quinta-feira, 15 de novembro de 2012

CARTUNISTA PAULO SERRA E SUA VERSÃO DO LOBO MAU - 30 DE JUNHO DE 1986.


JORNAL A TARDE, SALVADOR, 30 DE JUNHO DE 1986. 

CARTUNISTA PAULO SERRA E SUA VERSÃO DO LOBO MAU

 Vou falar hoje de um batalhador.
De uma pessoa que vive há vários anos dedicando seus melhores momentos em defesa da natureza. Trata-se de Paulo Serra, este cartunista de mão cheia e muitas vezes incompreendido por pessoas não muito sensíveis. Sua luta é grande e tenho assistido de longe as dificuldades que é obrigado a enfrentar para conseguir passar suas idéias. Uma luta que é travada nas escolas, nas ruas, nos parques e nas redações dos veículos de comunicação. Como um verdadeiro pastor ele vai mostrando o seu trabalho, a sua crença e as suas idéias. Discute, contesta, briga e vai em frente. Pega o lápis e na prancheta cria novas “armas” e parte para outras batalhas. É um guerreiro destes que nasceram para brigar por sua causa e a natureza é a razão maior da sua própria vivência.
Agora volta Paulo Serra com uma versão ecológica da famosa estória do “Chapeuzinho Vermelho e o Lobo Mau ”, onde procura desmascarar este medo que as estórias infantis criam da natureza.
Geralmente a floresta é um lugar perigoso onde os bichos estão por lá espreitando a chegada de uma criancinha para abocanhar. Para ajudar a desmistificar este medo é que ele criou esta versão onde o lobo mau do “Chapeuzinho Vermelho” passou a ser o caçador, o vilão da estorinha.
Chapeuzinho Verde foi amadurecendo, segundo Serra, e veio com o objetivo de tentar minimizar estes falsos conceitos que nos foram transmitidos, e, que ainda persistem na infância, ou seja, o medo dos animais e da floresta, caracterizando homens insensíveis e cruéis para com a própria Mãe Natureza.
Assim o lobo mau da estorinha não engoliu a vovozinha e nem tampouco foi morto com uma automática por Chapeuzinho Vermelho, conforme outra versão que tive oportunidade de ler num livro didático de inglês. O lobo de Paulo Serra passou a fazer companhia à vovozinha e é o defensor do sítio que constantemente era invadido por caçadores.
Mas, o nosso personagem o Paulo Serra tem o próprio sobrenome ligado à destruição das florestas ou seja, Serra. Quando a gente pensa neste instrumento imediatamente lembra das imensas árvores da região amazônica tombando diante dos movimentos de vaivém contínuo das moto-serras. Lembro-me que certa ocasião um amigo em tom de brincadeira me chamava a atenção que geralmente quando os indivíduos têm sobrenomes de Leão, Lobo e outros animais são dóceis, exatamente o contrário do que a maioria das pessoas imaginava. Enquanto os que têm sobrenomes tipo Passarinho, Pinheiro ou Carneiro e outros, não eram tão mansos ou dóceis como poderíamos crer.Mas o nosso Serra não é lenhador e tem raiva de quem corta árvores.

UMA VISÃO DO COTIDIANO NORDESTINO

Mais um maranhense que vem a Salvador mostrar seus trabalhos.
Desta vez é José de Jesus Santos, ilustrador, desenhista e artista plástico cujo trabalho é calcado nas coisas do Nordeste. Ele trouxe apenas cinco telas a óleo que estão expostas na Galeria Mab, na Pituba. Sua temática é sempre ligada à terra e à gente nordestina.
Informa o artista que quem menos sabe falar de sua arte é ele próprio.Mas, depois de algumas considerações. José Silva diz pertencer à escola fantástica brasileira e que não abre mão de retratar e lutar pela preservação dos valores e costumes brasileiros.
Nos seus trabalhos notamos uma presença de transparências, noutros uma textura mais densa, mas sempre a temática é calcada na sua realidade nordestina. O artista andou muito por cidades nordestinas verificando in loco os costumes e os valores para assim poder mostrar a feição urbana dessas comunidades. Uma visão plástica do cotidiano nordestino.

MUSEU PICASSO É UM DOS MAIS VISITADOS DE PARIS

Paris (AFP) – Está sendo muito visitado em Paris o mais importante museu do mundo dedicado ao grande artista de nosso século, o espanhol Pablo Picasso. As 360 obras do pintor, reunidas neste novo templo artístico parisiense, superam todas as coleções de Picasso existentes, tanto as dos museus de Antibes (França) e da Barcelona (Espanha) como as do Museu Puchkin, de Moscou; do Museu de Arte Moderna de Nova Iorque ou de seus congêneres de Washington, Chicago e Londres.
A origem desse verdadeiro tesouro – 203 telas , 158 esculturas e vários milhares de desenhos e gravuras – é nada menos do que a coleção pessoal do próprio artista, uma quarta parte da qual foi cedida ao Estado francês pelos seus descendentes como pagamento dos impostos devidos a herança que Picasso lhes deixou. O que está expostos são, pois, os famosos: Picasso de Picasso, isto é, sua coleção pessoal formada por aquelas obras das quais o artista jamais quis se desfazer e obras de sua pinacoteca particular, que possui vários Cézanne , Matisse e Rousseau, entre outros grandes mestres.
O novo Museu situa-se no tradicional bairro de Marais, não muito longe da Praça da Bastilha,no Hotel Sale, uma luxuosa mansão de 1600 totalmente restaurada. O)s arquitetos que se encarregaram das obras tiveram a preocupação em transformar a mansão não em um museu igual aos outros, mas em um local onde o visitante se encontre em casa, por isso não se encontra ali nenhum refletor, pois os quadros são iluminados por luz natural que entra pelo telhado.Por outro lado, a apresentação das obras de Picasso por ordem cronológica permite seguir claramente a trajetória do genial artista através das pinturas, esculturas, colagens, cerâmicas, desenhos, gravuras e manuscritos que se sucederam durante toda sua vida.
A celebridade de Picasso, que começou na década de 20, nunca sofre uma eclipse até sua morte, e pode dizer-se que nenhum outro artista do último século exerceu tanto poder de fascinação sobre seus contemporâneos. A inauguração desta fabulosos Museu na capital francesa juntamente à valiosa coleção de telas de Picasso já existente no Centro Georges Pompidou , confere a Paris mais um galardão: Ser de agora em diante a cidade que possui a maior coleção de obras do gênio andaluz.
O Pintor E Seu Modelo, uma das obras expostas no Museu .Ao lado, um autoretrato do mestre .