segunda-feira, 8 de abril de 2013

O FLECHAR DOS ESPAÇOS - 15 DE DEZEMBRO DE 1979


JORNAL A TARDE, SALVADOR, 15 DE DEZEMBRO DE 1979

             O FLECHAR DOS ESPAÇOS

Emanoel Araújo inaugura sua exposição na próxima terça-feira na Galeria da Pousada do Carmo depois de doze anos sem realizar uma individual em Salvador. A volta de Emanoel como expositor em Salvador me faz relembrar o artista que concebia suas gravuras figurativas com os famosos gatos.
Agora, mais maduro, ele nos brinda com relevos e esculturas geometrizantes cuidadosamente concebidas. Não nos apresenta uma retrospectiva de sua obra mas uma síntese dos últimos anos mostrando os caminhos percorridos e seu vôo em busca dos espaços através dos relevos e posteriormente das esculturas.
Nesta mostra colocará quatro peças que integraram sua presença no último Festival de Arte Negra na Nigéria, algumas gravuras e os relevos que representam seu último degrau em busca da escultura.
Falando de sua escultura Emanoel Araújo diz que todos esses trabalhos flecham os espaços. Tem momento que a gente começa a descobrir coisas e a caminhar em busca de objetivos ainda vividos na imaginação. Sempre achei que a gravura deveria ocupar um lugar importante. A partir daí vieram as gravuras figurativas, bem maiores. Isto aconteceu até 1968. A seguir vieram os relevos e os espaços vazados.
Voltaram as gravuras planas dando destaque às reentrâncias e textura da própria madeira. E a ideia de ocupar os espaços, de flechá-los como ele mesmo afirma. Não podemos esquecer das gravuras de armar, formadas por faixas que nos permitam um jogo lúdico em busca da concepção de novas formas. Hoje, o Emanoel é um escultor que partiu  da gravura plana, figurativa desembocou com maestria em busca de espaços e formas  mais ousados e livres. Sua intimidade com a madeira vem de longe e mesmo agora suas peças são feitas em madeira pintada em cores cinza, vermelho e azul, dentre outras.
Posso afirmar que Emanoel Araújo, natural de Santo Amaro da Purificação, é hoje um artista conhecido em todo o Brasil, e tem uma coerência em tudo que vem realizando. Um amadurecimento artístico onde o figurativo de gatos e mulheres foi substituído pelas formas geométricas. Percorreu como afirmou o decorador José Pedreira solitariamente, nesses últimos anos o seu caminho em direção do objeto e do espaço. E aí está o menino de Santo Amaro flechando os espaços com suas formas pontiagudas, mas que carregam e se encerram dentro deles algo ligado com a sua gente.
Ele espera que a sua mostra seja vista pelos jovens, e também, por seus colegas, muitos dos quais não conhecem na tonalidade a sua obra. Agora é uma boa oportunidade depois de doze anos de afastamento das galerias em Salvador. está curioso, como um iniciante de como será recebido pelo público baiano,  pois seu contato maior é com o público do eixo Rio-São Paulo.

LIVRO SOBRE O MUSEU NACIONAL DE BELAS ARTES

O belo prédio que abriga  acervo muito importante da cultura
 A implantação do Museu de Nacional de Belas Artes, as diversas fases de sua construção e do seu funcionamento, e a reprodução das obras de seu acervo com dados biográficos do autor e um retrato da época, são os assuntos abordados no primeiro volume da coleção Museus Brasileiros lançando pelas edições MEC-Funarte.
Idealizada pelo antigo diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas, Alcídio Mafra de Souza, com seleção de texto do Prof. Edson Motta e trabalho gráfico da divisão da programação da Funarte, a coleção Museu do Brasil 196 páginas com  reprodução de setenta e oito obras de artistas brasileiros e estrangeiros do acervo do MNBA refletir o esforço pela sobrevivência da memória nacional, expressão hoje tão usada quanto incompreendida segundo Roberto Parreira, diretor executivo da Funarte. Esse esforço, acrescentou, deve estar efetivamente vinculado a uma permanente valorização do patrimônio artístico Brasil.
Para Édson Motta, atual diretor do MNBA, a vida dos museus cresce de importância, nos dias atuais, pela legítima compreensão de sua atuação cultural e didática no seio da comunidade.
O museu adquire real importância como uma casa de cultura no cenário das atividades inteligentes do país e a sua ação dinamiza-se ou deve dinamizar-se, por força da nova compreensão que transfere o museu de uma elite fechada, como acontecia até o século XIX, diretamente para o povo, sem fronteiras de classes e educação.
Primeira das obras produzidas no volume-Nossa senhora da Ajuda, da escola fluminense de pintura, do século XVIII é considerada a mais antiga obra de arte do período colonial brasileiro, passando por pintores do século XVIII, até os artistas da fase modernista brasileira.
Mostra trabalhos de Anita Malfatti e Tarsila do Amaral, entre outras.
Atualmente o belo pavilhão das esculturas trai muitos visitantes

