domingo, 21 de outubro de 2012

LEONEL MATTOS MOSTRA SUAS NOVAS OBRAS NA CAVALETE - 27 DE ABRIL DE 1987.

JORNAL A TARDE, SEGUNDA-FEIRA, 27 de abril de 1987.

LEONEL MATTOS MOSTRA SUAS NOVAS OBRAS NA  GALERIA O CAVALETE

Está acontecendo na Galeria de Arte O Cavalete, no Salvador Praia Hotel, em Ondina, até o próximo dia 2 de maio, a exposição de pinturas recentes de Leonel Mattos, que pode ser visitadas das 9 às 12 e das 14 às 20 horas.
Recentemente, no período de 17 de março de 6 de abril, as obras foram expostas na Galeria Arte Maior, Rio de Janeiro. A propósito da obra de Leonel, escrevi este texto que está inserido no catálogo da mostra.
" Vejo na obra de Leonel Mattos o desfilar de signos, que, traduzidos, são mensagens do inconsciente de um jovem artista inquieto que explode em criatividade. Sua arte reflete exatamente uma personalidade que está sempre perscrutando, sempre com os olhos abertos em busca de novas formas de expressão. Agora, o homem é o centro de suas atenções, resultando de sua permanência numa grande metrópole, onde enfrenta a escravização imposta pela modernidade. O buzinar dos carros, o som das portas do metrô fechando e abrindo sem parar, no atravessar do sinal luminoso e nas letras de neon ou eletrônicas que anunciam os produtos mais variados. Até mesmo o aluguel dos corpos que se desnudam e se dão por alguns instantes estão refletidos na arte de Leonel Mattos. E sua forma de expressão beira a arte chamada “Bruit”, onde é preciso traduzir toda uma linguagem simbólica que sobressai da própria linguagem do cotidiano.. O vigor das cores e da própria ocupação dos espaços vem ao encontro de seu lado emocional, impulsivo.
Sim, porque aí é o lado irracional, do artista, que em determinado momento se deixa dominar pelo impulso moderno. Sua arte traz, a marca inconfundível deste Brasil, explorado e espoliado, mas principalmente deste Nordeste quente e forte. Só que a sua linguagem, embora respaldada numa cultura brasileira, é entendida por todos aqueles que têm oportunidade de examinar com atenção a sua obra, sim, porque é uma linguagem que tem elementos da universalidade. E um dado importante é que ele não se fecha em si mesmo. Deseja que todos participem de sua obra. Lembro que certa vez colocou nas ruas de Salvador algumas placas de compensado e deixou que os que passavam dessem algumas pinceladas. Fez isso em locais diferentes. Num sanatório, no Campo Grande, no bairro da Liberdade, Instituto dos Cegos, na Casa de Detenção, no Porto da Barra, e em seguida fez uma exposição desses trabalhos. Na rua, dialogava com o povo, ouvindo os mais variados comentários, inclusive taxado de louco por alguns transeuntes menos avisados. Leonel procurava exatamente sentir as reações, mesmo aquelas que poderiam lhe incomodar. O fruto desta experiência foi o surgimento de elementos que passaram a compor novos trabalhos do artista. Uma experiência rica em manifestações das mais variadas. Cada traço, cada desenho, aparentemente desconexo, foram importantes no desenvolvimento do trabalho de Leonel Mattos.
Recentemente participou de exposições importantes, e foi premiado em vários salões oficiais.
É um artista que têm fôlego para enfrentar adversidades que se apresentam, fundamentado no seu forte talento."

LIONS CLUBE ESTÁ PROMOVENDO UMA EXPOSIÇÃO
 NA BARRA

Pela primeira vez, o Lions Clube Salvador Sul está promovendo uma exposição Leonística de Arte, que tende a repetir-se anualmente. O evento, promovido na Olaria Galeria de Arte, na Alameda da Barra, reúne trabalhos de pintura a óleo, guache, crayon, vitrais, tapeçaria, madeira talhada, porcelana pintada e outros, num total de aproximadamente 60 obras de 23 autores iniciantes e profissionais.
Participam da mostra, sócios e familiares de sócios do Lions, sendo que alguns colocaram os trabalhos à venda e outros apenas expõem. O presidente do Lions Clube Salvador Sul, Pedro Daltro, disse que, a partir da boa aceitação do público de artes, a idéia agora é de o evento repetir-se todos os anos.


