quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

SALÃO UNIVERSITÁRIO DIVULGA NOMES DOS ARTISTAS PREMIADOS - 31 DE OUTUBRO DE 1988


JORNAL A TARDE,SALVADOR,  SEGUNDA-FEIRA, 31 DE OUTUBRO DE 1988

SALÃO UNIVERSITÁRIO DIVULGA NOMES DOS
ARTISTAS PREMIADOS
A Comissão Julgadora examinas trabalhos inscritos por uma centena de artistas de várias tendências

 Já foram concluídos os trabalhos de julgamento do Salão Universitário de Artes Visuais- SUAP, quando o corpo de jurados considerou que esse certame artístico tem o principal objetivo de estimular e promover o desenvolvimento das artes entre os estudantes universitários.
Detectou os diversos caminhos e linguagens da arte produzida pelos estudantes e procurou mediante um criterioso processo de seleção e premiação exemplificar com o que considerou de mais significativo entre as obras inscritas. Para tanto levou em consideração a técnica, o sentido de contemporaneidade e a criatividade. Foram examinadas um total de 281 obras de 109 artistas universitários.
Notou ainda a má qualidade das esculturas apresentadas, sendo que nenhuma delas foi selecionada para participar do Salão e a sua grande maioria tem uma técnica má desenvolvida e total falta de criatividade. Eram, na realidade exercícios de salas de aulas, demonstrando falta de orientação das pessoas encarregadas de sua formação acadêmica. Também quero chamar a atenção que a Bahia já foi importante, senão o mais importante, centro da gravura brasileira, e, hoje este segmento da arte não vem recebendo a atenção desejada. Para nossa surpresa um dos premiados - Joselma de Rosário Souza - apresentou três xilos de qualidade porém,  as demais gravuras eram primárias, com exceção de duas feitas por Crispim, que sinalizam uma certa qualidade, principalmente pelos cortes, quase cinematográficos figuras.

OS PREMIADOS

Entre as 281 obras inscritas por 109 artistas foram premiadas pela Comissão composta de Reynivaldo Brito, Ivo Vellame, Juarez Paraíso, César Romero e Juracy Dórea. Eis os premiados: Prêmio Universidade Federal da Bahia, no valor de CZ$ 100.000,00 concedido  a Joselma do Rosário Souza, por suas três xilogravuras; a Dílson Fernandes de Oliveira por suas duas pinturas e a Alessandro César Pereira dos Santos por suas duas pinturas. Prêmio Desenbanco, no valor de CZ$ 100.000,00 a Wildvan Luiz da Costa por suas pinturas;  Prêmio Associação Cultural Brasil-Estados Unidos-ACBEU, no valor de CZ$ 50.000,00 a Gabriel Moreira Lopes Fontes, com suas três obras em técnica mista; Prêmio Câmara Municipal do Salvador, no valor de CZ$50.000,00 a Valéria Leite Simões pelos seus três cartemas Prêmio Jornal da Bahia, passagem aérea, ida e volta ao Rio de Janeiro, a Simone de Almeida Bezerra com suas duas pinturas; Prêmio Tribuna da Bahia, um fim de semana no Hotel Canto do Mar, a Francisco de Assis Vieira Macedo com suas duas pinturas; Prêmio Jornal A TARDE, passagem aérea ida e volta para Recife a Sílvio Vianna da Silva com suas duas pinturas.

