quinta-feira, 18 de outubro de 2012

SEIS ARTISTAS VÃO EXPOR DIA 13 NA GALERIA MALHOA -09 DE MARÇO DE 1987


JORNAL A TARDE SALVADOR, SEGUNDA-FEIRA, 09 DE MARÇO DE 1987.

SEIS ARTISTAS VÃO EXPOR DIA 13 NA GALERIA MALHOA


Três homens. Três mulheres Arte 6. São seis artistas que estarão expondo os seus trabalhos na Galeria Malhoa a partir do próximo dia 13. Tudo foi feito com cuidado. O cartaz - catálogo foi dividido de tal forma que as mulheres ocupam espaços iguais aos ocupados pelos colegas, e até mesmo, pelo mestre Oscar Caetano. Também a disposição obedeceu a ordem alfabética. Tudo arrumado, tudo pensado, para evitar possíveis ressentimentos, como sempre ocorrem nestas ocasiões de agrupamento de talentos. Para não fugir a esta determinante do grupo vamos falar um pouco de cada um obedecendo a disposição do catalogo
O trabalho de Aylton Lima traz uma conotação lírica, suave, uma marca expressa do seu próprio jeito de ser. Ele continua utilizando muito o verde, segundo diz, “devido ao próprio simbolismo que esta cor encerra”, principalmente por sua conotação  com a própria vida.                                                                     Astor Lima com um dos trabalhos que vai expor.
Diria que seu trabalho por ser figurativo, tem uma fácil leitura e aceitação, mesmo por aqueles que não estão preparados para uma apreciação mais aprofundada de uma obra de arte. Sua técnica, nos quatro trabalhos expostos, e o pastel seco e Aylton e muito bom nesta técnica.
O escultor e pintor Astor Lima é apresentado por nosso amigo comum e também bom artista, que é o Maso. Astor apresenta trabalho em vinícula sobre e tela e traz uma inovação que é o suporte nu ou seja o artista ultrapassou os limites da tela de maneira que não há necessidade de emoldurar os seus trabalhos. Ele vem para esta mostra depois de preparar uma série de trabalhos em vinil sobre papel onde trabalhou com frutas. Agora posso assegurar que sua arte está seguindo um caminho que vi desaguar num trabalho digno de registro. Astor está bem mais solto, fugindo do figurativo, onde as formas seccionadas provocam no espectador um exercício de leitura inteligente. É como se a tela tivesse de ser complementada pela leitura de quem a enxerga. Nas várias posições que as mesmas podem ser colocadas o espectador vai ficando cada vez mais envolvido. Ninguém resiste de participar deste jogo, pois é um jogo intrigante de luz e cor onde as transparências contribuem para aguçar mais ainda a sensibilidade.
Depois vem o mestre Oscar Caetano, que tem muitos anos dedicados ao magistério, professor de várias gerações. Autor de marinhas e paisagens baianas de rara beleza. Lembro de um quadro de sua autoria da ilha de Loreto, um belo recanto, quase selvagem que ainda resiste em plena Baía de Todos os Santos, a qual pertencia a um seu amigo Osvaldo Martins.
Finalmente vem o grupo de mulheres: Lai, Lourdinha Porto e Ximena, cada uma com sua visão.
Lai apresentando belos ângulos do casario colonial, destacando alguns detalhes de nossas igrejas e casarões. Lourdinha com sua perfeita ligação com a natureza e Ximena que antropoformisa os animais selvagens.

