quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

MORTE E FAMA - 22 DE JUNHO DE 1981


JORNAL A TARDE, SALVADOR, 22 DE JUNHO DE 1981

                     MORTE E FAMA

Muitos mortais passam a vida inteira trabalhando, lutando e nunca alcançam a fama. Outros, ficam famosos depressa e costumamos dizer que nasceram com uma estrela na testa. Isto ocorre em todos os campos da atividade humana. Porém, a nossa memória está sempre recebendo novos estímulos e também no setor da arte novos valores vão aparecendo.
Aplaudimos, mas não podemos esquecer também os antigos e verdadeiros valores. É o caso, por exemplo, do grande tapeceiro Genaro de Carvalho, um criador nato, um homem que vivia em seu atelier trabalhando sem parar.
A última vez que tive oportunidade de visitá-lo estava cortando uma batata para estudar suas estranhas e desenhar esboços de tapetes. Sua morte aconteceu no dia 2 de julho de 1971, portanto, há dez anos atrás, e nada de significativo foi feito até agora para deixar marcada sua obra na memória da cultura baiana ou seja a contribuição de Genaro para as artes de nossa Bahia.
Agora será aberta na Rua Pará a Genaro Galeria de Arte. Uma justa e tardia homenagem.Lembro que o Museu do Estado fez uma exposição de algumas de suas obras quando era diretor o decorador José Pedreira, também falecido. Na ocasião todos foram unânimes em afirmar que ali não estavam expostas as obras mais significativas de Genaro de Carvalho. Com todo o respeito a José Pedreira e outros que participaram da organização, faltou naquela mostra o cunho verdadeiro de uma exposição retrospectiva que marcasse profundamente tudo aquilo que Genaro de Carvalho produziu. Para lembrar aos mais novos, devo dizer que não podemos falar na tapeçaria brasileira sem dar destaque à contribuição dada por este artista baiano. Não podemos falar em arte moderna na Bahia esquecendo a força do seu talento. É hora de se fazer justiça a Genaro de Carvalho, que teve relativa fama em vida e que precisa ser lembrado sempre por tudo que representou como pessoa e acima de tudo como o grande artista que foi.
Lembro ainda que bem defronte a seu atelier no saguão do Hotel da Bahia, que era o hotel da moda na época, existiam belos e grandiosos tapetes de Genaro de Carvalho. Com essas obras de reformas que estão sendo realizadas por lá, ninguém sabe por onde andam, talvez até estejam amontoados, cheios de poeira ou até tenham tido um destino mais triste. Lembro também que no seu atelier guardava nas paredes centenas de cartões seus esboços que serviram para criar os  tapetes.Tinha o cuidado e a paciência de um monge que regia a sua vida no dia-a-dia com régua, tinta e compasso.

     ROMANELLI E SUA ARTE DE CORES EXUBERANTES

O conjunto de obras exposta pelo pintor Armando Romanelli, na Kattya Galeria de Artes tem razoável qualidade. Porém, em algumas delas notei a falta de equilíbrio, que a meu ver é característica essencial na composição plástica. Mas, em contrapartida o belo colorido impressiona os menos avisados. A temática também não apresenta grandes novidades. São os cavaleiros, os dom quixotes e as ovelhas pastando. São telas que servem para embelezar ambientes.
Segundo Paschoal Carlos como artista. Diria apenas que em algumas telas, Romanelli consegue sair do lugar-comum. É verdade que ele pinta desde 1963, quando fez sua primeira exposição na Galeria do Clube dos Quinhentos, no Rio de Janeiro, e que de lá para cá tem participado de dezenas de exposições individuais e coletivas.
Inclui ainda o seu currículo algumas premiações. Porém, isto não me impressiona porque acompanho de perto o inchar constante de currículos de artistas. O que é preciso anotar é que Romanelli é sem dúvida um pintor comercial, porque a beleza  do colorido e das figuras quixotescas agradam, especialmente integrantes da classe média que precisam vestir suas paredes nuas com quadros bonitos.

              FRANK BOER

 Seus temas variam do surrealismo ao acadêmico. Seus desenhos começam a aparecer em anúncios publicitários, onde eles acredita que ficam um pouco aprisionados porque tem que obedecer a determinações de outros que manipulam em equipe a criação. O importante é que Paulo Frank Bôer, paulista de 22 anos, e seis de Bahia, continua trabalhando com afinco em bico de pena, aquarela, lápis de cor e retratando tudo que toca de perto a sua sensibilidade. Notamos nos seus trabalhos harmonia e suavidade e uma ligação afetiva à figura humana e a paisagem. Não fiz ainda a minha primeira exposição porque ainda estou amadurecendo”. Esta declaração demonstra a sua humildade e cuidado para quando for realizar uma mostra, ser visto dentro de uma ótica de qualidade. Este trabalho ele doou a Junot Silveira e chama-se Encosta de Salvador.



