quinta-feira, 25 de abril de 2013

O DOCUMENTO DE ADELSON DO PRADO - 05 DE FEVEREIRO DE 1977


JORNAL A TARDE, SALVADOR,  SÁBADO, 05 DE FEVEREIRO DE 1977

O DOCUMENTO DE ADELSON DO PRADO

O pintor Adelson do Prado trabalhando numa de suas telas
O artista Adelson do Prado de máquina fotográfica em punho documenta as nossas festas de largo.
Cada vez que volta a Salvador Adelson fica impressionado com a afluência de gente de todas as camadas sociais que senta nas barracas e toma cerveja. Tudo mesclado. Nas cores das peles e dos vestidos e blusas extravagantes. É o baiano em pleno verão, gozando das delícias deste País tropical. É nesta integração que Adelson do Prado, filho de Vitória da Conquista encontra uma atmosfera capaz de dar forças às suas raízes e continuar pintando suas telas ingênuas e belas.O colorido das palmeiras, as pombas brancas, as mulatas e a exuberância do casario colonial são ingredientes utilizados por este artista, que reside numa metrópole e não perdeu a simplicidade de um primitivo. É verdade que a pintura de Adelson sai do primitivo puro, bruto para torna-se uma pintura mais cuidadosa, porém, a perspectiva não existem em seus trabalhos. A evolução é fruto de uma produção artística que forçosamente dá ao artista maior possibilidade de burilar as tintas e as formas. Mas, no fundo toda a atmosfera traduzida em sua obra é primitiva.
Aliás a própria figura de Adelson do Prado tem algo a ver com a sua pintura.A maneira de ser e ver as coisas demonstram uma ingenuidade que é traduzida nas linhas e composições plásticas por ele criadas.
Não gostaria de ver um Adelson em outras fases  tão comuns aos iniciantes porque usa pintura já tem uma marca, uma personalidade própria que a identificamos facilmente.
Saído de Salvador vítima de sua ingenuidade e da maldade de alguns, estes artista chegou ao Rio de Janeiro com a cara e a coragem e, hoje, é um nome respeitado no setor. É evidente que temos que aplaudi-lo para que continue produzindo suas telas, pois é um jovem que tem 33 anos de idade e muita coisa a fazer pela frente. Espero que o Adelson volte sempre a Salvador para rever as nossas festas e os tipos populares tão presentes em suas obras.

               A IDADE MÉDIA NAS QUARTAS-FEIRAS

Oleiro mostra sua arte medieval em Ruthin
Toda a atmosfera da Idade Média com os nobres, ricos, prósperos comerciantes, bobos da corte, artesãos e mercadores anunciando suas mercadorias foi criada na antiquissima cidade de Ruthin ,cidade de mercado ao norte do País de Gales.
Durante os meses de verão todas as quartas-feiras de junho a setembro o povo de Ruthin relembra o seu passado com uma viagem no tempo, retornando á Idade Média. Bandeiras esvoaçam nas ruas, os pubs ficam abertos o dia todo, e os lojistas, os compradores e as crianças, todos eles vestidos com os coloridos trajes da época, dançam, cantam e alegram os turistas que visitam a cidade, muitas vezes apanhados desprevenidos.
Ruthin, no Vale de Clwyd, apenas 22 milhões a oeste de Chester e a 198 milhas de Londres, é uma das mais belas cidades históricas de Gales. O Castelo de Ruthin, construído pela primeira vez no século XIII as casas em preto e branco, semi-revestidos de madeira, as antigas e singulares estalagens, sem cortar as ruas estreitas e tortuosas, são perfeitas lembranças dos laços que ainda prendem a cidade a era medieval.
St. Peter's Square na cidade de Ruthin

St. Peter's Church, igreja do século XIV com um magnífico telhado de carvalho presenteado pelo Rei Henrique VII, Natclwyd House, uma das mais belas casas de cidade em Ruthin, e a Old Court House, onde agora está instalado o Banco Nacional de Westminster, são edifícios com interessante história.
O Castelo de RutHin, atualmente transformado em hotel de luxo com ótimos restaurantes e bares, completa os festejos das quartas-feiras com seus banquetes medievais. O jantar, com muito hidromel e vinho, tudo isso acompanhado de divertimentos tradicionais galeses, custa a partir de $5.50 (CR$ 100,00) por pessoa. A
hora de carro do Parque Nacional até Ruthin, a apenas uma hora do parque  Nacional de Snowdonia, constitui excelente centro para se explorarem as colinas e os vales do norte de Gales. E dentro de fácil alcance estão as estâncias marítimas de Rhyl e de Llandudno, e a agradável cidade interiorana de Llangollen.
                              PAINEL

EMMA VALLE- Com ambientação elaborada pela própria artista será inaugurada no próximo dia 10 uma exposição de seus trabalhos no Museu de Arte Moderna da Bahia, na Capela do Solar do Unhão. A mostra é  promovida pela Fundação Cultural do Estado da Bahia e permanecerá aberta ao público até 10 de março próximo.Esta mostra está sendo aguardada com muita expectativa a ambientação que a Emma Valle vai preparar.

OBRA-PRIMA- A Transfiguração de Cristo, obra-prima do pintor renascentista Rafael Sanzio, foi recentemente restaurada e apresentada pelo diretor-geral dos Museus do Vaticano, o brasileiro Redig Campos. A restauração durou quatro anos e um novo sistema de alarme eletrônico de raios infra-vermelhos foi instalada para protegê-la. O quadro mede 4,10m x 2,7m e foi pintado sobre madeira a pedido do cardeal Júlio de Medicis para a catedral de Narbonne, na França. Foto da obra.




PRÉ-COLOMBIANA- Lá também as obras de arte estão sendo transferidas para outros países. Agora uma rara taça de prata pré-colombiana foi leiloada em Londres. A taça como não podia deixar de ser saiu da América Latina, mais precisamente, do Peru. Remonta ao século XII e é trabalho dos Chimu, um povo que mais tarde foi conquistado pelos Incas. A obra foi levada pelo proprietário que viveu algum tempo no Peru, e tem 22 centímetros de altura e pesa 19 quilos.

AUTÊNTICOS OU NÃO?- continua ainda a polêmica em torno de algumas telas atribuídas ao pintor Di Cavalcanti. O critico Teixeira Leite afirma que são verdadeiras e Edson Mota que são falsificadas. Dois nomes nacionais que agora entram em choque. Todos que estão diretamente ou indiretamente interessados em arte aguardam com ansiedade o desfecho do caso. Certamente dezenas de telas falsificadas vão aparecer já que a morte de DI  determinou o aumento dos preços de suas telas.

PRÊMIO - A Comissão Julgadora do Prêmio de ilustração dos originais do livro Veludinho, de Maryha de Freitas Azevedo Pannunzio, vencedora do Prêmio INL de Literatura Infantil de 1976, reuniu-se no Palácio da Cultura, no Rio de Janeiro, para selecionar o melhor trabalho dentre as vinte concorrentes inscritos.
Integrada pelo critico de arte Clarival do Prado Valladares, representando o Instituto Nacional do Livro, Professora Ione Saldanha, indicada pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, e pela autora do texto vitorioso, a Comissão decidiu, por unanimidade, não conferir o prêmio, alegando que as ilustrações, em geral, não apresentam compatibilidade com a faixa etária a que o livro se destina.