domingo, 10 de fevereiro de 2013

ARTISTA BAIANO FAZ RELEITURA DA OBRA DO HOLANDÊS VAN GOGH -3 DE OUTUBRO DE 1988.


JORNAL A ATARDE,SALVADOR, SEGUNDA-FEIRA, 3 DE OUTUBRO DE 1988.

ARTISTA BAIANO FAZ RELEITURA DA OBRA DO HOLANDÊS VAN GOGH

O Painel de Fernando Oberlaender tem 1,80m x 4m e mostra parte da obra do mestre Van Gogh
Uma vida tempestuosa, de paixões desenfreadas por mulheres da sociedade ou prostitutas. Um temperamento difícil, tido como louco, mas, acima de tudo, autor de uma obra excepcional, reconhecida em todo o mundo como um dos gênios da pintura. Talvez esses elementos que definem um pouco Vicent Van Gogh tenham determinado uma influência fundamental na atual fase do artista baiano Fernando Oberlaender, que resolveu dar o nome Sede de Viver a sua nova exposição, que será aberta no próximo dia 5, na Art Nata Galeria de Arte, em Amaralina. Sua obra atual está ainda relacionada com o livro Sede de Viver, de Irving Stone, que percorre com maestria a vida desse grande pintor. Este livro inclusive foi transformado num filme dirigido por Vicent Minelli, tendo no papel de Van Gogh o ator Kirk Douglas, e Antony Quin, como Gauguin.
Esta exposição é, baseada em vinte estudos, os quais serviram para a feitura de um painel onde Van Gogh e seus personagens aparecem em cores, traços e composições semelhantes àqueles feitos pelo mestre do Expressionismo.
Sabemos que Van Gogh era um arrebatador, um homem que tinha a pintura como uma tábua de salvação para seus próprios conflitos de personalidade. Entre os personagens do painel feito por Fernando aparece o indefectível carteiro Joseph Roulin com suas longas barbas ruivas e sua farda de botões dourados, de cor azul. É portanto, uma releitura da obra do artista Van Gogh, uma postura que está sendo assumida por muitos artistas no mundo inteiro. Os mestres sempre são fontes inesgotáveis de saber e cada olhada, numa tela nos permite muitas releituras e ensinamentos. E isto que o Fernando acaba de “descobrir”
Esta reflexão tocou de perto Fernando, talvez devido a maneira romanceada com que Irving Stone conta a vida do artista.
"Quando pinto um sol, quero fazer as pessoas sentirem que gira a uma velocidade vertiginosa, irradiando ondas de luz e calor, de uma força tremenda. Quando pinto um milharal, quero que as pessoas sintam a seiva pressionando contra a casca, as semente no centro empurrando para fora, em busca da própria ", escreve Irving Stone. Mas segundo Fernando caso essas palavras não tenham saído do artista pouco me importa. O que realmente me interessa é que “Sede de Viver” consegue transmitir para o mundo ideal de um verdadeiro artista. Um homem que teve sua arte como única razão de viver, e que não se preocupa em apenas registrar e sim pintar a alma do que via.
O artista baiano ficou entusiasmado e partiu para retratar a estória contada no romance com seu próprio trabalho.
Não teve-segundo faz questão de salientar, intenção de criar uma nova visão da obra de Van Gogh, mesmo porque seria impossível, pois acredito que o pintor holandês, apesar de já ter morrido há quase um século, pode ser considerado mais contemporâneo que muitos artistas de nossa época. Apenas quero chamar a atenção das pessoas para ele “Não precisava, porque tanto a obra do holandês quando sua vida rocambolesca são presenças em todos os meios artísticos do mundo." Mas, de qualquer sorte, este chamamento do Fernando serve também como um  exercício de memória e também de aprendizado.

CERAMISTAS BRASILEIROS COM EXPOSIÇÃO NA EUROPA

Recebi da ceramista Grace Gradin um catálogo sobre uma importante exposição de cerâmica que está sendo realizada na Europa. Dia 5 a 8 de outubro estará no Instituto Ítalo Latino Americano, depois vai para Madri para o Centro Cultural Conde Duque, segue para Lisboa e finalmente para Barcelona. A apresentação é do legendário Pietro Maria Bardi que diz: “Eis uma exposição de cerâmica que vem do Brasil, um país notável por esta arte do fogo, pelo quanto fizeram as povoações nativas. É um produto que depois da conquista colonial foi cultivado no Brasil, usando técnicas e formas apropriadas à vida popular e, mais recentemente, passando a ser considerada como motivação de arte. O grupo aqui reunido pode ser considerado como um dos mais representativos do Brasil, a ponto de mostrar sua produção no exterior.
Como o visitante poderá constatar, entusiasmo, labor e procura de novidades estão aqui reunidos.
Realmente o velho Pietro diz tudo nesta sua apresentação. São cerâmicas que dão uma idéia da grandiosidade dessa arte que é praticada no Brasil. Basta citar a obra de Maurício Chaer, de Uberaba, Minas Gerais, atualmente trabalhando em Mogi das Cruzes, em São Paulo. Esta peça chama-se Figura de Pernas Cruzadas, tem 55,5x 27 cm. Modelada em esmalte saturado em ferro, forno nodorigama a lenha.

    JOSÉ TIAGO VAI EXPOR NA GALERIA  MALHOA

O artista José Tiago com uma tela que exporá 
José Tiago, pintor primitivista, realiza uma exposição no Gabinete Português de Leitura, a partir do sai 6 de outubro, às 20h30 min. Baiano de Santa Luz, ele tem mais de 100 exposições realizadas, inclusive algumas no exterior.
Pinto há mais de 20 anos mas, mesmo morando em Salvador há 35 anos, trabalho no eixo Rio/São Paulo, em galerias especializadas.
Por intermédio dessas galerias é que participa  de exposições no exterior, como em Nápoles, Marselha, Gênova e Madri. Considera, no entanto, a mais importante de sua carreira a que fez em Roma, a convite de um colecionador italiano. Já participou de vários salões nacionais e ganhou uma medalha de prata no salão da Paisagem, promoção da Sociedade Brasileira de Belas Artes.
Tiago é mais um dos bons primitivos que estão aí neste mercado muito disputado. Gosto dos primitivos porque eles mostram com ingenuidade um pouco da nossa gente simples do interior ou mesmo cenas urbanas de grande significação. Falta-lhes a técnica apurada, a ideia de espaço, de luz e sombra, perspectiva e até mesmo um desenho apurado. Mas suas composições são enriquecidas pelas cores fortes e quentes do tropicalismo brasileiro e, também, pelas imagens rurais e urbanas que registram.