               A HISTÓRIA DA FOTOGRAFIA EM NOSSO PAÍS


Irisfoto- a mais antiga revista de fotografia do Brasil completa 40 anos em 1987. Para comemorar, lançou uma edição especial de 116 páginas (normalmente são 68), incluindo um caderno de fotos, textos e anúncios históricos. Renova ainda seu projeto editorial e cria eventos especiais para o ano.
O fundador: João Koranyi um austríaco que optou pelo Brasil em 1937. Advogado e aficionado por fotografia
Criou a editora Irís, cujo primeiro produto foi o lançamento, em 1947, da Irisfoto, revista que recebeu integral apoio de pessoas como Thomas Farkas (presidente da Fotóptica), Eduardo Salvatore (presidente do Foto Cine Clube Bandeirantes) e mais tarde Reinaldo Viebig (diretor da Socecal). Escreveu e traduziu livros de fotografia. Editou também publicações sobre música e filosofia, entre os quais um dicionário de música clássica. Faleceu em 1968.
Susanne de Azevedo Marques, Beatriz de Azevedo Marques e Sílvia de Azevedo Marques Pilz: respectivamente filha e netas do fundador da Irisfoto. Assumiram a direção da revista em 1973:
Suzana como diretora comercial, Beatriz como diretora administrativa e Sílvia como diretora executiva.
Sem experiência anterior como empresárias (Beatriz é formada em Turismo e Sílvia em Comunicação), enfrentaram preconceitos mas impuseram mudanças na linha editorial, na distribuição e na política de marketing da revista, que resultaram no atual sucesso editorial. Sérgio Oyama: jornalista, editor da revista.

A REVISTA

Irisfoto, a primeira revista de fotografia do País, surgiu no pós guerra, período caracterizado pelo um lado pela reconstrução econômica e por outro, pela total inexistência de indústrias nacionais de equipamentos fotográficos ou de material técnico impresso em português. Surgiu com dimensões de um livro em comum, 36 páginas, capa modesta e poucas ilustrações, para que seu preço fosse acessível.
Já em seu número um, a Irisfoto iniciava um curso de fotografia, dava conselhos sobre trabalhos em laboratório, lançava um concurso e apresentava um portfólio de fotos. Idealizada por João Koanyi, a revista recebeu integral apoio do advogado Eduardo Salvatori,( presidente do Foto Cine Clube Bandeirantes), de Thomas Farkas (atual diretor-presidente da Fotóptica), do eminente arquiteto Gregori Warchavchik, entre outros.

RONNY ST. CLAIR VOLTARÁ A EXPOR SUA OBRA 
EM BRUXELAS


O artista Ronny St. Clair nasceu em São João Del Rey, em Minas Gerais, em 1955, mas logo depois foi residir no Recife.
Com 20 anos de idade partiu para uma grande aventura, indo para a Europa onde viveu em Lisboa, Madri, Paris e acidentalmente fixou-se em Bruxelas, capital da Bélgica.
Ele acredita que esta sua opção foi uma decorrência nacional por ser Bruxelas “o centro geográfico da Europa, onde na justa dimensão humana muitos artistas deixaram as suas marcas”.
A obra acima chama-se Nuit Fatale, acrílico sobre tela de 2m X 1,5m de St. Clarir
 Estudou e formou-se em Comunicação Visual. Fez estágios em Milão, Londres e Paris e em 1985, após 10 anos de formação profissional, abraçou a pintura como forma de expressão.
Já no ano passado após a sua última exposição onde destacou a predominância do azul, Ronny St. Clair mostrou, e, agora mais do que nunca, uma tendência construtiva. Ele sente o seu coração dividido entre os azuis fortes deste Brasil tropical e os azuis mais para acinzentados da Europa. Para evitar traumas pretende passar seis meses em seu país de origem e a outra metade do ano na Europa.
Aproveitando sua presença no Brasil está mantendo contatos com galerias do Sul do País para realização de algumas exposições em 1988. A sua próxima mostra intitulada “Voyage nocturne” ocorrerá em outubro em Bruxelas no Museo Horta, que tem o nome de Victor Horta (1861-1947), que foi um dos percussores de Art Nouveau.
Diz o artista que agora começa a colher alguns frutos de sua luta de vários anos e de sua persistência em busca da qualidade.

                         CRISPIM ESTÁ NA LE DÔME

Crispim é diretor de arte há nove anos, atuando nesse mercado numa inquietação constante em criar e encontrar novos caminhos. Em 82 presta vestibular entrando para o curso de Artes Plásticas da UFBa. Mostra vários estudos, vasculhando a história da arte, relembrando as transformações e os vôos dos grandes mestres, no sentido de encontrar o seu caminho.
Como homem de criação de agências de propaganda, passando pelas mais importantes agências do mercado como DM9. Randan, Publivendas e Engenho Novo, ele procura a criatividade também na arte buscando levar o público a transcender pela imaginação por uma infinidade de leituras, numa vibração positiva de alegria.