quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

PROJETO REMBRANDT REJEITA 200 OBRAS ATRIBUÍDAS A ELE - 04 DE ABRIL DE 1988 -


JORNAL A TARDE, SALVADOR,  SEGUNDA-FEIRA, 04 DE ABRIL DE 1988

PROJETO REMBRANDT REJEITA 200 OBRAS ATRIBUÍDAS 
A ELE
Auto-retrato juvenil do genial Rembrandt

Desde que foi instituído em 1968, o Projeto de Pesquisa Rembrandt-  Amsterdam já examinou quase 600 obras atribuídas ao mestre, em todo o mundo. Ao fazê-lo provocou vibrante controvérsia entre connaisseurs e curadores de museus por ter rejeitado quase metade das atribuições, reduzindo a cerca de 400 as obras autênticas.
O jornal londrino The Observer comentou briga recente, sobre a autenticidade de dois Rembrandts da National Gallery britânica. O Projeto de Pesquisa Rembrandt, através do seu chefe, professor Josua Bruyn, afirmou que determinadas áreas das pinturas “foram produzidas por outra mão”, sendo de qualidade inferior, e, portanto, nenhuma das duas pode ser aceita como obra autografada de Rembrandt.
Peter Watson, do The Observer, explica que as obras discutidas são retratos; um é o retrato de Philips Lucasz, diretor da Companhia das Índias Ocidentais, e a comissão diz que a enorme gola de renda e outros acessórios não são do mestre. O segundo é um retrato equestre de Frederick Rihal, renomado cavaleiro e solteirão aristocrata, retrato antes considerado como o mais aristocrático jamais pintado por Rembrandt.
Agora, os especialistas holandeses acreditam que o cavalo todo foi obra de outra pessoa. Mas o curador da National Gallery. Christopher Brown,, defende as pinturas e critica o projeto: “O professor Bruyn e seus colegas pensam que Rembrandt esteve sempre em ótima forma. Ele era procuradissimo em seu tempo: Não admira que alguns retratos fossem melhores que outros. Com relação ao retrato equestre, lembre-se que Rembrandt não tinha grande intimidade com cavalos.
Somente uma outra obra sua pode ser comparada a esta, na Frick Collection, em Nova Iorque. E prossegue: “O cavalo é fraco, admito, mas isso não significa que outro pintou. Quando foi produzido, em 1663. Rembrandt ainda não possuía estúdio.Portanto, como afirmar que foi obra de estúdio? No passado o Projeto Rembrandt colheu muito sucesso: em 1977 concluiu que outro Rembrandt na mesma National Gallery  a obra Scholar  in Lofty Room não era legítimo. Oito anos depois Brown concordou.
O professor Bruyn acredita que sua equipe conseguiu identificar um excelente falsificador de Rembrandt que viveu no sul dos Países Baixos, no final do século XVII. Uma série de pinturas, em todo o mundo, revelam características similares que não pertencem a Rembrandt disse ele. As pinturas, entretanto, estão todas assinadas indicando possivelmente a intenção deliberada de enganar.

MERCADO DE ARTE AGITA PARIS E LONDRES E TAMBÉM 
A GRANDE MAÇÃ

Paris (AFP) Se Paris, que já foi a principal praça do mundo no mercado de obra de arte, aparece hoje em posição inferior frente a Londres e Nova Iorque, um balanço de 1987 acaba de demonstrar que a capital francesa está reagindo.
Drouot, a primeira galeria parisiense em vendas, registrou no ano passado um volume de negócios equivalente a 350 milhões de dólares, um crescimento de 42% em relação a 1986.Esse excelente resultado, apresentado pelo presidente da Associação dos Leiloeiros Parisiense, Joel-Marie Millon , deve-se em grande parte a alta dos preços no mercado de arte moderna, onde o crescimento oscilou entre 60 a 100%. A Galeria Drouot, no entanto continua muito distante das poderosas casas britânicas Sotheby’s e Christie’s.
A Sptheby’s , que no ano passado vendeu O Íris, de Van Gogh por 53 milhões e 900 mil dólares, recorde absoluto anunciou para 1987 um volume total de negócios da ordem de um bilhão e 400 milhões de dólares, ou seja um crescimento de 60%.
Para enfrentar a competência britânica, os leiloeiros parisienses incentivados por Millon  que pretende agilizar uma profissão dificultada por uma regulamentação obsoleta parecem decididos a pegar o touro pelos chifres. O principal entrave , que continua contendo o ímpeto dos mais afoitos , é o imposto de 7% que o vendedor deve pagar aos Estado.
A exemplo da Sotheby’s e a Chritie’s que sempre souberam organizar leilões com ares de grandes espetáculos, oferecendo a compradores e vendedores serviços eficazes, especialmente financeiro, Millon deseja que a Drouot se transforme numa verdadeira empresa leiloeira com todos os serviços complementares – financeiros, jurídicos,analíticos – e não um  simples ponto de venda.
Mas, para atrair o dinheiro dos japoneses e norte-americanos, o mercado francês de arte exige uma significativa redução do imposto. O Governo fez promessas mas até agora não parece inclinado a abrir mão de uma fonte atraente de renda.

AS MAZELAS DO BRASIL ESTÃO POR TODA PARTE
Liane  chocada com  ênfase dada as nossas mazelas

Recebo outra correspondência da artista Liane Katsuki que está morando no estado de Drenth , na cidade de Emmen , na Holanda. Sua cidade fica bem próxima da fronteira alemã. Conta-me Liane que no último 4 de março, Dia Internacional da Oração, foi convidada pelas autoridades locais, por ser tema o Brasil para falar sobre o nosso País. Falou sobre tudo: a união das raças, a inflação galopante, a corrupção que anda sujando as mãos de muita gente, a música, a dança e, é claro, as artes plásticas. Ela recebeu um livrinho que está sendo distribuído pelas igrejas de todo o mundo, onde as mazelas estão em destaque. Num canal de televisão o programa pornô é nosso Carnaval no gênero denominado Pin-Up Club. Daí seguem as catástrofes de Goiânia,enchente e assalto no Rio de Janeiro, miséria no Nordeste.
Obra  da artista brasileira exposta na Holanda
Quem está lá fora fica indignado porque o Brasil não é só isto. Existem as mazelas , as catástrofes, as corrupções, mas nosso País também tem além de sua grandiosidade geográfica muita coisa positiva a ser mostrada lá fora. E foi por isto que Liane ficou indignada com tanta ênfase dada pelas pessoas nossas as mazelas.
Tudo isto aconteceu numa igrejinha do século XIV na cidade de Westerbork , aquela mesma onde muitos judeus foram presos e recrutados para seguirem para os campos de concentração nazistas.
Mas, Liane apresentou  uma exposição dos seus últimos trabalhos , juntamente com Dave Lefort e Linda Hoetink . Liane apresentou suas jóias, provocando boa aceitação tanto da crítica quanto do público que visitou a exposição.