quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

CENTRO VAI REFLETIR E INCENTIVAR A ARTE -13 DE JULHO DE 1981

JORNAL A TARDE,SALVADOR,  13 DE JULHO DE 1981

    CENTRO VAI REFLETIR E INCENTIVAR A ARTE

Recebi de Célia Martins Azevedo documentação sobre a criação de uma sociedade formada por um grupo de artistas plásticos, que se propõem a executar um levantamento do que foi produzido no setor para formação de um banco de dados representativo da arte brasileira, especialmente da Bahia. Os objetivos principais do Centro de Pesquisa Artística do Modernismo Brasileiro, Cepambra, é a abordagem da estruturação do espaço estadual/Bahia. Levantamento da produção artística existente e seu registro; promover as atividades que culminem com a preparação de documentos a fim de que fique registrada a produção artística nacional; realizar o intercâmbio com outros centros artísticos e/ ou culturais, visando criar um nível de informação abrangente sobre a situação atual, promovendo debates e o caminho de nossa cultura, suprir as deficiências das bibliotecas, museus, setores educacionais e artísticos e outros no que concerne a documentação da arte moderna e pós-moderna brasileira na Bahia, e, finalmente, divulgar a arte brasileira no país operando a síntese Norte e Sul, do rural e urbano a nível do Nordeste e a nível nacional (1.ª etapa) e no exterior (2.º etapa) visando a sua divulgação e seu registro ao reunir as forças representativas da arte brasileira que germinam em pontos isolados.
Confesso que fiquei surpreso com a criação deste centro e espero que realmente os objetivos anunciados e desejados sejam alcançados. Sei que é muito difícil porque vivemos num país, especialmente num estado, onde as atividades culturais não têm o devido apoio que merecem. Sei também que, muitas vezes, as boas intenções terminam no meio do caminho por falta de forças. Mas, acredito que Célia Azevedo levará, com seus companheiros, avante este projeto que é de interesse da Bahia e merece todo nosso apoio. Aqui estarei para cooperar para sua concretização divulgando suas atividades.

MERO CONTINUA LUTANDO PELAS ÁRVORES E ECOLOGIA

Uma página do livro Mero na Luta Ecológica,
de Paulo Serra
Mero na Luta Ecológica é o título do livro de humor ecológico lançado no MIS- Museu da Imagem e do Som, na última sexta-feira em São Paulo juntamente com uma exposição de cartuns sobre o mesmo tema. O autor, Paulo Roberto Meireles Serra, 27 anos, baiano de Salvador, morou de 1975 a 1979 em São Paulo onde estudou Comunicações, especializando-se em Publicidade.
Em 1976, criou Mero, personagem ecológico cujo nome significa puro, simples, genuíno, sem misturas, nome dado a um homem meio corcunda de terno e gravata (cidadão) representando o homem urbano, óculos redondo demonstrando sua intelectualidade e uma testa cheia de altos e baixos.
Mero é um personagem totalmente visual, pois se comunica apenas com o desenho sendo por isto, também, um personagem universal que aborda os temas seguintes: todos os tipos de poluição, desde a humana (a pior), que é a da mente do homem até a nuclear que está chegando aí, a defesa da fauna e da flora principalmente onde trava a sua maior luta.
É um personagem que visa  atingir a todos, principalmente as crianças onde acredita estar a verdadeira esperança do país, portanto para ele ensinar as crianças a amar o verde é a causa maior de sua existência e nisso ele confia que as sementes jogadas em solos férteis nascerão bons frutos, troncos e raízes frondosos para poder, então, se solidificar uma consciência, conseqüentemente uma força atuante em defesa da natureza e do próprio homem.
Como herói nacional ele não tem poderes especiais, não aceitou e nem achou nenhuma moedinha da sorte, não é de ferro e nem de borracha, não se transforma em nada está desempregado, perde e ganha dos inimigos e pasta muito para conseguir seu lugar ao sol e acha ridículo quando lhe chamam de herói, portanto tem medo de seus arbustos em praça pública!
Para Saulo começou com Mero na Gazeta da Zona Norte em outubro de 1976, daí não parou mais. Esteve trabalhando para outros periódicos de bairro atuando também como ),  chargista e no humor político tendo publicado trabalhos em: Raízes (77), Destaque SP (77), Em Tempo (SP 78), Movimento (SP 78), Latidos e Miados (SP 79), Todos tablóides. Voz do Paraná (PR 78), Estado do Paraná SP 78), Diário do Paraná (PR 78), Correio de Notícias (PR 78), A Tarde (BA 78), Jornal da Bahia (BA 77), Correio da Bahia (BA 80). Tribuna da Bahia (BA 81), todos jornais.
“Arigatô (SP 77), Acampamento (SP 78), Exame (SP 78), Planta e Flores (SP 78) Clube do Livro (SP 78), Citrus (SP 78), Personal Humor (PR 78), Status Humor (SP 78) Contos eróticos (PR 78), Boca (SP 78), Kuk (RJ 79) etc., todas as revistas. Em 77 passa a interessar-se por desenhos animados e conclui curso na Escola Panamericana, passou a criar e produzir seus filmes, chegando a vencer o I Festival de 78 em Santo André com o filme A Origem do Oxigênio, 10º didático sobre fotossíntese onde Mero é o ator principal. Neste mesmo ano trabalhou profissionalmente como arte-finalista na Star produtora responsável pelos filmes da Sharp, Atualmente está radicado em Salvador onde tenta abrir campo para o desenho animado publicitário.

