quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

EXPOSIÇÃO E ENCONTRO REUNIRÃO FOTÓGRAFOS - 06 DE JULHO DE 1981

JORNAL A TARDE , SALVADOR, 06 DE JULHO DE 1981

EXPOSIÇÃO E ENCONTRO REUNIRÃO FOTÓGRAFOS

Esta foto de Juca Gonçalves mostra
 a disposição ao trabalho
Fotógrafos de todo o país estarão reunidos nos dias 13 e 14 do corrente no Campus da Universidade Federal da Bahia com o objetivo de traçarem uma política comum de atuação profissional e definirem aspectos da regulamentação profissional como o direito autoral, crédito obrigatório e tabela de preços mínimos, além da unificação e organização da categoria em defesa de seus interesses. Os fotógrafos estão dispostos a lutarem pela isenção da taxa de importação para os produtos fotográficos; estabelecerem uma política de controle dos preços, dos materiais fotográficos e criarem alternativas de produção para atuarem no mercado de trabalho.
Entre os debatedores estarão Luís Humberto, da União Estadual dos Fotógrafos de Brasília; Pedro Martineli, editor de Fotografia  da Revista Veja e Juca Martins, da Agência F-4.
Por outro lado, os organizadores do encontro promoverão uma exposição Retrospectiva da Fotobahia, a qual será inaugurada no dia oito e permanecerá até o dia 16. A intenção da mostra, segundo os organizadores, de fazer um apanhado crítico do programa que vem sendo efetivado anualmente, e com isto, traçar a trajetória deste trabalho que através de sua realização tornou-se, no único evento significativo de fotografia em nosso estado.
Com o balanço dos três anos, continua os organizadores, se deverá buscar uma análise crítica da situação atual da produção fotográfica em termos de linguagem verificando-se qual o saldo qualitativo que ocorreu durante este tempo, além de estimular a divulgação da fotografia baiana, a nível nacional. Durante a exposição será lançado o Jornal Fotobahia, documentando através de artigos e fotos que comporão a mostra, as questões mais imediatas e pertinentes para a atualidade da fotografia brasileira.

     FEIRA DE ARTE PARA INCENTIVAR MERCADO


A Escola de Belas Artes, da Universidade Federal da Bahia, vai realizar, a partir de dez de julho, sua Feira de Arte, onde não apenas serão expostas obras de arte, mas se poderá assistir palestras, mesas-redondas, projeção de slides e filmes, mostras de som, concertos e até serenata. A promoção acontecerá no pátio da própria escola e os coordenadores da feira, professores Ailton Silveira e Márcia Magno, pretendem fazer uma feira dinâmica, cheia de atrativos e que faça desses encontros um hábito para todos os que gostam de arte.
A feira contará com a participação dos alunos do primeiro semestre das Oficinas de Arte em Série, do Museu de Arte Moderna da Bahia, que, ao lado de artistas profissionais e amadores, alunos da Escola de Belas, apresentarão trabalhos de serigrafia, xilogravura e litogravura. Mas as manifestações artísticas não se encerram com estes trabalhos, porque a participação deve ser a mais ampla possível e se aceitarão peças de qualquer estilo, para simples exposição ou até mesmo para a venda.

CENTRO CULTURAL

Fazer da Escola de Belas Artes um centro cultural vivo é a principal proposta da Feira de Arte. Os coordenadores da feira pensaram em criar mais uma opção de lazer, numa cidade onde elas são muito restritas, ou, como disse  Márcia Magno: “Tentamos criar um ponto de encontro gostoso para o bate-papo, para rever amigos e acompanhar o movimento artístico sem gastar muito dinheiro.
Com a feira, os alunos de Belas Artes poderão continuar a vender os seus trabalhos e conviver informalmente com seus professores. E os professores da escola e de outras unidades de ensino da Bahia podem, quer em conversas informais, quer em mesas-redondas, palestras ou debates trocar idéias, pontos de vista ou apresentar sua produção cultural.
A ênfase, reconhecem os coordenadores, será dada às Artes Plásticas, mas toda e qualquer manifestação artística tem seu lugar garantido na feira, desde que seu autor tenha alguma ligação com a Universidade. Além das atrações normais da programação, se pretende que, em cada feira, compareça um artista consagrado, para mostrar seu trabalho, discuti-lo e explicar sua técnica, podendo ser um cantor de música popular, dançarino, poeta ou pintor.
Será cobrado um preço simbólico, como ingresso: cem cruzeiros, com direito do adquirente desfrutar tudo o que a Feira de arte exibir, além de jantar em mesinhas armadas no pátio, com gambiarras de luz colorida e som ambiental. Os que pretendem apresentar trabalho, lançar seus livros ou fazer palestras, nada pagam, mesmo porque eles são a atração da feira. Os que pretendem expor peças e vendê-las, devem contribuir com uma pequena taxa, para gratificação dos funcionários. Em compensação, tudo o que arrecadarem será seu.

