domingo, 25 de novembro de 2012

JEAN MARC FARÁ SUA PRIMEIRA EXPOSIÇÃO DIA 15 NO MÉRIDIEN - 27 DE FEVEREIRO DE 1984.


JORNAL A TARDE, SALVADOR, 27 DE FEVEREIRO DE 1984.

JEAN MARC FARÁ SUA PRIMEIRA EXPOSIÇÃO DIA 15 
NO MÉRIDIEN

O jovem artista francês Jean Marc Pigot , que se encantou pela Bahia , com obras de sua autoria
Foi uma paixão à primeira vista. Uma velha senhora de quase 435 anos conquistou um jovem loiro, o francês Jean Marc Pigot. A velha senhora , cheio de mistérios, magia e plasticidade, derramou seu feitiço irresistível. De repente, o jovem resolveu retratá-la com todos os seus encantos, com toda a sua beleza secular. Foi este dengo cultivado entre pessoas de cor, misturado num só ambiente onde surge o sincretismo , a miscigenação e outras fórmulas mágicas onde não existe lugar para radicais e segregadores.
Tudo acontece com esta velha senhora – a Cidade do Salvador – e embora desprezada por quem deveria zelar por sua integridade e suas belezas ainda é capaz de seduzir . E um dos últimos  seduzidos é o francês Jean Marc, natural de Paris. Salvador arrebatou de sua co-irmã, também secular e cheia de encanto e luz, este jovem que agora transfere para o papel os contornos de suas igrejas, de suas ruas e do casario, testemunhos de uma época de fausto e religiosidade.
Porém , vamos falar um pouco do jovem conquistado. Jean Marc Pigot nasceu no ano de 1957 em Paris. Desde os tempos de colégio que demonstrou uma grande inclinação para o desenho e, à medida que ia crescendo, saía desenhando nas ruas, nos boulevards, no metrô e em outros locais públicos.
Tudo que é exposição Jean Marc comparecia, sempre interessando em captar a técnica e a maneira de abordar os objetos . Realiza algumas exposições na França, uma das quais na Escola Nacional Superior de Artes Aplicadas, e ilustra um livro de crianças.
Em 1977 estuda Ciências Econômicas na Universidade de Pantheon , Sorbonne. Em 1980/81 serviu na Cavalaria. Em 1982, devido a seu gosto por descobrir novidades , veio para o Brasil trabalhar no Clube Mediterranée, em Itaparica. Esteve no Haiti, Sicília, Espanha, Martinique, Guadalupe e alguns países da Europa. Mas , foi no Mediterranée que teve a oportunidade de trabalhar como cenógrafo. Depois de muitas e muitas viagens, aconteceu  o encontro com a velha Salvador que, sendo uma mulher experiente conseguiu conquistar o jovem francês . E, seus desenhos a bico-de-pena são frutos desta paixão. Os mínimos detalhes de suas igrejas são ressaltados por traços
Curtos e expressivos. Jean usa o bico-de-pena como um objeto mágico que capta toda a ambientação dos monumentos centenários. E nos traz de volta àqueles tempos calmos, longe da violência urbana, onde vendedores de vassouras , baianas de acarajés saíam e desciam as ladeiras sem qualquer preocupação. Seus trabalhos nos trazem uma espécie de nostalgia, de saudade de um tempo que passou mas que não está muito longe. Jean Marc fará sua primeira exposição em Salvador no próximo dia 15 de março, no Hotel Méridien , onde mostrará vários de seus trabalhos.

             LUÍS JASMIM NO TELHADO DE VIDRO

Com lançamento previsto para o próximo dia 29, às 21 horas , no Museu de Arte da Bahia, o livro Telhado de Vidro, de Vera Matos e Sérgio Nobre, que foi enriquecido com as belas ilustrações do artista Luís Jasmim. Ele soube captar o clima do realismo mágico e a dose de erotismo dos poemas. São ilustrações feitas a bico-de-pena  e revelam uma sensualidade incomum, sem chocar. Uma sensualidade muito suave e as figuras dão prazer quando as observamos em seus movimentos de carícia. Jasmim é um dos bons artistas deste país e sabe usar com muita singeleza o desenho. São traços que vão formando os volumes dos corpos , com suavidade. Mas, que revelam a firmeza de um artista que conhece o desenho e coloca em seu devido lugar as emoções emanadas de suas composições.

      BEL BORBA PROCURA NOVAS ALTERNATIVAS

“Produzi estes cartões sem lançamento festivo. Distribuição homem a homem ou na Literarte”. Este é um pequeno trecho do bilhete que recebi de Bel Borba, referente a dois cartões-postais que nele produziu. No primeiro, trata do último instante deste século. É a chegada do ano 2000, cheia de previsões catastróficas. O medo do apocalipse, que todos nós torcemos para que não aconteça, para que tenhamos sempre um ia seguinte. É exatamente esta expectativa sempre positiva de mais um dia seguinte que nos dá força para continuarmos, sempre lutando. Mas voltando ao postal de Bel Borba, ele fixa neste segundo, tido como o último entre alguns crentes, ou seja, 11:59’59’ de 31 de dezembro de 1999. e interfere sobre uma fotografia do Pelourinho. Como uma mira telescópica de uma arma invisível e ameaçadora, capaz de destruir todo aquele patrimônio que levou tantos e tantos anos para ser construído e ganhar aquela imagem, que só a pátina do tempo consegue dar.
Esta mira telescópica, que Bel nos mostra, pode ser de um fuzil, de um canhão ou falando numa linguagem destruidora, mais atual, de um míssel ou de uma nave vindos de um céu galáctico.
O segundo postal é um prolongamento do seu trabalho de interferência urbana, onde o artista imaginou grossos vergalhões de aço tornando a Praia do Porto da Barra uma das mais procuradas pelo povão, num local quase que privado. Aliás, uma prática condenável, mas que vem acontecendo, especialmente nas praias do litoral do norte da Bahia.
O que posso dizer é que Bel Borba, como todos os artistas modernos, vem utilizando-se de espaços alternativos para veicular sua arte. Ele espera lançar mais quatro cartões em abril e não pretende parar. Acredito também que Bel Borba encontre e utilize de outras formas alternativas para expandir sua arte, que tem o espírito de contemporaneidade, e que sejam valorizados outros espaços que muitas vezes passam despercebidos. Inclusive, está nos seus planos a utilização muros, painéis, adesivos e outdoors, sendo que, para este último, espera conseguir algum patrocínio “porque é oneroso”.

WASHINGTON MENEZES  MOSTROU 25 TELAS NA MAB

Washington Menezes Silva, pintor sergipano, realizou uma exposição na Mab Galeria de Arte, à Rua Guanabara, Pituba. Foram 25 quadros, óleo sobre tela com o tema predominante, as marinhas. Atualmente o artista está pesquisando as figuras humanas, lançando ainda, nesta mostra, três trabalhos sobre este novo tema.
Dizendo gostar de desenho desde menino, Washington começou a pintar em 1962, em Aracaju, onde trabalhou anteriormente com fotografias. Ainda em Sergipe, expôs na Galeria Álvaro Santos e foi detentor do 1.º e 2.º prêmios na inauguração da Galeria Acauã, em 1966. Já foi também, escolhido entre os jovens do Nordeste, cujo trabalho deveria figurar em uma folhinha do Banco do Nordeste do Brasil. Em Salvador, além de participar de uma coletiva na extinta Galeria Antunes, em 1974, no Corredor da Vitória, Washington já é conhecido do público baiano por uma exposição na Eucatexpo e participações em leilões de arte da Kattya Galeria de Arte.