ECKENBERGER – Está expondo no atelier Jacob , em Paris o artista Reinaldo Eckenberger até o dia 10 de julho. Esta galeria fica na rua Jacob,Paris e é especializada na chamada Arte Brut. Sem dúvida os trabalhos de Eckemberger vão agradar em cheio aos amantes deste tipo de arte. Na foto o catálogo da mostra deste baiano por adoção.





COLECIONADOR – O colecionador de arte Edward Elicofon recebeu do judiciário da determinação para que devolva ao Museu da Alemanha Oriental dois retratos a óleo pintados pelo renascentista Albrecht Dürer em 1499 e roubados durante a II Guerra Mundial. Elicofon, 77 anos, e colecionador em Manhattan , disse haver adquiriu as duas obras primas em Nova Iorque, em 1946, mantendo-as desde então na sala de estar de sua casa.
Os dois retratos de 29 X 24 cm foram pintados em madeira e retratam Hans Tucher e sua noiva Felicitas . Valem 10 milhões de dólares e são agora mantidos na caixa forte de Manhanttan enquanto se aguarda nova decisão do Judiciário, pois o colecionador dissse que recorrerá da decisão do juiz distrital Jacob Mishler .
Mishler , juiz titular do Tribunal Distrital de Brooklin, Nova Iorque, determinou que as pinturas sejam devolvidas ao Museu de Kunsts Ammlungen  Zu Weimar, na Alemanha Oriental, que provou ser o proprietário dos óleos desaparecidos durante a Guerra.

IV SALÂO – Estão abertas na Coordenadoria de Planejamento da DMEC – Bahia, Largo Dois de Julho nº 42, 2º andar as inscrições ao IV Salão nacional de Artes Plásticas franqueado aos artistas que desenvolvem qualquer expressão artística , das tradicionais até as mais livres manifestações de foto linguagem, performances, vídeo tapes, filme de curtas metragem 16 mm, super 8, audiovisual e objeto. Cada participante deverá escrever o máximo de três obras por categoria, limitado o espaço de ocupação de 12m2. As inscrições estão sendo feitas na Delegacia do MEC, ao Largo Dois de Julho, n 42, 2  andar, nesta capital , no horário das 8 às 12 e das 14 às 16 horas, no período de 15 de junho a 30 de julho.


EX LIBRIS – o Gabinete Português de Leitura está realizando uma exposição da Coleção Ex Libris José Mesquita dos Santos com cerca de 100 Ex Libris de portugueses, brasileiros e de outras nacionalidades. A exposição está aberta a partir das 21 horas na Galeria Malhôa , do Gabinete Português de Leitura, no Jardim da Piedade.
O colecionador José Mesquita dos Santos fez a doação da coleção no ano de 1968 realizando anteriormente duas exposições na Bahia . Foi a partir de seus 14 anos que teve despertada a sua atenção para o Ex Libris. Relacionando-se com colecionadores de toda a Europa, América do Norte, Austrália, México, Canadá, Argentina e outros povos latinoamericanos conseguindo um acervo de 5 mil Ex Libris, dos mais importantes colecionadores do mundo, entre eles Afonso Lopes Vieira, Duque Lafons, Ega Moniz e Visconde de Santarém. O Ex Libris, segundo José Mesquita dos Santos, remonta ao século XV , tendo a sua origem na Alemanha. Sua principal função era marcar a posse dos livros.




XVI BIENAL – O arquiteto Claudio Moshella , de São Paulo foi o vencedor do Concurso Nacional de Cartazes, instituído pela Fundação Bienal de São Paulo, com o patrocínio da Companhia Souza Cruz,m que teve por objetivo escolher o cartaz para divulgar a XVI Bienal Internacional de São Paulo, a ser realizada no período de 16 de outubro a 20 de dezembro próximos. Moshella vai receber da Souza Cruz um prêmio de !50 mil cruzeiros. Os outros quatro cartazes classificados de Moacir Rocha e Nicolau Maximile, de Regis |Francisco e Claudio Madureira; de Walter B. Garcia e Segisfredo Mascarenhas; e de Gustavo Suarez receberão um prêmio de 25 mil cruzeiros cada, a título de incentivo. Esta é a segunda vez que Claudio Moshella, 43 anos, vence um concurso de cartazes realizado pela Fundação Bienal de São Paulo. O primeiro foi na XII Bienal, em 1977. Além desses Moshella  também ganhou por três anos consecutivos o concurso de cartazes do Salão Paulista de Belas Artes – em 1964, 1965 e 1966 e o concurso na I Bienal de Campinas.