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sexta-feira, 9 de novembro de 2012

PROFESSORES COMEMORAM OS 110 ANOS DA ESCOLA DE BELAS ARTES - 21 DE DEZEMBRO DE 1987.


SALVADOR, SEGUNDA-FEIRA, 21 DE DEZEMBRO DE 1987.

PROFESSORES COMEMORAM OS 110 ANOS DA ESCOLA DE BELAS ARTES

A Direção da Escola de Belas Artes está comemorando seus 110 anos da instituição com uma exposição de trabalhos a pastel dos professores Aílton Lima, Edson Barbosa, Juarez Paraíso e Riolan Coutinho, na Galeria Canizares, que fica ao lado do prédio da Escola e dispõe de um amplo estacionamento para os visitantes. Esta mostra dá início a uma série que os professores desejam realizar mostrando outras técnicas. Portanto, tem caráter didático, o que é muito importante, não apenas para os alunos, mas, também, para todos os que estão se iniciando na difícil tarefa de pintar.
Os professores pretendem, inclusive, determinar horários para ficarem à disposição dos interessados dando-lhes explicações sobre o uso de cada técnica ou mesmo durante a abertura de cada exposição eles estarão papeando com os interessados. “Será esse, mais um atendimento de caráter educativo, gratuito, que a Escola de Belas Artes quer propiciar à população de Salvador, por entender que essa é também, em princípio, a função da sua Galeria Cañizares”.
Acrescentaria que não apenas da Galeria, mas de toda a universidade que é sustentada pelos impostos e taxas pagos pela comunidade, e, portanto, devem reverter esta contribuição da melhor forma possível. Esta postura de se colocar à disposição do visitante para falar da técnica mostra por outro lado, o desprendimento destes conceituados artistas professores e vem romper com a discrição, muitas vezes exagerada, de alguns artistas que ficam enclausurados com medo de falar do “pulo do gato”, ou seja, de alguns detalhes, que segundo eles é segredo guardado a quatro chaves.
Acho que o talento é uma coisa intransferível e a habilidade é que pode ser encarada com uma transferência possível desde que a pessoa receba treinamento para tal. Quanto ao professor Aílton Lima Ele ilustrou o livro de poemas de Vandilson Junqueira, lançado no último dia 17, na Livraria Civilização Brasileira, no Shopping Barra, sob o título “Sombra no Quintal”.

ONZE ARTISTAS ESTÃO EXPONDO  NO BAR BLACK JACK

 Onze artistas estão expondo seus trabalhos no Bar Black Jack num importante espaço alternativo, que está funcionando com sucesso em Salvador. Este espaço fica quase de fronte ao velho Cine Rio Vermelho, ou seja, ao lado do Teatro Maria Bethânia. Esta coletiva permanece até o dia 31 de janeiro, portanto, romperá o velho e sofrido ano de 1987, ano de tantos dissabores, de tantos ministros da Fazenda, de tanto descontrole dos gastos públicos, de tanta insensatez e ganância de banqueiros e empresários. Ali você pode respirar um momento de alívio admirando os trabalhos de Bel Borba, Otávio Filho, Murilo, Luiz Tourinho, Guache, Márcia Abreu, Flori, Chico Diabo, Ângela Cunha, Mazo e Leo Celuque.
 Primeiro à esquerda o talento de Murilo. Abaixo a emoção de Ângela Cunha e à direita o naturalismo de Guache.
O catálogo é simples e traz um poema de Sérgio Pinto que diz: “Uma obra de arte/arde,/mesmo estando,/ o artista à parte/da arte,/ a esmo pintando/ apenas este encarte/ o alarde”.
Portanto, por trás daquelas telas expostas ao lado de garrafas de bebidas e salgadinhos está todo um trabalho intelectual e emotivo. Digo intelectual porque estão embasados em conhecimentos adquiridos e armazenados nas entranhas de cada expositor e emocional, porque é a manifestação da interioridade sensitiva de cada um desses talentosos artistas. É a nova geração que já chegou e está dizendo por que veio.

        SÔNIA RANGEL EXPÕE O SEU LADO LÚDICO
 Sônia Rangel é uma artista em constante busca.
A carioca Sônia Rangel está radicada aqui há muitos anos. Tem uma experiência profissional invejável, é gravadora, desenhista, cenógrafa, escultora, pintora, além de atriz. Agora a bordo de foguetes imaginários ela dá uma mergulhada no desconhecido em busca de conquistar novos espaços além do horizonte. “Lugar Passagem Origem Futuro” é o título do evento que está apresentando até o dia 31 de dezembro. Acho apenas que Sônia escolheu um local errado para um evento artístico nesse momento, diante do envolvimento do Bar Ad Libitum com um trágico e repugnante assassinato de um jovem universitário que se negou a pagar uma conta de duzentos cruzados! Não quero aqui discutir suicídio ou assassinato, porque é caso para Policia e Justiça, porém, deixo daqui o meu protesto, porque não se justifica tanta violência e, principalmente, a conseqüente morte de um jovem. Tenho certeza, que Sônia também não concorda com tanta violência que toma conta das comunidades.
Voltando à Sônia Rangel diria que embora não tenha um maior relacionamento pessoal com a artista acompanho o seu trabalho há muitos anos, principalmente, sua atuação junto aos Grupos Coperarte e Posição, que apresentou um belo trabalho no foyer do Teatro Castro Alves. Desde 1974 que se licenciou em Desenho ela não para de trabalhar. Para Wilson Rocha “o seu universo é o da realidade da magia. A intervenção sobrenatural; algo que tem a ver com a alma ou a infância como eternidade. A razão separada tantas vezes no sentimento, da intuição, perde-se em caminhos vazios, fascinada pelo seu poder, pelas suas criações, desviando o olhar dos monstros que são também a sua obra...”
 Quando falamos em Sônia Rangel surge em minha mente a sua capacidade de trabalhar em cima do lúdico com pintadas de lirismo. Ela está constantemente voltada para novas descobertas e a pesquisa é uma marca registrada do seu trabalho.

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