sábado, 17 de novembro de 2012

JUSSARA BRINCA COM SUAS LEMBRANÇAS DIA DEZESSETE - 14 DE ABRIL DE 1986

JORNAL A TARDE, SALVADOR, 14 DE ABRIL DE 1986.

JUSSARA BRINCA COM SUAS LEMBRANÇAS DIA DEZESSETE

Jussara e um dos trabalhos que serão expostos no Icba.
“Esta mostra poderia ser chamada de Brinquedo, Recordação ou Percepção, porém estaria incompleta, pois ela é uma soma, um total de tudo isso e foi aí que chamei de Totalidade, onde ela se completa como um círculo”, desta maneira simples e sincera Jussara vai falando de sua mostra que será aberta no ICBA, no próximo dia 17, às 20 horas.
São desenhos feitos dentre dessa visão lúdica de Jussara que vai construindo seus carros e suas estradas como um garoto que vibra com seu autorama.
Os carros vão surgindo e deixando suas marcas no branco papel, enquanto Jussara vai criando e determinando as suas rotas. Desenhos que lembram rodas-gigante, carrosséis nos fazem recordar as músicas estridentes dos parques de diversões. São fragmentos desta artista, que deixa transbordar também o seu espírito maternal, uma coisa natural; já que Jussara está curtindo a gestação de seu primeiro filho.
Suas obras são fragmentos
de lembranças da infância
Suas formas nos transmitem vibrações e parece que agente está vendo crianças brincando de rodas, noites de Lua cheia, formas que se fecham, sons que expandem. São momentos de um tempo que está ficando distante porque os jogos eletrônicos e o vídeo vão aos poucos invadindo os lares e expulsando outras brincadeiras e divertimentos mais puros. Tem-se ainda a sensação de diálogos e o vozerio alegre de crianças correndo de um lado para o outro. Hoje essas lembranças se confundem com a gestação de Jussara, e “é nesta fusão de coisas que continuo imaginando, criando e brincando, só que dessa vez com o lápis e o papel”. Diz Jussara que através das vibrações dos sons da música, percebe a forma e a cor, tenta colocá-las no papel. Até mesmo dos seus sonhos nascem formas que lembram coisas infantis e atualmente Jussara deixa também transparecer através de seus trabalhos as suas raízes fincadas a esta terra. “Vira, mexe e eis que aparecem em meu trabalho o dendê do acarajé que comemos e cai na nossa roupa. E, é nesta mistura de cor, de raça e de tempero, que jogo o índio e o negro em cartas de baralho, a mulher cansada de ser  a rainha do lar, e querendo Iemanjá a Rainha do mar.
Nesta sua viagem vai rompendo a estrada e nela olha atenta nas traseiras dos caminhões onde se descortinam as mensagens e as formas puras da cultura popular. São formas e mensagens sem uma preocupação intelectual maior, apenas é o jeito simples e puro de enxergar o que lhes rodeiam. E por que estamos falando em traseiras de caminhões?
Exatamente para demonstrar que a atual fase de Jussara tem esta mesma pureza, embora seja uma artista com formação universitária – Escola de Belas Artes -. A Cidade grande, a metrópole e as informações acadêmicas não conseguiram - ainda bem – apegar as lembranças de sua infância que agora brotaram com toda a força. Seus atuais trabalhos em guache, lápis de cera, as colagens, enfim, obras que tem o papel como suporte, nos dão esta sensação de um momento de lazer.um momento lúdico onde você revive o passado com as cores do presente e as vibrações de um futuro que parece promissor.

CENTENÁRIO DE NASCIMENTO DE MANUEL BANDEIRA

As três mulheres de Araxá
A propaganda da época
Considero o poeta Manuel Bandeira de certa forma injustiçado. Os meios intelectuais não atentaram ainda para a importância de sua obra, agora, lembrada no seu centenário de nascimento que ocorre no dia 19 deste mês. Bandeira merece muito maior destaque que outros poetas contemporâneos pela sua sensibilidade, pela qualidade dos seus versos que tocam em coisas que nos são muito caras ou comuns de uma maneira muito terna. É dentro desta minha visão de admirador da obra de bandeira que aplaudo a iniciativa da Academia de Letras da Bahia de homenagear o poeta com o lançamento de um cartaz-poema com a poesia Balada das Três Mulheres do Sabonete Araxá. Uma exposição bibliográfica, palestra de Ledo Ivo, de Pedro Moacir Maia, Myriam Fraga e Evelina Hoisel, além de uma mesa redonda sobre Bandeira como tradutor de poesia. Seria bom também que nas escolas os professores lembrassem de passar para seus alunos ensinamentos sobre a obra do poeta. Vejam a beleza desta poesia no carta-poema.

     QUADRO DE FRANCISCO GOYA FICA NA ESPANHA

A obra  Marquesa de Santa Cruz está atualmente exposta no Museu do Prado, em Madri.
Londres (UPI) – O Governo espanhol pagou seis milhões de dólares por uma obra prima de  Francisco Goya que estava prevista para ir a um leilão na próxima sexta-feira, quando provavelmente seria vendida por um preço recorde, acima de doze milhões de dólares.
“É um acordo muito satisfatório para ambas as partes”, afirmou na Inglaterra Lord Wimborne que comprou há três anos o retrato da Marquesa de Santa Cruz, feito por Francisco Goya em 1805, apenas , segundo disse como “investimento”.
A Galeria Christie’s iria leiloar o quadro da marquesa e os especialistas esperavam que ele fosse vendido por um preço acima de doze milhões e cento e cinqüenta mil dólares, que o Museu Getty , da Califórnia pagou no ano passado por um quadro de Mantegna.
A Espanha, no entanto, que há algum tempo vinha tentando recuperar o quadro em poder de Lord Wimborne, se adiantou e fez um acordo em cima da hora. O Governo espanhol chegou a entrar na Justiça para embargar a venda – o país tem uma legislação rígida proibindo exportação das grandes obras de arte -, argumentando que o Goya fora vendido ilegalmente através de documentos falsos.
Mas hoje Lord Wimborne disse : - Estou muito feliz porque os documentos estavam substancialmente corretos e satisfeito porque a exportação foi legal. Eu não queria mais dois ou três anos de negociação e recriminações do Governo espanhol”.
Por sua vez, a Espanha,em nota formal, anunciou que “ a boa vontade recíproca permitiu  um acordo passando o quadro de Goya a ser propriedade do Estado espanhol”.
“Tratamos de vender a pintura ao Governo espanhol nos últimos dezoito meses porém, as conversações anteriores não chegavam a bom termo por causa do preço, explicou Lord Wimborne .
O caso ainda não havia sido decidido pela Justiça porém a aproximação do leilão, clareou maravilhosamente as idéias”, afirmou J. A. Floyd, Chefe da Galeria Christie’s.
“Este quadro é um dos seis ou sete retratos mais importantes de Goya. Estou contente e feliz porque agora será exposto ao público”, disse Lord Wimborne, não sem antes explicar que obteve “ um lucro mínimo com a transação.
Para tentar embargar a venda em leilão, o Governo espanhol entrou na Justiça inglesa requisitando os documentos relativos a exportação do quadro. Com o acordo o caso fica encerrado.
“Nunca tentaram uma ação judicial na Espanha”, reclamou no entanto o ex-proprietário da obra prima do pintor espanhol.