ACADEMIA DE ARTE CRANBROOK VIVE O ÊXITO 
DE SEU MÉTODO
Washington - Uma inusitada escola de arte que adestrou alguns dos maiores talentos do desenho dos Estados Unidos é a sede de uma exposição que percorre, atualmente, a América do Sul.
Situada em uma propriedade de 300 acres, nas proximidades de Detroit, no Estado de Michigan, a Academia de Arte Cranbrook ( foto ao lado)   permite a seus estudantes aprenderem, trabalhando com artistas consagrados, em vez de seguirem um currículo ou método convencional. Não há classes ou séries, mas simplesmente a busca de idéias em cercanias que são, por si, uma criação artística.
Uma exposição de trabalhos artísticos dos membros do corpo docente da academia iniciou, em março, uma turnê de 15 meses pela América Latina sob os auspícios da USIA (Agência de Divulgação dos EUA). A exposição percorreu o Brasil e se encontra, atualmente, em Buenos Aires, onde permanecerá durante o mês de setembro. Está também programada para ser exposta em Santiago, Caracas e Cidade do México.
O The New York Times classificou Cranbrook, que foi projetada em 1925 pelo arquiteto finlandês Eliel Saarinem, “um dos mais grandiosos, campus criados em qualquer parte do mundo”. Saarinem acreditava na totalidade do projeto, do maior ao menor detalhe, e na integração das belas-artes como o artesanato, idéias que ainda fazem parte do espírito de Cranbrook.
No decorrer dos anos, Cranbrook atraiu uma brilhante sucessão de artistas e arquitetos que tiveram profunda influência no desenho norte-americano do pós-guerra. Florence Knoll, por exemplo, contribui para a criação da moderna concepção norte-americana de escritórios, e as cadeiras de Charles Eames são vistas em incontáveis escritórios e salas de estar. Esses e muitos outros projetos influenciados por Cranbook foram também adotados internacionalmente.
Atualmente, Cranbook conta com nove membros em seu corpo docente e cerca de 150 alunos de nível adiantado que se preparam para obter o grau de mestrado.
Simultaneamente com a exposição, o presidente da Academia Cranbrook, Roy Slade, realizou, em julho, uma série de conferências sobre “A Visão de Cranbook: Passada e Presente”, em quatro cidades brasileiras.
“Constatou-se um grande interesse, no Brasil, de partilhar idéias”, disse Slade em uma entrevista eletrônica. “isto foi muito gratificante para mim, porque o Brasil caminha para uma democracia e os artistas sentiram que, nessa qualidade, são convocados a expressar o espírito criativo do País. Revelaram-se muito interessados em saber o que ocorre nos Estados Unidos e o que acontece na arte contemporânea”.
Slade, cujas pinturas integram a exposição, disse que ficou impressionado com o “entusiasmo, vitalidade e otimismo dos artistas e professores” no Brasil.
“Foi uma visita muito estimulante” disse ele. “Uma das coisas que se percebe, e parece quase um desses turismos banais, é que falar sobre arte é muito importante porque promove a comunicação entre os povos. Essa noção de partilha é muito importante. A arte é uma linguagem universal”.
“Alguns dos artistas que conheci no Brasil estudaram e trabalharam nos Estados Unidos e alguns tinham visitado Cranbook Quando estive em Salvador fiquei realmente satisfeito em conversar com Mário Cravo, a meu ver, um dos maiores escultores brasileiros. Ele estudou nos Estados Unidos, na Universidade de Syracusa, visitou Cranbrook, e foi interessante reatar uma discussão com ele porque é um conhecedor dos Estados Unidos. Esse diálogo incessante entre artistas é muito importante”.
“Estamos também pensando em promover alguns intercâmbios pelos quais os artistas viriam aos Estados Unidos por algumas semanas, e também esperamos, futuramente, enviar alguns de nossos estudantes á América Latina”, disse ele. “Consideramos isso como início de um diálogo permanente” ( Louise Fermer).