sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

ROGÉRIA MATTOS EXPÕE COM MAIS 9 ARTISTAS - 06 DE JUNHO DE 1988


JORNAL A TARDE, SALVADOR,  SEGUNDA-FEIRA, 06 DE JUNHO DE 1988

ROGÉRIA MATTOS EXPÕE COM MAIS  NOVE ARTISTAS

Até o dia 19 de junho a exposição 10 Artistas reunindo Ana Marcondes, Antônio Malta, Elizabeth Cortella, Fátima Lotfi, Geraldo Paranhos, Gilberto Lefévre, Jacques Jesion, Paulo Nesadal, o mineiro João Mendes e a baiana Rogéria Mattos. A exposição está na Galeria Funarte, São Paulo e, são 50 trabalhos desses artistas, que já participaram de várias individuais. Coube a Graciela Rodrigues organizar a exposição com a participação efetiva dos artistas desde a seleção das obras e visitas aos ateliês de cada um  e a solução de problemas afins. Portanto, uma curadoria diferente, pois foi feita pelos próprios artistas para tornar a mostra mais pluralista e aberta, onde o próprio artista declara a afinidade de linguagem a partir do seu próprio ponto de vista. Vamos conhecer alguns deles um pouco mais.
Rogéria Mattos, 28, baiana, reside em São Paulo desde 85. Formação: autodidata, fez teatro durante cinco anos. Criou cenários para peças infantis e, a partir daí, passou para a pintura e a escultura. Participou de inúmeras coletivas e foi premiada em vários salões entre os quais destacamos Prêmio Aquisição no XIX Salão Nacional de Belo Horizonte, Prêmio Especial Medalha Pietro Maria Bardi, II Prêmio de Pintura Jovem Pirelli Masp.
Acrílica sobre tela, pintura colorida e vibrante,caracterizando mitos da terra onde nasceu a Bahia, como ponto de partida para o universal..Ela trilha com segurança o caminho da pintura expressiva e mágica. Suas formas imaginárias são como Rogéria diz “ o vento das cores”.
Ana Marcondes, 25, paulista, pinta desde os 14 anos e é formada na FAAP , premiada em salões do Rio de Janeiro e São Paulo, apresenta telas em técnica mista , onde predominam os contrastes do claro e escuro, nunca o estático,propondo um jogo espacial onde temos formas em movimento, o pesado e o leve, o claro e o escuro... Segundo a própria artista explica.
Antonio Malta, 26, paulista que participou do Grupo Casa 7, já expôs no MAM em 1987, na Coletivo Olho e Olio . Dentre os vários prêmios que obteve destacamos II Prêmio Pirelli Pintura Jovem.
Mito,obra de Rogéria
acrílica sobre tela
Estudou no atelier de Sérgio Fingermam , nesta coletiva apresenta guaches e óleos, estudo da figura humana particularizando o rosto .Um registro metamórfico de personagens anônimos segundo Malta.
Elizabeth Cortella, 38, paulista, estudou pintura com Juarez Magno, já participou de inúmeros salões no País, entre eles 43º Salão Paranaense, foi premiada em diversos deles. Também participou da VIII Bienal Internacional de Valparaíso, Chile. Apresenta telas de técnica mista. Sua pintura é gestual, captando o urbano, um canto qualquer do atelier, ou um beco na rua, uma figura. Sempre fragmentos, gestos inacabados que se cristalizam na s pinturas de Elizabeth.
Fátima Lotfi , 29,paulista, cursou a FAAP, atualmente frequenta o atelier de Gilberto Salvador e Sayeg. Figurativa, possui um desenho expressivo e gestual, registrando corpos pelo traço, relacionando fundo e figura, através da cor e da pincelada. Apresenta desenhos em técnica mista sobre papel.

