sexta-feira, 23 de novembro de 2012

IMITAÇÕES E IMITADORES - 12 DE JANEIRO DE 1984.

JORNAL A TARDE, SALVADOR, 12 DE JANEIRO DE 19

                         IMITAÇÕES E IMITADORES


O Brasil é realmente recordista em acontecimentos, casos e inacreditáveis. Um país imenso onde cabem os mais variados tipos humanos daqui e de outras terras.Tropical, seco e quase sempre enfrentando enchentes, crises ou inflação a galope, o nosso país segue como um barco sem rumo ao sabor dos ventos e das intempéries. Um caso singular em toda a história da humanidade. Um caso tão singular que o atual governador de Minas Gerais, o piauiense Francelino Pereira, quando presidente da extinta Arena perguntava:: “Que país é este?”Surpreso diante das coisas que entre nós aconteciam e acontecem.
Mas, voltemos às artes plásticas. Vivemos de imitação. Alheios a cultura que nos rodeia copiamos (e copiamos mal ) tudo que ocorre nos grandes centros.Um colonialismo cultural gritante e alheio a tudo que existe por aqui.Quando não, estamos copiando os velhos casarios, as paisagens rurais ou coisa que o valha.
A imitação não acontece apenas neste campo.
Lembro-me que Salvador não tinha uma lanchonete que prestasse, e um cidadão qualquer, que não conheço, resolveu instalar uma na Rua Carlos Gomes , no centro da Cidade,  e deu o nome “La Fontana”. Em poucos meses a Rua Carlos Gomes contava com quase dez lanchonetes, muitas das quais já fecharam. Se você abrir uma lojinha qualquer que apresente algo de novo, imediatamente ataca a febre da imitação. Agora, estamos com uma febre de críticos. Existem críticos para todo o gosto. De preferência, é preciso que escreva algumas poesias de mal gosto ou cultive uma cultura chula. Mas, é preciso ter também ter alguns livros à disposição, especialmente de autores conhecidos internacionalmente para as indefectíveis citações, de preferência em Inglês, a língua de Tio San. Isto dá status de crítico. Outros, preferem colher superficialmente informações de outras publicações populares. Mas o gosto da presença de imitação está solto.
Também pudera! A moda e o consumismo do sistema capitalista integram um processo de grande imitação. No entanto, discordando desta atitude prefiro àqueles que criam, àqueles que gostam de sair na frente em busca de objetivos mais nobres. Não comungo com aqueles que bajulam nas ante-salas das galerias, nos clubes sociais ou em outros ambientes apropriados para o cultivo da imitação.

A BUSCA DE NOVOS MATERIAIS PELO ARTISTA 
JOÃO AUGUSTO

No próximo dia 14, a Galeria Pousada do Carmo estará abrindo suas portas para vernissage do artista João Augusto. São 11 trabalhos constituídos, cada um, de quatro chapas de Duratex, medindo 1,22m por 96cm, as quais foram recortadas criando volumes que se revelam sobre as superfícies planas das chapas.

Segundo o artista, são composições que oferecem inúmeras opções de construção. Esta proposta já foi por ele apresentada no Rio de Janeiro e recentemente no Museu de Arte no Rio Grande do Sul, tendo recebido boa aceitação de público e crítica. Mas, João Augusto não para e já tem exposição programada para o Museu de Arte Moderna de São Paulo, MASP, onde levará 200 placas formando 800 volumes.
A tinta utilizada por João é a Suvenil Látex, que é industrial e os instrumentos para a execução das obras são martelo, lixadeira, serras manuais ou circulares, colas, brochas e rolos. Fugindo inteiramente ao tradicional suporte de tela.Portanto, João Augusto abandonou por algum tempo a dupla tradicional ( pincel e tela ) para partir para outros instrumentos de trabalhos de massa.