OS SELECIONADOS

Faço questão de registrar os nomes dos 45 artistas que apresentaram trabalhos e foram selecionados totalizando 81 obras, vejamos: Carlos Alberto Mascarenhas, Eriel de Araújo Santos, Edgard Oliveira, Valmir Lemos Cirne, Antônio José de Oliveira Filho, Sebastião Edson de Jesus Crispim, Roseana Penalva Sampaio, Ginalva Amorim de Carvalho, Dílson Fernandes de Oliveira, Edson santos Sodré, Sílvio Vianna da Silva, Alfredo Gama, Rubem Dário Rojas Vegas, Gilmar Silva Gama, Joselma do Rosário Souza, Álvaro Fernandes Santos, Humberto Luís Gonzaga, Gabriel Lopes Pontes,  Valéria Simões, Alessandro César, Luís Claudio Brito, Júlio César Garrido Mais, Isa Maria Moniz A. Faria, Andréa Way, Jaime Andrade, João Carlos Veloso dos Santos, Maria do Rosário Seabra, Helena Concentino, Francisco de Assis Macedo, Edson Fernandes Pereira, Wildvan Luiz Marques da Costa, Elder Carvalho, Larry Wellace, Simone A. Bezerra, Burity, Reiner José Ramos Anselmo, Eduardo Tadeu, Rui Andrade, Edy Mabel, Aparecida Zacconi, Rosana de Assis, Fernando Freitas, João Alberto Silva, Manoel dos Santos Filho e Alexandre Luís Filho.

EM DEFESA DOS SALÕES, BIENAIS E OUTRAS MANIFESTAÇÕES DA ARTE
Momento em que duas obras eram examinadas pelos jurados



O reaparecimento do Salão Universitário deve ser visto como uma retomada importante para a arte praticada no âmbito a Universidade porque possibilita ao artista universitário expor os seus trabalhos, a sua produção como se fosse mais uma manifestação do talento em formação do que uma presença no mercado de arte. Este aparente não-compromisso deixa o artista mais a vontade para ousar, porque ele sabe que ainda tem muita terra pela frente e, que, por isto, pode se dá ao luxo de questionar e inovar com mais espontaneidade. Também sua importância é fundamental na formação de profissionais dentro de uma concorrência salutar e que só merece aplauso por sua concretização.
Defendo os salões, bienais e outras manifestações do gênero por entender que nesses momentos podemos confrontar a arte feira por várias pessoas, em circunstâncias e até, em culturas diferentes, o que sempre resulta no reconhecimento público de novos talentos. Lembro-me que a História da Arte registra importantes momentos que surgiram e se perpetuaram depois da realização de mostras coletivas. Defendo, também, que mesmo os artistas mais consagrados devem participar desses eventos porque é uma oportunidade de esquecer os elogios repetitivos e partir para checar como anda a sua obra em relação aos novos tempos.
Voltando ao Salão Universitário de Artes Visuais, promovido pela Universidade Federal da Bahia e organizado pelo professor Ivo Vellame, devo dizer que me manifestei contra o seu desaparecimento. Lembro-me do mestre Clarival Prado Valadares que por diversas vezes, juntamente com críticos de outros estados, vinham a Salvador participar do Salão, e do seu entusiasmo, quando descobria entre aqueles jovens artistas, um talento. O mestre ficava entusiasmado e sempre tinha palavras elogiosas, pronunciadas com a segurança de quem conheça o traçado. Assim, depois de vários anos, o professor Ivo Vellame consegue resgatar esta dívida da Universidade para com seus artistas, cuja produção está sendo apresentada ao foyer do Teatro Castro Alves. Esse evento já tem um pouco de história, inclusive lembro-me que, durante a realização de um desses salões, alguns artistas tiveram suas obras recusadas, as quais foram arrumadas provisoriamente num barracão da Escola e Belas Artes e, na noite de abertura do salão, o barracão foi destruído por um incêndio.
Ninguém sabe  se o incêndio foi criminoso, mas o certo e que os que tiveram suas obras resusadas fizeram protestos e se manifestaram com muita veemência.
Uma posição até certo ponto compreensível. Melhor seria se tivessem trabalhado com  mais afinco para ganhar o espaço sem a necessidade de protestos.
Mas o que importa neste momento é a volta do Salão Universitário e a participação de mais de 100 artistas que colocam suas obras ao nosso julgamento e, mais ainda, de Juarez Paraíso, Cesár Romero, Juracy Dórea e Ivo Vellame.