domingo, 25 de novembro de 2012

CLÁUDIO TOZZI EXPÕE NO DIA 23 NA O CAVALETE -20 DE FEVEREIRO DE 1984


JORNAL A TARDE,SALVADOR, 20 DE FEVEREIRO DE 1984.

CLÁUDIO TOZZI EXPÕE NO DIA 23 NA GALERIA O CAVALETE

A exuberância das cores da fauna brasileira na obra de Cláudio Tozzi.
Pinturas e serigrafias de Cláudio Tozzi serão mostradas a partir do dia 23 na Galeria O Cavalete. Umas das preocupações do artista é de levar a arte a um maior número possível de pessoas. E os trabalhos em serigrafia e gravuras possibilitam esta determinação de Tozzi porque são múltiplos. Ele nunca ficou conformado com sua arte enjaulada nas salas refrigeradas dos gabinetes nas grandes metrópoles. Como arquiteto e professor preocupa-se em repassar suas experiências e sempre está buscando o aprimoramento técnico para que possa expressar melhor as suas emoções. Acredita no papel da crítica, acha importante e que deve ser exercida “para que possa haver debate em torno dos trabalhos. A mesma critica não é uma coisa maléfica”.
O artista Cláudio Tozzi
Disse quando de sua exposição em São Paulo, no ano passado:“Mesmo quando um trabalho nosso é visto com ressalvas por um critico, só o fato de publicar suas opiniões acaba despertando a curiosidade do público e ajuda a exposição, transformando-a num acontecimento, no mínimo polêmico. Surgem debates e o trabalho deixa de ser passivo para se transformar numa coisa viva, dinâmica, com movimento. Agora, quando um critico critica sem ao menos ter visto a exposição e baseia seus comentários no que viu impresso num catálogo, é lamentável!”
Realmente estas observações do Cláudio Tozzi são importantes. Porém, não podemos esquecer que os críticos acompanham de perto toda a trajetória dos principais artistas deste país. Embora não tenha lembrança de exposição individual aqui realizada por Cláudio Tozzi conheço de perto a sua obra através de exposições que visitei em museus e galerias em outros estados e das publicações que tenho lido e guardadas em meu arquivo. Concordo que não é justo que alguém comente uma exposição  pelo catálogo e é por esta razão que vou aguardar a abertura da sua mostra para tecer alguns comentários sobre as obras que serão expostas.
A apresentação desta sua exposição baiana é de Fábio Magalhães que destaca :"A paisagem urbana de Cláudio Tozzi não se dá no compromisso com a arquitetura bem como urbanismo mas segue o desenvolvimento de sua pintura nas alterações que cada nova temática propicia, mantendo a mesma técnica no emprego do rolo pontilhado.A cidade aparece tomando toda a superfície do quadro, numa visão aérea, num voo rasante, mostrando, através de recortes seus edifícios apinhados."

A cidade é uma geometria, uma escala colorida, para ser vista a distância, onde os pontos de cores sobrepostos formam os matizes; o tom se altera dentro dos ângulos retos dos retângulos edificados.
Os recortes urbanos lembram São Paulo e foram montados através de diversas fotos da cidade, num procedimento similar a sua série de paisagens com coqueiros, montadas a partir de sobreposições de fotografias de paisagens do litoral pernambucano e paulista.
A imagem de Tozzi da cidade embora tirada da realidade cria um clima de ficção e a visão do conjunto sugere uma situação nova, inquietante, do espaço em que vivemos”.
Alguns dados sobre o artista:Nasceu em São Paulo em 1944. Inicia sua carreira em 1963, recebendo o primeiro prêmio de cartazes para 11.º Salão Paulista de Arte Moderna.
Participou de várias exposições coletivas, entre as quais: Bienal de São Paulo; Vanguardia Brasileña no CAYAC, em Buenos Aires; de Sistemas em América Latina (Institute Of Contemporany Art Londres); Bienal de Veneza; Bienal Americana de Artes Gráficas, em Cali ,na Colômbia; Latin American 76, na Fundación Juan Miró, em Barcelona ;Trienal Latino Americana Del Grabado, em Buenos Aires; Bienal de Paris; Bienal de Medelín , na Colômbia.
Realizou várias exposições individuais em galerias tanto no Brasil como no exterior.Recebeu vários prêmios, entre os quais: Prêmio da Crítica (APCA), Objeto em 1973; Prêmio da Critica (ABCA), de Viagem ao Exterior, em 1975; Prêmio de Viagem ao Exterior no Salão Nacional de Arte Moderna (MAM), em 1979.
Realizou painéis em espaços públicos: painel Zebra na lateral de um prédio da Praça da República, em São Paulo, painel para o Centro Recreativo do SESI, em Ribeirão Preto, painel para o SESC, Vila Nova em São Paulo; painel para a Estação Sé do metrô de São Paulo e conjunto de painéis para o Club A em New York.
Tem trabalhos nos principais museus de arte do Brasil e em importantes coleções no Brasil e no exterior. Curso de pós-graduação e título de mestre pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo. É citado em obras especializadas e em inúmeros textos críticos publicados em revistas e colunas de arte da imprensa diária, bem como em dicionários de artes plásticas.

