terça-feira, 13 de novembro de 2012

ÂNGELO ROBERTO EXPÕE DIA 21 NA GALERIA CAÑIZARES - 17 DE AGOSTO DE 1987


JORNAL A TARDE SEGUNDA-FEIRA, 17 DE AGOSTO DE 1987

ÂNGELO ROBERTO EXPÕE DIA 21 NA GALERIA CAÑIZARES
O artista Ângelo Roberto fazendo um desenho do rosto de Carlos França, chargista de A Tarde
, foto de Geraldo Ataíde


Finalmente está marcada e “amarrada” a exposição do excelente desenhista e grande boêmio desta cidade, Ângelo Roberto.Uma exposição que ele faz em memória do seu colega falecido prematuramente, o saudoso José Maria (de Souza). A exposição será na Galeria Cañizares, do dia 21 ao dia 28, sendo que a vernissage será ás 17 horas do dia 21, portanto, num horário que permite a presença de todos seus amigos, mesmo aqueles que trabalham na imprensa baiana.
Para anunciar sua exposição Ângelo esteve na Redação, acompanhado do seu amigo, e “grande fornecedor” do néctar dos deuses, o não menos boêmio Franco Barreto, do Quintal e Raso da Catarina. Juntas estas duas figuras singulares promovem a quatro mãos esta exposição resgatando uma dívida de Salvador para com a arte de Ângelo Roberto.
O convite traz uma carta que Floriano Teixeira, enviou para o artista. Como sabemos, o mestre Floriano é bamba no desenho em bicos-de-pena, ilustrador de alguns livros de Jorge Amado, e reconhecido em todo o País. Nesta carta atesta a qualidade do trabalho de Ângelo Roberto quando diz:
“Poucas vezes vi, por estas bandas, desenhos a bico-de-pena, tão bem inspirados e executados como os que vais expor (vi as fotografias de todos eles, pelas mãos de Franco Barreto, teu amigo-irmão). O cruzamento das linhas, enriquecendo e criando tonalidades diversas, faz desses desenhos peças de qualidade e beleza plásticas surpreendentes”.
Portanto, atestada por um mestre do desenho a qualidade de suas obras, só resta a este filho de Ibicaraí, ex-povoado de Palestina, continuar o seu caminho que começou desde a infância sob a influência de sua mãe.
“É a linha que está me preparando para a cor”, confessa Ângelo, e, de repente, lembro-me várias caricaturas suas que vi nas mãos de Franco onde ele capta com perfeição os detalhes dos traços físicos de seus amigos como Guido Guerra, Sílvio Lamenha, Gey Espinheira, Cotrim, Franco, Clarindo Silva e muitos outros. Todos, figuras do primeiro time da noite e da boêmia baiana.
O nosso Ângelo reside em Salvador desde 1944, quando aqui chegou com apenas cinco anos de idade. Lembra-se ainda da primeira vez que viu o mar, azul e grandioso, em sua frente provocando momentos de fantásticas imaginações. Aquela imensidão de água a mover-se em várias tonalidades de azuis e verdes ficou marcada na sua retina e na imaginação da fantasia de criança. “Confessa que esta sua exposição, tem muito a ver com a sua infância, com minha vida toda e com a minha vida social, nos bares desta cidade varando as noites”.