CEAO PROMOVE TENDÊNCIAS ESTÉTICAS AFRO-BAIANAS

Tendências Estéticas Afro Baianas é o nome do desfile e mostra de arte que o Centro de Estudos Afro-Orientais da UFBa, vai apresentar na XXXIII Reunião Anual da SBPC. A mostra e desfile constarão de jóias, penteados, artesanato e roupas de inspiração afro-brasileiras além de uma exposição de fotografias, destes mesmos objetos, tiradas algumas delas por Bauer Sá, fotógrafo baiano, além de uma mostra de som.
O objetivo do CEAO em realizar esta mostra é de apresentar ao público, as diversas tendências do visual e do ritmo negro na sociedade baiana atual, mostrando como ela está presente em várias manifestações culturais.
No desfile e exposição serão mostradas as diversas formas de usar o torço, trançar os cabelos, vestir-se e adornar-se de modo afro-baiano.
Além do CEAO, promovem esta atividade a Superintendência Estudantil, a Coordenação Central de Extensão da UFba., a Bahiatursa, a Fundação Cultural do estado e a manequim Ana Meire, estudante de sociologia da UFBa e proprietária do Salão Raízes especializado em penteados de inspiração afro-baiana, e responsável pelo desfile.

DESFILE
O desfile e mostra de arte Tendências Estéticas Afro-Baianas ocorrerão hoje no Restaurante Universitário, no Campus de Ondina, ás 21:OOh.
Para mostrar a tendência africana na moda baiana cerca de dezesseis manequins, homens e mulheres, em sua maioria negros, desfilam com modelos exclusivos da Quembo Boutique, Bazar Talismã Tropical, Ester Artesanato de Renda, além de figurinos de Luiz Amado, e maquiados por Demir do Salão Raízes.
As jóias que ficaram em exposição foram confeccionadas por Iza Maria Guimarães. O desfile ainda terá fundo musical com músicas de ritmo afro-baiano executadas por Edfran e Ivan

SIGNIFICADO ETNOGRÁFICO

Informou a diretora do CEAO, Yêda A. Pessoa de Castro no desfile e nas fotos serão mostrados inúmeros penteados de diversas origens negro-africanas como Ioruba (Nigéria), Axante (Gana), Luba e Congo (Zaire e Angola), Massai (Quênia),,  entre outros. Estes penteados podem ser de natureza simplesmente estética e alguns também rituais, em geral, podendo ser de casamento, solenidades fúnebres ou religiosas. Para facilitar a compreensão do público será dado um catálogo com informações gerais sobre esta atividade.
Para a diretora do CEAO, o desfile e mostra de arte Tendências Estéticas Afro-Baianas se integram a uma das linhas da SBPC que é dedicada ao negro. É também a orientação tomada pelo CEAO de fornecer subsídios para os estudiosos da cultura afro-baiana, e apresentar ao vivo uma mostra ilustrativa de traços desta cultura no seu aspecto etnográfico.
Dentro deste mesmo pensamento o CEAO vai apresentar também para a SBPC as 62 fotografias do etnólogo francês Pierre Verger e ecas do Módulo Inicial do Museu Afro-Brasileiro, já em exposição no primeiro pavilhão da antiga Faculdade de Medicina da UFba, no Terreiro de Jesus.