Desde sua passagem pelos Estados Unidos que vem pesquisando vários materiais, na busca incessante de transformá-los em objetos de arte. Diz José Augusto que," à medida que os anos passam, minha inquietação aumenta e minha entrega a minha opção se torna cada vez mais forte, e tudo que não seja o meu trabalho se transforma e, algo menos importante e mais secundário."

PREMIADOS NO SALÃO NACIONAL VIRÃO ESTE ANO 
A SALVADOR

O Projeto Arco-Íris criado em 1978 para promover o intercâmbio de arte no país através de exposições, palestras e seminários, inicia suas atividades este ano no próximo dia 15, inaugurando no Museu de Arte, em São Paulo, uma exposição itinerante dos artistas premiados no 3.º Salão Nacional de Artes Plásticas. É a primeira vez que os trabalhos selecionados no SNAP serão expostos em outras capitais brasileiras, além do Rio de Janeiro. Depois de São Paulo, a mostra percorrerá Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Brasília.
Além da exposição itinerante do 3.º SNAP, o Projeto Arco-Íris prevê para o primeiro semestre duas mostras coletivas de Gravuras e Desenho programadas para Vitória, Itajubá, Goiânia, Campo Grande, Salvador e Recife; uma exposição de Desenho e Gravura, de Newton Cavalcante ,em Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre, e outra de Pintura do artista mineiro Márcio Sampaio, em Curitiba, em co-patrocínio com a Secretaria de Cultura do Paraná.
Entre os cursos organizados pelo projeto Arco-Íris, do Instituto Nacional de Artes Plásticas da Funarte, destacam-se um de fotografia em Itajubá e um Laboratório de Percepção e Criação Plástica, na Universidade Federal da Viçosa, em Minas Gerais. Os dois cursos, com professores contratados pela Funarte, visam a transmitir conhecimentos técnicos que propiciem a valorização da cultura local.

ROTEIRO DO SALÃO NACIONAL

São Paulo (Museu de Arte de São Paulo-MASP): de 15 a 27 de janeiro. Curitiba (Galeria do Centro de Cultura): de 4 a 16 de fevereiro. Porto Alegre (Museu de Arte do Rio Grande do Sul): de 10 a 23 de março. Belo Horizonte (Palácio das Artes): de 17 a 28 de abril. Salvador (Museu de Arte Moderna da Bahia): de 7 a 20 de maio Recife (Galeria da Fundação Joaquim Nabuco): de 8 a 19 de junho. Brasília (Galeria Osvaldo Joeldi, da Funarte): de 6 a 17 de julho.
Os premiados no 3.º Salão Nacional de Artes Plásticas e que participarão da exposição itinerante são: Prêmio de Viagem ao Exterior- Arlindo Daibert (MG), Manuel Messias (RJ), e Sérgio Fingermann (SP), e Marcos Coelho Benjamim (MG). Prêmio de Viagem pelo País- João Grijó (RJ) Klaus Herbert Pfeiffer e Estela Bulgarelli (SP), Grupo de Arte Conceitual: Cuidado Louças (RJ) e Gomes de Souza (GO). Prêmio Gustavo Capanema: Manfredo de Souza (MG). Prêmio de Aquisição: José Augusto Toscano Simões (PA), Anna Maria Maiolino (RJ), Rodolfo Mesquita (PE), Márcia Bodstein (SP) e Lena Cecília Bergstein (RJ).

                  SALVADOR DALÍ REAPARECE EM PARIS

Esteve sumido das manchetes e dos pontos mais movimentados de Paris o controvertido Salvador Dalí. Mas, este final de ano ele reapareceu vestindo um sobretudo de pelo de leopardo e trazendo consigo uma bengala antiga. Dalí revelou aos jornalistas que retorna com força total para pintar os encantos de sua musa e mulher Gala. Ele não está alquebrado como pensaram alguns, mas disposto a colocar suas telas  nas mais famosas galerias e museus do mundo. O passeio ai registrado ,que deu pelas ruas de Paris foi considerado pelos seguidores do mestre do surrealismo como um reaparecimento para clarear o mundo conturbado pelas guerras e crises.