quinta-feira, 22 de novembro de 2012

UM MUSEU ONDE ESTÃO OS PICASSOS DE PICASSO - 17 DE FEVEREIRO DE 1986.


JORNAL A TARDE, SALVADOR, 17 DE FEVEREIRO DE 1986. 

UM MUSEU ONDE ESTÃO OS PICASSOS DE PICASSO

o
 Museu Picasso onde está boa  parte da obra do artista
Acabo de receber de EduardoTawil, um ex-aluno e amigo, agora fazendo um curso em Paris uma matéria sobre o Museu Picasso aberto recentemente. Um museu onde estão os quadros feitos por Picasso e que ele selecionava em sua casa. Portanto é um museu de picassos de Picasso. Vejamos.
Paris (Via Varig), Conhecida internacionalmente, depois de séculos, pelos seus museus e pelo  valor do seu patrimônio artístico, Paris é uma cidade que nunca deixou de evoluir e investir na cultura. Isto fica mais uma vez provado na sua mais recente aventura: a inauguração, em setembro de 85, no Museu Picasso. O local escolhido para abrigar as obras de um dos maiores gênios da pintura no Séc.XX foi o Hotel Salé (Rue de Thorigny, n.º 5 no 3.º distrito da cidade), um enorme prédio construído em 1656 e desde 1968 classificado como Monumento Histórico.
O Beijo, acervo do Museu Picasso, Paris
A implantação no Museu se justifica pelos vários anos em que o pintor morou em Paris. O seu projeto de criação foi anunciado em 1974, e logo em 75 iniciaram-se os trabalhos de restauração, que custaram ao Estado francês 12 milhões de francos, e mais de 67 milhões o custo global dos trabalhos de arrumação interior. O resultado é que nos seus quatro níveis, estão distribuídos 203 pinturas, 158 esculturas, 16 colagens, 29 quadros em relevo, 88 cerâmicas, mais de três mil desenhos e estampas, obras ilustradas e manuscritos, assim como obras primitivas e alguns dons de coleções particulares.
Do subsolo ao primeiro andar estão as coleções permanentes, enquanto que o segundo é reservado às exposições temporárias e à documentação. O atual acervo não deixa de ser surpreendente, ao saber-se que em 1945 apenas três telas de Picasso figuravam nas coleções públicas francesas com todas as peças restauradas e autênticas, entre as quais seu primeiro quadro aos 14 anos de idade. No entanto, é com “Auto-retrato Azul”, do inverno de 1901, que começa realmente a coleção: esta tela marca a sua chegada a Paris. Em sete salas divididas em fases ou épocas, a evolução de uma obra que não para de se confrontar, de se definir e de celebrar a pintura universal, um trabalho concluído durante um século, pois o pintor viveu 93 anos.
Picasso trabalhando na famosa Guernica
A idéia fundamental da equipe de criadores era constituir um museu com a cumplicidade generosa, secreta e paciente do pintor em si mesmo, a começar pelo seu tamanho: Picasso sempre amou os grandes espaços.
Também guardava suas telas e esculturas como decoração ativa de sua vida cotidiana, e raramente emprestava as obras de sua coleção pessoal, somente para as grandes ocasiões, como as retrospectivas. De enorme atividade criativa, produzia muito e guardava perto de si o essencial de sua obra sem se submeter às exigências do mercado, motivo principal da presença na coleção de um bom número de obras-primas. Ele sabia que este conjunto não deveria ser dissociado, que era significativo do desenvolvimento coerente de sua obra, e assim deveria ser mantido para o futuro.
Esta escolha dos organizadores foi feita em acordo com os herdeiros de Pablo Picasso: o destaque para o conteúdo sentimental, pessoal e familiar das obras sem esquecer o seu caráter mais difícil, o artístico e histórico. A decisão resultou neste novo museu praticamente sem lacunas, no qual os enriquecimentos recentes e futuros contribuirão a fazer do lugar um vasto universo da arte.

Todas as obras são ligadas à sua vida ou aos seus momentos. Ali estão retratados os períodos rosa e azul, a época lírica da juventude do artista e de sua admiração por Cézanne; a influência da arte antiga ibérica; o pré-Cubismo de 1908-1909 e o Cubismo de 1910-1914 (decomposição do que seria o quadro); introdução à colagem (matérias estranhas à pintura); desenhos sobre jornal, violões e madeira; os primeiros anos do pós- guerra (obra de volume); em seguida de uma viagem a Roma, rompe com o Cubismo e passa ao Neoclassicismo (impressionou-se com Rafael); o Expressionismo dos anos 50 e 60, seu momento de maior sucesso, muito colorido; o Sintetismo (papel colado na gravura); a influência do Mediterrâneo; a fase do Minotauro. Enfim suas obras particulares de Renoir, Matisse, Miró; manuscritos muito raros, documentos originais, fotos da família e as esculturas expostas no pátio inteiro do museu.