SERIGRAFIAS- Um álbum de serigrafias com 20 imagens, exemplares numerados e assinados pelo artista, Oscar Palácios, um argentino radicado no Brasil desde 1966, será lançado em agosto.
Diz Luiz Caetano que teve com esse novo trabalho o mesmo cuidado e a mesma preocupação que emprestou sua primeira experiência no ramo de serigrafia, com a Vênus Revisitada, de Milton Dacosta.
Na foto ao lado Oscar Palácios.


OLIVER- Recém-chegado dos Estados Unidos, onde participou de exposições na Amazon Art Galery (new Jersey) e no New York Coliseum (New York) o artista mineiro Oliver expõe na Eucatexpo Galeria de Arte (AV. Sete de Setembro, 285/7, Campo Grande, no período de 17 a 30.07.81, com vernissage ás 21:00 horas do dia 17.
Oliver, que tem um vasto currículo de exposições por todo Brasil, labora sua pintura baseando-se num figurativo-informal, com claros instantes de um abstracionismo leve, de cores delicadas, criando uma atmosfera lírica, plena de paz e alegria.
O artista está sendo apresentado, nessa exposição, pelo crítico de arte Fernando Paz, do Diário do Comércio (Belo Horizonte) que, entre outras coisas, diz: o básico é fundamental na obra de Oliver é o seu desejo de acertar, e a sua tenaz sede de estudo e de trabalho que o coloca na subida do podium reservado aqueles poucos profissionais do metier que conhecem o sucesso.

ARTE BRASILEIRA- A Holanda ganhou um Galeria especializada em arte brasileira. A Fundação Galeria do Bonfim (em homenagem ao Senhor do Bonfim protetor da Boa Sorte) instalou-se numa bela lojinha do século XVIII, bem no centro do tradicional bairro De Jordan em Amsterdam (1º. Tuinderstraat 17). A galeria é dirigida por Renée e Jéssica Padt. Numa viagem pelo Brasil Central e Setentrional Jéssica, com a ajuda de pintores e escultores locais, reuniu uma coleção única de pinturas, desenhos, litografias, esculturas, painéis, tapeçarias e objetos de artesanato, a maior coleção de arte jamais embarcada em Salvador. Além dessa coleção, constantemente acrescida por meio de viagens ao Brasil, a galeria promove regularmente exposições de artistas brasileiros residentes no Brasil ou no exterior.

VAN GOGH- No Museu Vicent Van Gogh, de Amsterdam, foi realizada uma exposição sobre o cloisonismo, um estilo de pintura desenvolvido entre 1886 e 1891 por um grupo de diversos pintores. O cloisonismo se caracteriza pelo uso enfático de linhas de contorno vigorosas e planos coloridos claros, uma linguagem evocada na exposição que reuniu 150 óleos e desenhos do próprio Van Gogh, e de Anquetin, Bernard, Denis, Gauguin, Laval, Meyer de Haan, Sérusier e Toulouse-Lautrec. O trabalho apresentado mostra como os nove artistas descobriram o cloisonismo e quais as influências exercidas uns sobre os outros. A exposição, anteriormente apresentada com grande êxito em Toronto, foi mostrada em Amsterdam onde, correspondendo às expectativas, atraiu a atenção geral.

PORTINARI- Caravanas de estudantes e turistas que tem ido a Brodósqui, desde o início do ano, para ver a casa de Portinari, estão voltando frustrados porque desde o dia 2 de janeiro o Departamento de Obras Públicas do Governo do Estado de São Paulo fechou, aquele museu para fazer pintura interna e externa e alguns reparos no assoalho e no telhado, e até hoje não concluiu as obras.
Foi o que disse na Câmara o deputado Airton Sandoval (PMDB-SP), atribuindo essa morosidade nas obras a perseguição política do governo Paulo Maluf ao prefeito de Brodósqui, José Grandi, por ele ter se recusado a aderir ao PDS, somente a muito custo, segundo o deputado, o prefeito conseguiu fazer com que o Departamento de Obras Públicas se encarregasse da recuperação da casa de Portinari que e um monumento da cultura nacional mas a obra não anda e os visitantes não podem ver o acervo existente na casa de Portinari.