militar de 64. Janete diz que esses fantasmas aterrorizantes sempre estão interferindo na sua obra e deseja uma libertação plena.
Ele trabalha com diversas técnicas como o guache, pastel, acrílica, colagem, nanquim e técnicas mistas.
Prefere o papel como suporte ou o cartão. E sua temática sempre traz uma marca do social, de sua preocupação com as pessoas desassistidas deste País. Ela afirma que pode passar do figurativo para o abstrato com certa facilidade, mas o que pude perceber é que Janete ainda está muito presa ao figurativo e, principalmente, a preocupação em contornar suas figuras com traços densos.
Sinto-me liberta de conceitos, modismos, tradições, escolas e opiniões. Sinto-me capaz de voar livremente através do espaço e do tempo com minhas tintas e meus pincéis, escreve Janete. Acredito mesmo que esta sua garra e este seu desejo deverão ser alcançado em breve.