APOIO ÀS ARTES AJUDA CRIAR UMA BOA IMAGEM

O apoio empresarial às artes não constitui novidade nos Estados Unidos.Antiguidade, uma companhia de satisfazia com uma menção nas listas das empresas que emprestavam seu apoio ou, talvez, com uma pequena citação na segunda página do programa. Hoje em dia, as empresas estão-se conscientizando de que as artes não são boas apenas para a comunidade, mas também para os negócios.
Tal como disse Charles Croce, vice-presidente e diretor de comunicações culturais da agência de publicidade N.W.Ayer, “estar havendo um distanciamento da filantropia pura para uma posição mais mercadológica. Há dez anos, os recursos empresariais para as artes seriam provenientes dos orçamentos para fins filantrópicos; hoje, são das verbas de mercadologia”.
A American Telephone e Telegraph (ATeT) pode ter sido a força catalisadora deste nova situação.Quando iniciou, em 1979, seu programa Orquestras em Tournées (Orchestras on Tour), dando continuidade a uma programação ininterrupta de 40 anos de subscrição de programação artística, a ATeT deu prova a um curioso mundo empresarial de que era possível enviar organizações artísticas para outros locais fora de sua sede, e conquistar muitos pontos em termos de relações públicas, além do prestígio interno.
Recepções, jantares e outras atividades sociais do gênero podiam ser planejadas em função de um concerto de uma orquestra visitante. Era possível adquirir os melhores lugares para esses concertos e oferecê-los a clientes em perspectiva. O logotipo da ATeT, juntamente com a filial local da Bell devam projeção e credibilidade à companhia entre os culturalmente afinados, que, na maioria das vezes, compunham o mercado que muitas empresas contemplavam em primeiro lugar.
Agora, a idéia pegou. Infelizmente, a transformação acionária porque passou, recentemente, forçou a ATeT a renunciar a seu notável programa.
Atualmente, a empresa subscreve ATeT Presents Carnegie Hall Tonight (ATeT Apresenta Carnegie Hall Hoje), um programa radiofônico transmitido para todo o país. Porém, outras empresas empunham a bandeira da doação promocional, embora de forma acentuadamente te diferente.
O Elliot Ballet se apresentando em Chicago sob
 o patrocínio da empresa Merril Lynch.
O envolvimento municipal também está muito em moda. Como exemplos pode-se citar vários projetos. Desde 1970 que o Citibank é um dos principais patrocinadores das excursões da Filarmônica de Nova Iorque, promovendo viagens  à América do Sul, México, Europa e Ásia. A Isuzu está comprometida com a Filarmônica de Los Angeles, Califórnia. A Beatrice Foods, de Chicago, lllinois, optou pela Ópera de Chicago como o centro de suas promoções culturais, não apenas mediante generoso apoio à temporada lírica, mas também pelo patrocínio de transmissões radiofônicas anuais para todo o país e gravação em vídeo de “Eugene Onegin”, de Tchaikowsky,para futuras apresentações na televisão A Merril Lynch está patrocinando uma série de recitais e concertos com cerca de 25 orquestras através de todos os Estados Unidos.
Judith A.Jedlicka , Presidente do Conselho Empresarial Para as Artes, e Inc. Chefia um escritório que incentiva empresas interessadas, de grande e pequeno porte, a explorarem as artes como,empreendimento promocional.Ela afirma que as doações empresariais sempre foram substanciais, mas agora há um empenho mais consciente  de setores que darão mais projeção à Companhia. “ A primeira preocupação das empresas é com o setor em que funciona. Há , atualmente, muito mais noção de associação de mercadologia e publicidade às artes, e isto está granjeando-lhes muito mais projeção junto ao público.Albert K. Webster , Diretor Administrativo da Filarmônica de Nova Iorque, refere-se especificamente ao City Bank, mas seus comentários aplicam-se a todas as firmas: “ Nossa associação se adapta a sua finalidade, que é lucro de vendas, e imagens, etc.; para um banco que busca uma clientela que se sente atraída por um concerto ou lisonjeada com um convite para um recital ou uma recepção antes ou depois dele. “É apenas um bom negócio, e , do meu ponto de vista, o aspecto mais importante de apoio do City Bank à Filarmônica”.Os objetivos de Merrill Lynch são semelhantes, embora os meios de alcançá-los seja um tanto diferente. Michael Wall , um dos vice-presidentes da Merril Lynch e também Gerente do Departamento de Eventos Especiais , observa que “ as grandes empresas com sistema de filiais são constantemente acusadas de fazerem dinheiro nas cidades e depois retirarem o delas”.( Por Thor Ecket Jr.)