OPERÁRIOS CRIAM DEPOIS DE HORAS DE TRABALHO

Detalhe da exposição montada na Telebahia
Emendando um cabo telefônico, dirigindo um veiculo, emitindo uma ordem de serviço ou simplesmente instalando um telefone de se identificar como operários da Telebahia. Cumprem as oito horas normais de trabalho e não deixam transparecer nenhum sinal de que, por detrás da rotina do dia-a-dia, na empresa, guardam consigo uma sensibilidade artística  que começa a tomar fôlego depois do expediente de trabalho e se estende por boa parte da noite.
Assim é a vida de Lima, Cosme, Neto, Licurgo, Moema, Lúcio, Jorge, Antônio Carlos, e a de vários outros empregados da Telebahia, que aprenderam a conciliar com harmonia e sensibilidade um jeito de exercer a prática de dois ofícios: o trabalho e a arte.
A última demonstração que deram ocorreu durante a realização da II Feira de Arte dos Empregados da Telebahia, levada a efeito nas próprias dependências da Empresa, e da qual participaram 35 artistas com um volume de quase 50 obras de arte expostas, entre desenhos, gravuras, fotografias, esculturas, pinturas e trabalhos de artesanato.
Como no ano passado, a II Feira de Arte comemorou o 22.º aniversário da Telebahia, e já se tornou no âmbito interno da empresa, um evento capaz de motivar e estimular a criatividade dos que possuem afinidades artísticas. A qualidade de alguns trabalhos é indiscutível, valendo ressaltar que muitos deles são assinados por artistas já conhecidos pelos colecionadores de arte que acompanham as exposições das galerias á procura de novas revelações. É o caso de Manoel Neto, Cosme do Nascimento, Licurgo Neto e do poeta/fotógrafo Damário da Cruz.



SENIL- Fiquei satisfeito com o atestado de senilidade de um colunável pintor baiano. Realmente o jornal que publicou a matéria de uma página inteira desperdiçou o seu espaço e o autor da reportagem demonstrou total desqualificação profissional. O único proveito é que o cidadão entrevistado deu um atestado público de sua senilidade.

SALÃO NACIONAL- A Comissão Nacional de Artes Plásticas. Órgão máximo de deliberação sobre o Salão Nacional de Artes Plásticas, acaba de indicar Amilcar Castro, Aracy Amaral e Ítalo Campofiorito para integração a subcomissão de seleção e premiação de IV Salão.
Outros três membros, também responsáveis pela escolha das obras do IV SNAP, serão indicados pelos artistas na ficha de inscrição à disposição dos interessados nos postos de coleta em vários estados. Os votos serão apurados no salão nobre do MNBA, dia 10 de agosto, ás 14h.
Os trabalhos deverão ser entregues em perfeitas condições de transporte no escritório da Funarte, em Brasília, nas delegacias do MEC em Salvador, Florianópolis e São Luís, no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (Av. Beira Mar s/n.º CEP 20021- Castelo-Parque do Flamengo- Rio de Janeiro), ou no Museu da Imagem e do som de São Paulo (Rua Bucareste 143).
O salão será inaugurado, no MAM-RJ,dia 4 de novembro, e ficará aberta ao público até o dia 30 do mesmo mês.

DROGADO - Vicent Van Gogh pode ter tido sua criatividade influenciada por drogas e álcool, que produzia os tons brilhantes de amarelos e os sóis e estrelas faiscantes que constitui uma característica do impressionista holandês, segundo os pesquisadores médicos norte americanos. 
Michael Albert-Puleo, estudante da Faculdade de Medicina de Clevaland escreveu um artigo no último número da revista da Associação médica Americana, no qual defende a tese de que o hábito de beber absinto influenciou as pinceladas inconfundíveis de Van Gogh.
Anteriormente, Thomas Curtney Lee , professor de Cirurgia da Faculdade de Medicina da Faculdade de Geortown já havia levantado a hipótese de que os efeitos colaterais da droga digitalis , usada possivelmente para o tratamento da epilepsia, tiveram influência na queda de Van Gogh pelos amarelos e dourados que cercam objetos brilhantes em muitos de seus quadros.
Albert-Puleo  afirma, porém que, enquanto o uso da digitalis por parte do pintor é apenas uma conjectura, há prova documentadas de que ele tomada absinto, bebida conhecida pelas propriedades tóxicas. O bebedor de absinto passava por fase de exaltação, alucinações auditivas e visuais e excitação.
As alucinações causadas pela bebida muito popular na época combinadas com a aparente doença mental do pintor, certamente tiveram uma parte nas estranhas e belas visões que o artista captou na tela disse Albert-Puleo.