A TRIGÉSSIMA EXPOSIÇÃO DE BANDEIRA

Sua última mostra fora de Salvador, foi em 1981, no 62.º Congresso Internacional de Odontologia, no Hotel Nacional, Rio de Janeiro. Os seus trabalhos foram muito apreciados e adquiridos pelos colegas, alemães, japoneses, venezuelanos e brasileiros. Este ano fará sua segunda exposição na Galeria Comendador Alberto Bonfigliori, na Rua Augusta, São Paulo, que será a sua 30.ª mostra individual.Bandeira já pintou marinhas, casarios, vias-sacras, queimadas e palafitas.
Agora são paisagens de salvador vistas do mar, Como se estivesse dentro de um navio. Quando trabalhava no porto, constantemente se deslocava para Ilhéus. Ele relembra com alegria da sua primeira viagem àquela cidade. Após cumprir suas tarefas, foi passear no cais do Porto. Como era princípio de uma tarde de domingo, ficou a pensar se retornava naquele dia ou na segunda-feira pela manhã. Nesse ínterim, dois dos seus chefes desceram do rebocador de volta da visita a um navio cargueiro sueco que estava ancorado longe do porto e um deles lhe disse que só voltaria naquela tarde se quisesse. Bandeira ficou eufórico com o oferecimento, pois nunca havia viajado de navio, principalmente estrangeiro! À noite já se encontrava conversando com a tripulação.
São imagens e emoções que ficaram retidas e agora são transformadas em belas composições que transbordam carregadas de ingenuidade. Aliás, os pintores primitivos são frutos do próprio meio. Mas, Bandeira sendo de formação universitária é um contraste.

    TRÊS JOVENS ARTISTAS NO SOLAR DO FERRÃO

Trinta trabalhos entre desenhos, gravuras e pinturas de três jovens artistas baianos, Edgard Mesquita de Oliva Júnior, Ives Quaglia e Luís Eduardo Alves Correia Santos, estão expostos na Galeria Solar Ferrão ,do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC). A mostra, promovida pelo (IPAC), através do Setor de Divulgação Cultural (Sedic), foi aberta no dia 16 de fevereiro e prosseguirá até o dia 9 de março.
É a primeira vez Edgard Oliva, Ives Quaglia e Luís Eduardo se reúnem para mostrar os seus trabalhos, porém, não se limitam a uma temática. Cada um exibe o que sua imaginação e criatividade determinaram. Natural de Jequié, Edgard tem 27 anos de idade e participa da exposição com 10 obras. Sua pintura explora muito a cor e a forma, não se pretendo a qualquer tema específico, sendo caracterizada como surrealista. Ives Quaglia é o mais novo dos três ,tem 24 anos, e expõe desenhos e gravuras, enquanto Luís Eduardo apresenta também pinturas. A coletiva do trio poderá ser apreciada de segunda a sexta-feira, das 9 às 12 horas e das 14 às 17 horas, quando a Galeria Solar Ferrão (Rua Gregório de Mattos, número 45, Pelourinho).