Durante o lançamento do livro, estiveram expostos no saguão do MNBA, algumas das obras reproduzidas no livro: Copo d’Água, de Aurélio Figueiredo, Engenho de Mandioca, de Modesto Broscos Y Gomes, A Caminho da Escola, de Eliseu d’Ângelo Visconti (capa do livro) e Paisagem de Sabará, de Alberto de Veiga Guinard.
Os próximos volumes da coleção Museu Brasileiro já programados são o Museu de São Paulo, Museus de Imagens do Inconsciente, Museu de Arte Sacra da Bahia e Museu Paraense Emílio Goeldi.O preço do volume sobre o MNBA é de CR$300,00.

BIENAL INFANTO-JUVENIL PRESTA HOMENAGEM AO ANO INTERNACIONAL DA CRIANÇA

A Galeria Sérgio Milliet(Rua Araújo porto Alegre, 80) expõe, de 18 de dezembro a 31 de janeiro, 96 trabalhos de dois painéis selecionados entre 1780 obras enviadas de todo o país por crianças e jovens de até 17 anos. A comissão, indicada pela Funarte para fazer a seleção do material, definiu em quatro dias os participantes da mostra baseada nos critérios de revelação do jogo imaginário, expressão e comunicação por meio de arte, vinculação da arte com o desenvolvimento, sob a orientação das diretrizes básicas para a arte na educação.
Fizeram parte do júri João Vicente Salgueiro(diretor do Instituto Nacional de Artes Plásticas), Abelardo Zaluar, Noêmia Varela, Vilma Cunha, Augusto Rodrigues, Alcídio Mafra de Souza, Arnaldo Rigueira, Germano Blum e Agostinho Olavo.
A Exposição tem caráter didático e está aberta a escolas de 2ª a 6ª feira, das 10 às 18 horas. Além das pinturas e desenhos serão exibidos cerca de 20 objetos de cerâmica e uma série de fotografias que descreve a atividade das crianças em escolinhas de arte.
A Bienal foi organizada com a participação das Secretarias de Educação nos vários estados e de várias escolinhas de arte. Tem os seguintes Objetivos: A conscientização da coletividade, a respeito da atividade expressiva e criadora, como fator integral do indivíduo; canalização das experiências que as secretarias vêm realizando no campo da criatividade; apresentação de imagens e idéias espontâneas de obras que revelem a emoção e o sentimento na arte da criança e do jovem e o levantamento do que se vem fazendo no Brasil no campo da atividade artística voltada para a educação.
A idéia da montagem desta Bienal surgiu para dar continuidade a um trabalho anterior da Funarte, voltado para a criança. Para participar junto à UNESCO das comemorações do Ano Internacional da Criança, a Funarte organizou a participação do Brasil no Concurso Mundial de Desenho Infantil, realizado em Paris, que tinha como tema Como Viverei no Ano 2000.
O Instituto Nacional de Artes Plásticas foi o responsável pela difusão e organização do concurso recebendo 4180 inscrições. Deste índice surpreendente de participação nacional foram selecionados, em março de 1979, 10 trabalhos. As obras foram para Paris e um brasileiro Fábio Henrique da Silva Araújo, de 9 anos, ficou entre os 100 melhores trabalhos escolhidos por aquela entidade internacional.
O sucesso do concurso aliado a umas das linhas de ação do INAP-Funarte: Dinamização da educação artística, fez com que surgisse a Bienal Infanto Juvenil.
Ela pretende revelar um painel do mundo imaginário do mundo imaginário da criança e do adolescente no Brasil em nossos dias.