      LEONARDO ALENCAR EM RECIFE

Recebo uma comunicação do meu amigo Leonardo Alencar que estará expondo a partir do dia 20 de agosto na Galeria Metropolitana de Artes Aloísio Magalhães com o apoio da Fundação de Cultura da Cidade de Recife – Fundesc. O catálogo-convite da exposição é simples, diante da grandiosidade da obra de Leonardo Alencar, que precisa ser melhor trabalhada por parte das galerias baianas e vista com mais atenção pelos colecionadores.Conheço a trajetória pictórica de Leonardo há mais de 20 anos, sei da facilidade do seu desenho, da sua formação e da bagagem de informação que carrega , e isto tudo não está sendo compensado materialmente,como deveria .
Tanto os desenhos com grandes manchas de cores suaves ou quentes entrelaçadas por linhas que se curvam, que se cruzam e se encontram possibilitando o aparecimento de figuras muito bem definidas, como os óleos ricos em técnica e temática atestam ser Leonardo um dos bons artistas nesta terra e um dos mais injustiçados em determinados segmentos do mercado de arte.
Dificuldades sempre foram presença em sua vida profissional e individual. Ele vem como um daqueles cavalos elegantes e possantes que costuma desenhar, pulando as barreiras em busca de um porto onde possa arriar seus instrumentos de trabalho e criar com tranqüilidade. Leonardo sabe das coisas. As pombas que surgem com muita intensidade em seus desenhos e óleos são um símbolo da sua própria figura.
Sempre com um riso nos lábios e uma palavra de carinho para seus amigos. Desta forma este pintor, gravador e desenhista, que inclusive já expôs em várias galerias do País, é uma face da grandeza deste sergipano, que sai e vence fora de suas pequenas fronteiras.

AGLAIA EXERCITA SUA LIBERDADE NA GALERIA BONINO

As criações mais recentes da artista Aglaia estão sendo mostradas na Galeria Bonino, no Rio de Janeiro, até o próximo dia 22 do corrente mês, e espelham o universo humanístico em que se movimenta o pincel da artista. A apresentação é do ex-ministro Eduardo Portella e atual secretário de Cultura do Governo do Estado do Rio de Janeiro, que destaca: “ A pintura de Aglaia constitui um permanente exercício de liberdade”. Trata-se, no entanto, de uma liberdade relacional, em que a cena, ou a contracena, vive e se sustenta de contatos previsíveis, porém, amplamente reveladores”. Nos trabalhos de Aglaia, Eduardo Portella descobre o jogo da vida, “ op luminoso espetáculo de homens e coisas , de situações cotidianas, não raro rústicas, frequentemente emocionais”.
Carioca, formada em Pintura e Comunicação Visual pela Escola de Belas Artes da UFRJ, Aglaia Peltier dos Santos realizou exposições individuais em 1980 (Caesar Park Hotel do Rio); 1982 ( Galeria Brasiliana de São Paulo); 1983( Galeria Charting do Rio) e em 1985, pela primeira vez, na Galeria Bonino. Seus trabalhos foram vendidos em leilões na Galeria Concorde, sendo que um dos seus quadros foi publicado na primeira página da edição de Natal de O Globo, em 1986.O nome de Aglaia consta do Dicionário de Arte, de Walmir Ayala, do Guia Internacional dos Artistas Plásticos, de Leo Christiano, e da Enciclopédia do Banco Bozzano Simonsen sobre Arte Brasileira, de Walmir Ayala.

 EXPOSIÇÃO INDIVIDUAL DE DIRAJARA NO 
PRAIAMAR HOTEL

A cachoeirana Dirajara, que tem nome indígena, vai apresentar 21 obras com forte tendência cubista na sua primeira exposição individual no saguão do Praiamar Hotel. Desde 1963 que ela vem trabalhando nas horas disponíveis. O curioso é que a artista é contadora de profissão, portanto, lida com números e carrega consigo este lado poético artístico.
Ela acompanha a trajetória de seus trabalhos. “São como pedaços de mim que se espalham por esta cidade e outros lugares. É uma grande emoção cada quadro que as pessoas levam para suas casas. Tenho tudo anotado, porque entendo que cada um deles é um pouco da minha história de vida, da minha própria existência”. Evidente, que uma emoção carregada de sensibilidade do artista, aliada a sua condição de mulher, que quase sempre é mais terna e se emociona com mais facilidade. Afirmo  , que não é uma visão, dentro do contexto machista da nossa própria cultura.
Suas cores são suaves e muitos dos trabalhos trazem figuras de aves, e principalmente de pessoas envolvidas por formas geométricas que mudam de tonalidade permitindo composições equilibradas. Dirajara é uma artista disposta a enfrentar as dificuldades que virão nesta trajetória iniciada em 1963, e que agora começa com o pé direito ao realizar sua primeira exposição  individual com 21 telas de boa qualidade.
A exposição de Dirajara começa no dia 20 de agosto e vai até o dia 5 de setembro.