ESCULTURAS  REUNIDAS NUMA BIENAL AINDA ESTE ANO

De 26 de novembro a 26 de fevereiro de 1989, será realizada no Rio de Janeiro, no Parque Lage, a I Bienal de Escultura Ao Ar Livre que reunirá obras representativas das principais tendências da escultura contemporânea brasileira dentro do conceito de arte pública. Além da mostra principal, que se estenderá pelos 523 mil metros quadrados do parque Lage, a Bienal incluirá ainda um Jardim de Esculturas que será implantado em caráter permanente no terraço da Escola de Artes Visuais, duas salas especiais reunidos múltiplos tridimensionais e desenhos de escultores, um seminário internacional sobre o tema Escultura em Espaço Público, seminários, cursos e Workshops.
Um  júri integrado pelos críticos de arte Frederico Morais – Diretor da Escola de Artes Visuais , Paulo Sérgio Duarte – Diretor Executivo do Paço Imperial, no Rio de Janeiro; Sheila Leirner- Curadora Geral das duas últimas Bienais de São Paulo e Evelyn Berg – Coordenadora do Museu do Arte do Rio Grande do Sul reúne-se no próximo 1º de julho para indicar 10 escultores entre os mais importantes do País que serão convidados a participar da Bienal. Em seguida , na primeira semana de agosto, o mesmo júri vai selecionar entre os artistas livremente inscritos, 20 escultores os quais juntamente com os 10 outros convidados receberão uma ajuda de custo de 726 OTNs para realização, transporte e implantação de suas peças.
De acordo com o Regulamento da Bienal, os artistas interessados em dela participar deverão enviar até 3 protótipos em escala reduzida e de esculturas obrigatoriamente inéditas, realizados no mesmo material com que serão construídas, e cujas dimensões devem ser iguais ou inferiores a 30 x 30 cm. Como as esculturas serão destinadas a um espaço aberto e público, a direção da Bienal lembra que os materiais escolhidos devem ser resistentes ao sol, à chuva, vento etc. Os protótipos deverão ser enviados com frete pago ou entregues diretamente na Escola de Artes Visuais, Parque Lage, Rua Jardim Botânico, 414, CEP 22461, Rio de Janeiro, entre 10 de junho e 22 de julho, com as respectivas fichas de inscrição.
O folheto contendo o Regulamento da Bienal e fica de inscrição , traz ainda um histórico do Parque Lage, uma planta com indicações dos 48 locais previamente selecionados para a instalação da peças. Os artistas interessados em examinar estes locais , poderão procurar a EAV, às terças-feiras, de 14 às 18 horas,m já a partir da próxima semana..

JARDIM DAS ESCULTURAS

A Sala Especial, no terraço da EAV reunirá cerca de 25 peças que, juntas, ilustrarão o percurso da escultura brasileira, do Modernismo à Contemporaneidade.
Com a realização da Bienal do Rio de Janeiro, e de outras atividades, a Escola de Artes Visuais quer resgatar para a cidade do Rio de Janeiro a posição de principal centro cultural do País. Segundo Frederico Morais, Curador Geral da Bienal, a escultura foi escolhida por estar vivendo , no Brasil, um momento de plena ebulição criativa, após o predomínio da pintura durante toda esta década, além de ser, tradicionalmente , uma das mais fortes vocações da arte brasileira, desde o Aleijadinho.
No Rio de Janeiro , o Regulamento da Bienal poderá ser encontrado na sede da Escola de Artes Visuais e, nas demais capitais do país, nos principais museus, galerias de arte e instituições culturais. Este colunista dispõe de alguns  para distribuição.

     RETALHOS DE PORTUGAL NA GALERIA MALHOA

Retalhos de Portugal é a mostra que a artista angolana Guida Cappelo estará apresentando de 9 a 25 de junho no Gabinete Português de Leitura durante a Semana Luso-Brasileira, quando outras atividades ligas a arte e a literatura serão apresentadas. Seus trabalhos refletem  suas lembranças de infância e trechos dos fados que deixam marcadas a saudade da terra distante. Guida pinta gaivotas e as reminiscências de sua terra, que agora está bem mais difícil visitá-la, ficam presentes em seus pensamentos. Isto cria um certo elemento de ligação, pois Guida está constantemente sintonizada com suas raízes angolanas. Os tempos são outros em Angola, que vive em outro regime e uma guerrilha domina parte do País. São os interesses ideológicos que às vezes se sobrepõem aos próprios habitantes.

         PINTURAS DE SÉRGIO RABINOVITZ

A arte de Sérgio Rabinovitz é universal. Poderíamos dizer que os riscos gestauis cheios de sinuosidade têm algumas coisas a ver com nosso barroco que está impregnado em tudo que fazemos. Mas, sua arte tem uma presença caligráfica. As variações são sempre formais, é espaço, a cor. É o desenvolvimento de uma linguagem como o próprio Sérgio faz questão de frisar. Atualmente , ele considera mais racional, “é um elemento de construção da obra, a maioria das pinturas e desenhos está sendo manocromáticas, e há uma delicadeza no trato da superfície. Ao mesmo tempo, estou justapondo elementos das festas populares aglutinados aos grafites, as ranhuras das paredes, o tempo e seu dilaceramento, a inscrição acidental como somatório de uma estética”.